Aos 19 anos, Alberto Helena Júnior já dirigia uma redação — e era a música popular brasileira que o levava até lá. Nascido em São Paulo, em 15 de novembro de 1941, ele fez do interesse pela cultura um ofício de mais de seis décadas: foi revisor, repórter, crítico musical, editor, diretor de jornalismo e comentarista esportivo.
Na TV, ficou conhecido por participações em programas como Mesa Redonda, Gazeta Esportiva, Arena SporTV e Bem, Amigos!. Na internet, assinou o blog Bola Virtual, na Gazeta Esportiva, onde escreveu crônicas sobre futebol e Copas do Mundo. A trajetória começa, no entanto, muito antes dos microfones e das câmeras: começa no texto impresso.
De revisor de revista a crítico musical
A primeira assinatura de Alberto Helena Júnior no jornalismo veio na Revista Etapas, publicação da colônia árabe que ele ajudava a revisar. Enquanto cuidava das páginas em português, passou a escrever textos sobre música popular e crônicas do cotidiano. Foi um começo modesto para quem, aos 15 anos, já produzia crônicas para programas de rádio e, aos 19, chegava à direção de redação.
Na sequência, trabalhou como repórter de cidade na Tribuna de Santos, foi copy-desk na Folha de S. Paulo e repórter especial da Revista O Cruzeiro. Nessa fase, assinou uma reportagem que ficou marcada: uma experiência com LSD acompanhada por médicos, que depois o levou a palestras pelo país. No mesmo período, firmou-se como crítico musical do Jornal da Tarde e acompanhou de perto a ebulição da música brasileira dos anos 1960.
Foi nesse ambiente que fez amizade com Chico Buarque, então um jovem compositor tentando espaço. Em entrevista ao UOL, ele lembrou de um episódio que terminou em pedido de demissão: uma entrevista com João Gilberto escrita de madrugada e reescrita na redação para destacar manias do músico. O desfecho, diz ele, foi positivo para os dois: Chico engrenou na música, e Alberto, no esporte.
Antes da virada, ainda trabalhou na TV como produtor de programas musicais e festivais, incluindo o 2º Festival da Música Popular Brasileira, dirigido por Solano Ribeiro, na TV Record, e um programa de Jair Rodrigues na TV Excelsior. Em 1969, foi editor da edição dominical da Última Hora e, em seguida, voltou ao Jornal da Tarde.
O teste de 1970 que mudou a carreira
Cansado da área musical, Alberto Helena pediu vaga no Jornal da Tarde. A única disponível era no futebol. O teste para ser recontratado foi simples e inesperado: escalar a seleção brasileira ideal para a Copa do Mundo do México, em 1970. Sua escalação bateu com a do diretor de redação, e ele foi contratado. A partir dali, percorreu redações, cobriu Copas do Mundo e Olimpíadas e comandou equipes de jornalismo.
Em 1974, passou a assinar a coluna Bola de Papel no Jornal da Tarde e dirigiu a equipe do jornal durante a Copa da Alemanha. Nessa cobertura, conseguiu uma entrevista exclusiva com Zagallo enquanto outros repórteres esperavam do lado de fora da concentração — episódio que ele costuma contar como uma das passagens mais marcantes da carreira.
Copas, TV Bandeirantes e a direção na Gazeta
Na Copa do Mundo da Argentina, em 1978, foi comentarista titular da TV Bandeirantes ao lado do radialista Wilson Fittipaldi, o "Barão". Nos anos 1980, escreveu para a Revista Placar e para jornais de São Paulo, além de assumir a direção de jornalismo da TV Gazeta e a direção-geral da Rádio Gazeta. Foi também chefe de reportagem da TV Globo São Paulo.
Nos anos 1990, escreveu para a Folha de S. Paulo e dirigiu o Show da Noite, na TV Record — programa que chegou a apresentar quando Wilson Fittipaldi não pôde ir ao ar. O esporte, inicialmente uma vaga de emergência, já havia se tornado a sua principal matéria-prima.
SporTV, TV Gazeta e o blog Bola Virtual
Antes de voltar à Gazeta, Alberto Helena Júnior passou cerca de sete anos no SporTV, onde participou de programas como Arena SporTV e Bem, Amigos!. A saída, em 2014, foi cercada por um episódio que ele mesmo relata: ao ser perguntado sobre sua torcida na Copa do Mundo, respondeu que torceria para quem jogasse melhor, sem clube nem pátria no futebol. Segundo seu relato, o comentário desagradou à comissão técnica da seleção e gerou reclamações, o que o levou a pedir para deixar o canal.
Em julho de 2014, foi contratado pela TV Gazeta, onde passou a participar dos programas Gazeta Esportiva, Mesa Redonda e Super Esporte. Também escreveu por anos em veículos como o Portal iG, o Diário de S. Paulo e o jornal Bom Dia. Nessa fase, criou o blog Bola Virtual, na Gazeta Esportiva, onde publicou crônicas e análises entre 2014 e 2022 — um dos registros mais completos de sua escrita sobre futebol.
Entre as marcas de sua trajetória estão:
- mais de 60 anos de jornalismo, completados em 2018;
- coberturas de Copas do Mundo, Olimpíadas e festivais de música;
- passagens por O Cruzeiro, Jornal da Tarde, Folha de S. Paulo, Revista Placar, TV Globo, TV Record, TV Bandeirantes, SporTV e TV Gazeta;
- o blog Bola Virtual, na Gazeta Esportiva.
O livro Palmeiras: A Eterna Academia
Em 1996, pela editora DBA, publicou Palmeiras: A Eterna Academia, livro sobre a história do clube e sobre a geração que ficou conhecida como Academia, capitaneada por Ademir da Guia. A obra recupera craques como Jair da Rosa Pinto, Djalma Santos, Dudu, Luís Pereira, Leão, Roberto Carlos e Evair, e segue sendo referência para torcedores e pesquisadores da história do futebol paulista. Em 2013, assinou o prefácio da biografia de Milton Neves.
O reconhecimento veio também nas premiações: entre 1999 e 2007, recebeu sete vezes o Troféu da ACEESP, a Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo, na categoria Colunista de Jornal.
Foi casado com a jornalista Maria Lucia Fragata. A música e o futebol, temas que ele sempre tratou como partes da mesma cultura brasileira, continuam sendo o fio de sua obra.
Perguntas frequentes sobre Alberto Helena Júnior
Quem é Alberto Helena Júnior?
É um jornalista brasileiro, nascido em São Paulo em 1941, com carreira iniciada nos anos 1950. Atuou em revistas, jornais e emissoras de TV e rádio e se tornou um dos comentaristas esportivos mais conhecidos do país, com passagens por TV Gazeta, TV Bandeirantes, TV Globo, TV Record e SporTV.
Quantos anos de carreira ele completou?
Em 2018, completou sessenta anos de jornalismo. Em 2010, já havia celebrado meio século de profissão.
Onde ler os textos de Alberto Helena Júnior?
O principal acervo está no blog Bola Virtual, na Gazeta Esportiva, com publicações entre 2014 e 2022. Ele também assinou colunas no Portal iG, no Diário de S. Paulo e no jornal Bom Dia, além de passar pela Folha de S. Paulo e pelo Jornal da Tarde.



