Delegado de polícia por 17 anos, Alessandro Vieira comandou a Polícia Civil de Sergipe entre fevereiro de 2016 e abril de 2017, período em que o órgão deflagrou prisões inéditas de empresários e agentes públicos acusados de corrupção no estado. As prisões atingiram nomes ligados ao poder estadual e a passagem pelo comando terminou em abril de 2017, com a exoneração pelo governador Jackson Barreto. Na eleição seguinte, filiado à Rede Sustentabilidade, tornou-se o senador mais votado de Sergipe, com 474.449 votos, numa campanha de R$ 102 mil e sem coligação. Reeleito em outubro de 2026 pelo MDB, assumiu no ciclo anterior a relatoria de dois temas centrais de segurança pública no Senado: o PL Antifacção, em 2025, e a CPI do Crime Organizado, cujo relatório final apresentou em abril de 2026.
Foram dois mandatos de senador — 2018 e 2026 — intercalados por uma candidatura ao governo de Sergipe, em 2022. Nesse período, o perfil de Vieira se firmou numa combinação pouco comum na política brasileira: a experiência de investigação policial de um lado, a fiscalização de instituições e as pautas de comportamento do outro. Foi dele o pedido de CPI para investigar o Judiciário, uma das bandeiras que o tornaram conhecido, e dele também a defesa da liberação da cannabis para uso medicinal e da criminalização da LGBTfobia.
Origem, formação e a passagem pela Polícia Civil
Alessandro Vieira nasceu em 3 de abril de 1975, em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul. Aos oito anos de idade, mudou-se com a família para Aracaju, capital que passou a ser sua base de trabalho e de mandato. Formou-se em Direito e construiu toda a carreira como delegado na Polícia Civil de Sergipe, onde atuou por 17 anos.
Em fevereiro de 2016, o então governador Jackson Barreto o nomeou chefe da Polícia Civil do estado, cargo que ocupou até abril de 2017. Sob seu comando, o órgão realizou as prisões inéditas de suspeitos de corrupção local que marcaram aquele período no estado.
As filiações partidárias e a eleição de 2018
A entrada na política veio pela Rede Sustentabilidade, em 2016. Em 2018, concorreu ao Senado sem coligação e com estrutura enxuta: gastou R$ 102 mil na campanha e terminou o pleito como o mais votado do estado, com 474.449 votos, 25,95% do total.
No segundo turno presidencial daquele ano, discordou da posição da Rede, que pregava voto contrário a Jair Bolsonaro, e declarou voto no candidato do PSL, a quem já fazia críticas. Em dezembro de 2018, alegando a cláusula de barreira, saiu da Rede com outros dois deputados estaduais eleitos e se filiou ao PPS, que no ano seguinte passaria a se chamar Cidadania. Em 2019, ajudou a criar o grupo Muda Senado, Muda Brasil.
Vieira também integra os movimentos RenovaBR e Acredito, voltados à formação de novos quadros políticos, e participa do Gabinete Compartilhado, grupo de sete parlamentares de estados e partidos diferentes que divide equipe multidisciplinar e trabalha com dados e evidências na atividade legislativa. Entre os colegas do grupo está a deputada federal Tabata Amaral.
Como Alessandro Vieira vota e o que defende
Os votos do primeiro mandato desenham um parlamentar de perfil técnico, com incursões ideológicas dos dois lados. Vieira votou contra o primeiro decreto de Jair Bolsonaro que facilitava o porte de armas e contra o projeto que punia juízes e investigadores por abuso de autoridade. Foi favorável à reforma da Previdência, ao novo marco do saneamento e ao projeto de combate às notícias falsas. Em 2020, votou contra a indicação de Kássio Nunes para o Supremo Tribunal Federal e contra o veto presidencial que congelou salários do funcionalismo durante a pandemia.
Na agenda social e de saúde, foram dele propostas que ganharam força no Senado: o projeto que prioriza o SUS na compra e distribuição de vacinas contra a covid-19, aprovado por unanimidade em dezembro de 2020; o decreto legislativo que reincluiu 29 nomes na lista de personalidades negras da Fundação Palmares, após exclusão feita pelo então presidente do órgão; e o projeto que garantiu internet para estudantes inscritos no Cadastro Único, aprovado em 2021.
O senador também se posiciona sem alinhamento automático a bancadas. Declarou-se favorável à CPI do Judiciário, à legalização da cannabis para fins medicinais e à criminalização da LGBTfobia — posição registrada em reportagem da Folha de S.Paulo em 2019. Em entrevista ao canal do historiador Marco Antônio Villa, em agosto de 2020, definiu-se como um político de centro, que transita entre a centro-direita e a centro-esquerda, e disse votar 90% das vezes com o governo federal, divergindo quando a ideologia se sobrepõe à técnica.
Acumulou ainda divergências internas. Em 2021, apesar de criticar as ações do deputado Daniel Silveira, foi contrário à prisão dele, posição diferente da maioria do partido. No mesmo período, criticou a Procuradoria-Geral da República e colegas pela decisão que encerrou o afastamento do senador Chico Rodrigues, flagrado com dinheiro em espécie em 2020.
Os principais marcos da trajetória até aqui:
- 2016–2017: chefe da Polícia Civil de Sergipe;
- 2018: eleito senador pela Rede Sustentabilidade, com 474.449 votos;
- 2019–2022: primeiro mandato no Senado, já pelo partido que virou Cidadania;
- 2022: candidato ao governo de Sergipe, com 82.495 votos;
- 2023: filiado ao MDB, recebe o Prêmio Excelência Parlamentar, do Ranking dos Políticos;
- 2025: indicado relator do PL Antifacção no Senado;
- 2026: relator da CPI do Crime Organizado e reeleito senador por Sergipe.
O PL Antifacção e a CPI do Crime Organizado
O ciclo 2025–2026 colocou Alessandro Vieira na relatoria de dois temas centrais de segurança pública. Em novembro de 2025, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, o indicou relator do chamado PL Antifacção, projeto que busca criar um marco legal único para o combate ao crime organizado em todos os entes federativos. Na indicação, Alcolumbre destacou a trajetória de Vieira na polícia judiciária e no enfrentamento ao crime organizado.
Na CPI do Crime Organizado, foi escolhido relator e, em 14 de abril de 2026, apresentou relatório final que propunha o indiciamento dos ministros do STF Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Horas antes da votação, a composição da comissão foi alterada em manobra relatada pela imprensa para tentar derrubar o parecer, que acabou rejeitado por 6 votos a 4.
Governo de Sergipe, reeleição e reconhecimentos
Em 2022, Vieira disputou o governo de Sergipe pela coligação que reunia a federação PSDB-Cidadania e o Podemos. Terminou em terceiro lugar, com 82.495 votos (10,88%). No ano seguinte, migrou para o MDB, partido pelo qual disputou a reeleição.
O retorno ao Senado veio em 4 de outubro de 2026: Vieira foi reeleito ao lado do petista Rogério Carvalho, que também renovou o mandato, com Laércio Oliveira (PP) completando a bancada sergipana. O desempenho eleitoral se soma a reconhecimentos públicos do mandato: em 2023, recebeu o Prêmio Excelência Parlamentar, promovido pela organização Ranking dos Políticos.
O mandato mantém canais próprios de comunicação, com site oficial, canal no YouTube e perfis em redes sociais usados para prestação de contas de emendas e investimentos em municípios sergipanos. No Senado Federal, o perfil oficial do parlamentar reúne proposições, pronunciamentos, relatorias e o histórico de votações.


