Antônio Paulo de Oliveira Furlan, conhecido como Dr. Furlan, nasceu em San José, na Costa Rica, em 9 de julho de 1973, filho de brasileiros, e cresceu em Belém, no Pará. Médico cardiologista, construiu no Amapá uma carreira que passou pela Assembleia Legislativa, pela Prefeitura de Macapá e chegou ao governo do estado: em 4 de outubro de 2026, venceu a eleição para governador no primeiro turno, com 62,75% dos votos válidos. A trajetória combina cirurgia cardiovascular, gestão de uma capital amazônica e uma das disputas políticas mais acompanhadas do Norte do país.
Quem tenta entender quem é Dr. Furlan encontra dois blocos de informação que costumam aparecer separados: o currículo médico e administrativo e os processos judiciais que cercam sua passagem pela prefeitura. Este perfil reúne os dois lados, com datas, números e fontes públicas, para mostrar como ele se tornou uma das principais lideranças do Amapá.
De Belém ao Amapá: a formação de um cirurgião cardiovascular
Furlan deixou a Costa Rica ainda bebê e foi criado em Belém, onde se formou em medicina. A especialização veio em cirurgia cardiovascular, com residência na Real e Benemérita Associação Portuguesa de Beneficência, em São Paulo. Já como cirurgião, mudou-se para o Amapá a convite e montou na região uma empresa de cirurgia cardiovascular, área então carente de especialistas no estado.
O perfil oficial da Assembleia Legislativa do Amapá registra a profissão de médico cardiologista e confirma sua passagem de três legislaturas pelo parlamento estadual. Foi pela política que ele passou a ser conhecido para além dos hospitais.
Deputado estadual: da suplência ao mandato
A primeira disputa eleitoral de Furlan foi em 2010, quando concorreu a deputado estadual pelo PTB e terminou como suplente, com 5.135 votos. Assumiu a cadeira em maio de 2013, após a morte do deputado Ocivaldo Gato. Nas eleições de 2014 e de 2018, foi eleito para o mesmo cargo, permanecendo na Assembleia até o fim de 2020.
No período, construiu a base eleitoral que o levaria à prefeitura da capital. A atuação na área de saúde é um dos traços que ele passou a destacar na vida pública.
Prefeito de Macapá: votação histórica em 2024
Em 2020, Furlan disputou a prefeitura de Macapá e venceu Josiel Alcolumbre no segundo turno, com 55,67% dos votos válidos. Quatro anos depois, foi reeleito em primeiro turno com 204.291 votos — 85,08% dos votos válidos, um dos percentuais mais altos registrados entre prefeitos eleitos no país naquele pleito.
Nos dois mandatos, saúde e infraestrutura estiveram entre os temas centrais da gestão, incluindo a construção do Hospital Geral Municipal, obra que mais tarde entraria no centro de uma investigação federal. Em 2026, ele chegou à corrida estadual com alta popularidade na capital, segundo o g1.
O afastamento pelo STF e a renúncia ao mandato
Em 4 de março de 2026, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou o afastamento de Furlan e do vice-prefeito Mário Neto por 60 dias. A decisão atendeu a um pedido da Polícia Federal no âmbito da segunda fase da Operação Paroxismo, que apurava suspeita de desvio de recursos federais destinados à construção do Hospital Geral Municipal. No relatório citado pela decisão, a PF apontou indícios de comprometimento da competitividade em uma licitação de cerca de R$ 70 milhões e movimentações bancárias atípicas dos sócios da empresa contratada. Logo depois, Furlan renunciou ao mandato.
A eleição de 2026 e a vitória no primeiro turno
Fora da prefeitura, Furlan trocou o MDB pelo PSD e entrou na disputa pelo governo do Amapá pela coligação "Trabalhar para Transformar o Amapá", formada por PSD, Novo, Podemos e PL. A chapa teve Luciana Gurgel (PL) como candidata a vice-governadora.
No primeiro turno, em 4 de outubro de 2026, ele obteve 62,75% dos votos válidos (281.595 votos), contra 36,97% do governador Clécio Luís (União Brasil), que tentava a reeleição. A disputa opôs os dois últimos prefeitos de Macapá e terminou com a derrota do grupo político do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, principal articulador da candidatura adversária. Em seu primeiro pronunciamento após a vitória, Furlan falou em geração de emprego e em obras de infraestrutura para mudar o cenário do estado. A transição começou nos dias seguintes, com o anúncio dos primeiros integrantes da equipe de governo.
Investigações e disputas judiciais que seguem abertas
A eleição não encerrou os capítulos judiciais da trajetória de Furlan. Três frentes seguem em andamento:
- TRE-AP: em julho de 2026, o Tribunal Regional Eleitoral do Amapá rejeitou, por 4 votos a 2, um pedido de cassação de diploma e de inelegibilidade ligado ao suposto uso da estrutura da prefeitura na campanha de 2024. Furlan foi multado em R$ 50 mil e permaneceu apto a disputar cargos públicos.
- Ministério Público Eleitoral: em 1º de outubro de 2026, o MPE protocolou uma ação no TRE-AP pedindo a cassação do registro de Furlan por suposto abuso de poder político e econômico e uso indevido de meios de comunicação. A assessoria do então candidato afirmou que a ação "requenta fatos já discutidos" na eleição municipal de 2024 e se apoia no relato de uma única testemunha.
- TSE: o registro da candidatura ao governo também é questionado no Tribunal Superior Eleitoral. Em 24 de setembro de 2026, o relator, ministro Dias Toffoli, votou pelo indeferimento; o julgamento foi suspenso por um pedido de vista do ministro André Mendonça e segue pendente. Se o indeferimento se confirmar, os votos atribuídos a Furlan podem ser anulados e uma nova eleição convocada.
No STF, a apuração sobre a obra do Hospital Geral Municipal continua sem decisão final de mérito. Não há condenação definitiva em nenhuma dessas frentes.
Vida pessoal e presença pública
Furlan é casado com Rayssa Furlan, médica e política eleita senadora pelo Amapá em 2026 pelo Podemos. Ela foi primeira-dama de Macapá entre 2021 e 2026 e secretária municipal de Mobilização e Participação Popular. O casal tem sete filhos.
Na internet, o governador eleito mantém perfil no Instagram (@dr.furlan) e no X (@dr_furlan), usados para divulgar agenda, obras e posicionamentos. Formado em medicina e com atuação em política, ele costuma ser tratado pelo apelido profissional, "Dr. Furlan", inclusive nas urnas.
Linha do tempo de Antônio Furlan
- 1973: nasce em San José, na Costa Rica, filho de brasileiros.
- 2010: concorre a deputado estadual pelo PTB e fica como suplente.
- 2013: assume mandato na Assembleia Legislativa do Amapá.
- 2014 e 2018: eleito deputado estadual.
- 2020: eleito prefeito de Macapá no segundo turno.
- 2024: reeleito prefeito com 85,08% dos votos válidos.
- Março de 2026: afastado pelo STF e renuncia ao mandato; filia-se ao PSD.
- Outubro de 2026: eleito governador do Amapá no primeiro turno.

