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Bia Kicis

Bia

Nascimento: 1961 Brasília, DF
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Advogada e procuradora aposentada do Distrito Federal, deputada federal desde 2019 e senadora eleita pelo DF em 2026; antes da política, fundou a Escola Brasileira de Reiki.

Bia Kicis passou 24 anos na Procuradoria-Geral do Distrito Federal antes de se tornar uma das lideranças dos protestos pelo impeachment de Dilma Rousseff e, mais tarde, a primeira mulher a presidir a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. Advogada formada pela Universidade de Brasília, foi eleita deputada federal pelo Distrito Federal em 2018, reeleita em 2022 e, em outubro de 2026, venceu a disputa pelo Senado no DF com 886.616 votos, em mandato que começa em fevereiro de 2027.

Ela nasceu em Resende, no interior do Rio de Janeiro, em 19 de setembro de 1961, e chegou a Brasília ainda criança, quando a família se mudou por causa da carreira do pai, engenheiro militar. A capital foi o cenário de toda a sua vida profissional: nela cursou Direito, construiu a carreira jurídica e entrou na política. Católica, mãe de dois filhos, costuma conciliar a agenda parlamentar no Distrito Federal com a militância conservadora que a tornou conhecida em todo o país.

Da UnB à subprocuradoria do Distrito Federal

Kicis ingressou no curso de Direito da UnB em 1980 e se formou em 1984. Recém-formada, aos 23 anos, começou a trabalhar como advogada no Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro). Em 1992, foi aprovada no concurso para procuradora do Distrito Federal, tomou posse em maio daquele ano e seguiu carreira na advocacia pública: exerceu a chefia de gabinete do procurador-geral em duas ocasiões e ocupou os cargos de procuradora-geral adjunta e corregedora-geral. Aposentou-se em janeiro de 2016 como subprocuradora-geral, pouco mais de um ano antes de trocar a rotina de pareceres jurídicos pelo mandato parlamentar.

A passagem pela Procuradoria deixou uma marca que ela mesma costuma citar em entrevistas: a experiência de quem conhece por dentro o funcionamento da máquina pública do Distrito Federal, conhecimento que passou a usar nos discursos sobre fiscalização de contratos e combate à corrupção.

Reiki, escola própria e os primeiros movimentos

Antes da política, Kicis construiu uma carreira paralela como terapeuta. Em 1998, fundou a Escola Brasileira de Reiki, dedicada à técnica japonesa de imposição das mãos que integra o conjunto de práticas integrativas oferecidas na rede pública de saúde. Mestre na técnica, publicou em 2008 um livro sobre o tema, que circula entre praticantes de reiki no Brasil. Em 2015, fundou o Instituto Resgata Brasil, organização que ganhou projeção com ações judiciais na área ambiental e na fiscalização de contratos públicos.

No mesmo período, entrou para o movimento Revoltados Online, do qual se tornou coordenadora, e ajudou a organizar em Brasília as manifestações que pediam o afastamento da presidente. A atuação nas ruas e nas redes a colocou, em outubro de 2015, diante de sua primeira grande exposição nacional: convocada a depor na CPI dos Crimes Cibernéticos, defendeu o direito de fazer denúncias em publicações e virou uma das vozes mais visíveis do grupo de influenciadores ouvidos pelo colegiado.

A aproximação com Bolsonaro e a eleição de 2018

Segundo a própria deputada, foi por volta de 2014 que ela passou a acompanhar o trabalho de Olavo de Carvalho, cujas ideias diz ter conhecido em vídeos e textos sobre política. A partir daí, aproximou-se de Jair Bolsonaro, de quem se tornou aliada: participou da articulação do encontro entre o então pré-candidato à Presidência e o economista Paulo Guedes, em novembro de 2017, no Rio de Janeiro, e atuou na campanha de 2018 organizando agendas de Guedes com empresários e servidores públicos.

Naquela eleição, disputou a Câmara pelo Partido Republicano Progressista (PRP) e foi eleita com 86.415 votos, a terceira maior votação para deputada federal no Distrito Federal. Com o PRP fora da cláusula de barreira, filiou-se ao PSL em 2019, sigla pela qual presidiu o diretório do DF, cargo do qual foi destituída em outubro daquele ano, no auge da disputa entre aliados de Bolsonaro e o grupo do então presidente nacional do partido.

CCJ, Fiscalização e Controle: os comandos de comissão

No primeiro mandato, ocupou a vice-presidência da Comissão de Constituição e Justiça e a vice-liderança do governo no Congresso Nacional. A indicação para presidir a CCJ, em 2021, enfrentou resistência de deputados e de ministros do Supremo Tribunal Federal por causa da atuação dela no inquérito das notícias falsas. Apesar da pressão, foi eleita em 10 de março daquele ano, com 41 votos e 19 em branco, e se tornou a primeira mulher a comandar a comissão mais importante da Câmara, posição que ocupou até março de 2022. Ela foi a única candidata habilitada, depois de o pedido de candidatura da oposição ser indeferido sob o argumento de que a presidência cabia ao PSL em um acordo entre os líderes partidários.

Reeleita em 2022 com 214.733 votos, a maior votação para o cargo no DF naquela disputa, passou pelo União Brasil e se filiou ao PL. Em 2023, presidiu a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, também como primeira mulher no comando do colegiado que acompanha os gastos da administração federal e analisa relatórios do Tribunal de Contas da União. Entre fevereiro de 2024 e fevereiro de 2025, foi líder da minoria na Câmara.

  • 2019-2023: deputada federal pelo PRP/PSL — eleita com 86.415 votos
  • 2021-2022: presidente da Comissão de Constituição e Justiça — primeira mulher no cargo
  • 2023-2024: presidente da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle
  • 2023-2027: deputada federal reeleita pelo PL — 214.733 votos
  • 2024-2025: líder da minoria na Câmara dos Deputados
  • 2027-2035: mandato de senadora pelo Distrito Federal

Voto impresso, pandemia e investigações

A atuação parlamentar consolidou bandeiras que ela defende desde o ativismo: o voto impresso, o combate ao que chama de censura e o movimento Escola sem Partido. Em 2019, apresentou a PEC 135, que obrigava a impressão de cédulas conferíveis pelos eleitores; o plenário da Câmara rejeitou a proposta em 10 de agosto de 2021, com 229 votos a favor e 218 contrários. Também foi relatora da proposta de emenda que acabou com a perda automática da nacionalidade brasileira pela aquisição de outra nacionalidade, promulgada em outubro de 2023 como a Emenda Constitucional 131.

Durante a pandemia de Covid-19, entrou no grupo de deputados mais citados em levantamentos sobre desinformação: assinou projeto para desobrigar o uso de máscaras e esteve entre os cinco parlamentares com mais interações em publicações desinformativas no Twitter entre março e dezembro de 2020, segundo análise da agência Aos Fatos. Ela contestou a avaliação e afirmou que suas posições se apoiavam em estudos e documentos.

Na esfera judicial, foi um dos alvos do inquérito das notícias falsas no STF e respondeu a uma apuração por suspeita de racismo depois de publicar uma montagem com os rostos de ex-ministros, entre eles Sérgio Moro, pintados de preto. O inquérito foi arquivado em maio de 2022, quando a Procuradoria-Geral da República entendeu que não houve intenção de cometer o crime e pediu o enquadramento como injúria simples. Ela também foi criticada por defender que as Forças Armadas poderiam atuar como poder moderador, tese rejeitada pela Ordem dos Advogados do Brasil e, em 2024, pelo Supremo. Em 2019, recebeu a Ordem de Rio Branco no grau de grande oficial.

O desempenho nas urnas no Distrito Federal

No Distrito Federal, a votação de Kicis cresceu a cada eleição, até se tornar um dos principais nomes do campo conservador na capital. Em 2018, teve 86.415 votos, 6% dos válidos; em 2022, 214.733, 13,32%; e, em 2026, ao disputar o Senado pela chapa de PL e partidos aliados, conquistou 886.616 votos, 27,44% dos válidos. Ficou atrás apenas da também eleita Michelle Bolsonaro, sua colega de partido, que liderou a disputa no DF. Os suplentes de sua vaga são Samuel Kicis de Sordi e Renato Figueiredo. Entre 2023 e 2026, ela recebeu o Prêmio Excelência Parlamentar, concedido pelo Ranking dos Políticos.

Canal no YouTube, coluna e livro

Fora do Congresso, Bia Kicis mantém canais próprios de comunicação com o eleitorado. No canal que mantém no YouTube, que se apresenta com a frase "sem medo de defender sua liberdade", publica pronunciamentos, entrevistas, cortes de participações na mídia e registros da agenda política em Brasília. Desde julho de 2020, assina no portal Pleno.News a coluna Pauta Brasil, com textos de opinião sobre política nacional, segurança pública e temas de costumes — entre os títulos publicados estão "Precisamos falar sobre aborto" e "Quando a lei é ignorada, instaura-se a barbárie". O livro sobre reiki lançado em 2008 antecede toda essa produção e segue como a obra mais citada de sua fase anterior à política.

A posse no Senado em 2027

Com o mandato na Câmara em fase final, Kicis se prepara para estrear no Senado Federal, onde ocupará uma das três cadeiras do Distrito Federal a partir de 1º de fevereiro de 2027, com mandato de oito anos. A experiência de duas legislaturas na Câmara, a passagem pelas presidências da CCJ e da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle e a base eleitoral construída no DF são os ativos que ela leva para a nova casa. Até lá, segue dividindo a rotina entre o plenário, os canais digitais e a coluna de opinião.

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