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Boris Casoy

Nascimento: 1941 São Paulo, SP
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Jornalista e apresentador há mais de seis décadas, foi o primeiro âncora do telejornalismo brasileiro, no TJ Brasil, e hoje comanda o Jornal do Boris, no SBT News.

Em julho de 1988, ao estrear na bancada do TJ Brasil, do SBT, Boris Casoy fez algo inédito na televisão brasileira: deu opinião no ar. A escolha inaugurou o modelo de âncora que comenta e analisa as notícias junto com o público, rendeu bordões como "Isto é uma vergonha!" e ajudou a transformar a forma de acompanhar a cobertura política no país. O jornalista paulistano, nascido em 13 de fevereiro de 1941, atravessou mais de seis décadas de imprensa e, aos 85 anos, continua no ar: desde 2026 é comentarista de política do SBT News, onde também apresenta o Jornal do Boris.

Antes de se tornar o primeiro âncora do telejornalismo brasileiro, Casoy passou por rádios esportivas, pelo governo de São Paulo e pela redação da Folha de S.Paulo, onde chegou a diretor de redação. A trajetória dele ajuda a entender por que a figura do âncora — o profissional que não apenas lê as notícias, mas as interpreta — se consolidou na TV aberta do país.

Da rádio à direção de redação da Folha de S.Paulo

Boris Casoy nasceu na cidade de São Paulo, filho de imigrantes judeus vindos da Ucrânia que chegaram ao Brasil em 1928. Na infância, teve poliomielite e passou por uma cirurgia nos Estados Unidos que lhe devolveu os movimentos. Foi nesse período, segundo relatos do próprio jornalista, que o rádio se tornou seu companheiro diário — e o primeiro ofício veio por ali.

Aos 15 anos, em 1956, começou a trabalhar no Plantão Esportivo da Rádio Piratininga. Passou depois pela Rádio Difusora Hora Certa, de Santo Amaro, e entre 1963 e 1968 foi locutor da Rádio Eldorado, em São Paulo.

Entre 1968 e 1972, trabalhou em funções ligadas à comunicação no poder público: foi secretário de Imprensa de Herbert Levy, então secretário da Agricultura de São Paulo; assessor de Imprensa do ministro da Agricultura do governo Médici; e secretário de Imprensa do prefeito da capital paulista. Desiludido com o meio político, aceitou o convite de Caio Alcântara Machado para trabalhar na Alcântara Machado Feiras até chegar, em 1974, à Folha de S.Paulo.

Na Folha, começou como editor de política e foi promovido a editor-chefe três meses depois. Ficou no jornal até junho de 1976, quando saiu para dirigir a Escola de Comunicação e o setor cultural da FAAP. Voltou em 1977 para escrever a coluna "Painel", sobre bastidores políticos, e em setembro do mesmo ano assumiu a direção de redação do jornal aos 36 anos — cargo que ocupou até 1984.

O primeiro âncora a opinar na TV brasileira

Foi em julho de 1988, convidado pelo SBT, que Casoy deixou a Folha para apresentar o TJ Brasil. À frente do telejornal, tornou-se o primeiro âncora da TV brasileira no sentido completo do termo: além de apresentar, opinava, analisava e entrevistava ao vivo, inspirado nos âncoras norte-americanos.

O estilo rendeu popularidade e prêmios. O TJ Brasil e o próprio Casoy venceram o Troféu Imprensa em diversas edições, com Silvio Santos entregando as estatuetas. Em 1989, mediou o Debate 89 entre Fernando Collor e Lula, no segundo turno da eleição presidencial, transmitido em pool pela Globo, Band, SBT e Manchete. Em 1993, foi admitido pelo presidente Itamar Franco na Ordem do Mérito Militar, no grau de Oficial especial.

Bordões como "Isto é uma vergonha!" e "É preciso passar o Brasil a limpo" viraram marca registrada — o primeiro deles cunhado nas coberturas do impeachment de Fernando Collor. O formato atravessou o TJ Brasil até 1997, quando o jornalista deixou o SBT para assumir o telejornalismo da Record.

Record, Band e RedeTV!: bancadas de várias emissoras

Na Record, Casoy ancorou o Jornal da Record de 1997 a 2005 e comandou programas como Passando a Limpo e Testemunha da História. A saída da emissora, em dezembro de 2005, virou tema de entrevistas nas quais o jornalista afirmou ter sido demitido por pressões políticas — versão contestada pela emissora.

Depois de uma passagem curta pela TV JB, em 2007, assinou com a Band, onde ficou de 2008 a 2016 como âncora do Jornal da Noite e apresentador do Canal Livre, programa de entrevistas. Em seguida, assumiu o RedeTV! News, onde permaneceu até ser demitido em setembro de 2020.

No mesmo ano, decidiu criar o próprio telejornal, o Jornal do Boris, transmitido ao vivo pela internet — uma virada de página em uma carreira construída em emissoras de TV aberta.

Jornal do Boris e o retorno ao SBT

O programa estreou no fim de outubro de 2020 no YouTube e no Facebook, com transmissão diária às 8 da manhã, e também foi exibido pela TV Gazeta entre o fim de 2020 e dezembro de 2021. Em 2021, o jornalista foi anunciado como contratado da rádio Massa FM, onde apresentou o programa "Fala aí, Boris... Pra Massa". Em dezembro do mesmo ano, foi anunciado como comentarista da CNN Brasil, integrando o quadro Liberdade de Opinião, do CNN Novo Dia, com estreia em janeiro de 2022.

Em setembro de 2025, recebeu o Troféu Imprensa Pela Sua História, entregue no palco do Programa Silvio Santos por Patrícia Abravanel. Em fevereiro de 2026, acertou o retorno ao SBT depois de quase três décadas: passou a atuar como comentarista de política do SBT News, canal de notícias do Grupo Silvio Santos, com o Jornal do Boris também transmitido no canal do SBT News no YouTube.

Sobre a volta à casa onde iniciou no telejornalismo, disse ao SBT News: "Imagino que vou encerrar a minha carreira dentro do SBT e informo que ainda tenho muita lenha para queimar." À Folha de S.Paulo, resumiu a disposição de continuar trabalhando: "Quero morrer em frente a uma câmera."

  • 1956: aos 15 anos, inicia a carreira em rádios de São Paulo;
  • 1974–1984: atua na Folha de S.Paulo, onde chega a editor-chefe e depois a diretor de redação;
  • 1988–1997: ancora o TJ Brasil, no SBT, e inaugura a figura do âncora que opina;
  • 1997–2005: comanda o Jornal da Record;
  • 2008–2016: ancora o Jornal da Noite e apresenta o Canal Livre, na Band;
  • 2016–2020: apresenta o RedeTV! News;
  • 2020: lança o Jornal do Boris, na internet;
  • 2026: retorna ao SBT como comentarista de política do SBT News.

Bordões, prêmios e controvérsias

Casoy construiu uma reputação ligada à linguagem direta e à disposição de emitir juízo no ar — traço que também lhe rendeu episódios polêmicos. Em um debate da TV Globo com candidatos à prefeitura de São Paulo, em novembro de 1985, perguntou a Fernando Henrique Cardoso se ele acreditava em Deus; a pergunta, fora do combinado, foi apontada como um dos fatores da derrota do candidato para Jânio Quadros.

Em 1968, a revista O Cruzeiro o apontou como integrante do Comando de Caça aos Comunistas (CCC), acusação que ele sempre negou. Quatro décadas depois, o autor da reportagem admitiu que os nomes foram publicados sem confirmação, e o blogueiro Paulo Henrique Amorim, que repetiu a acusação em 2010, foi obrigado a publicar retratação.

Já no fim de 2009, um áudio vazado durante o intervalo do Jornal da Band flagrou um comentário jocoso de Casoy sobre dois garis que desejavam feliz Ano-Novo aos telespectadores. O jornalista se retratou no ar no dia seguinte, mas o caso gerou ações judiciais em vários estados e condenações por dano moral confirmadas em segunda instância.

O estilo combativo também marcou o atrito com o Partido dos Trabalhadores nos anos 2000, que ele associou à sua demissão da Record em 2005 — versão contestada pela emissora. No ar ou fora dele, o jornalista segue defendendo a mesma tese que o tornou conhecido: a de que o âncora deve dizer o que pensa.

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