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Bruno Engler

Nascimento: 1997 Belo Horizonte, MG
Deputado estadual por Minas Gerais pelo PL, coordena o Movimento Direita Minas e foi candidato à Prefeitura de Belo Horizonte em 2020 e 2024.

Bruno Engler chegou à Assembleia Legislativa de Minas Gerais em fevereiro de 2019, aos 21 anos, como o deputado mais jovem eleito para a 19ª legislatura. Naquele momento, era um recém-formado em Direito que havia feito sua primeira disputa eleitoral três anos antes, sem sucesso. Em outubro de 2026, voltou às urnas e conquistou o terceiro mandato com 675.940 votos, o equivalente a 5,98% dos votos válidos no estado. A trajetória entre os dois momentos ajuda a entender por que ele se tornou uma das figuras mais identificadas com a direita conservadora em Minas Gerais.

Além do mandato parlamentar, Engler coordena o Movimento Direita Minas, estrutura que ajudou a fundar em 2016 e que mantém núcleos na região metropolitana de Belo Horizonte e em mais de 60 cidades mineiras. Também lidera a bancada do PL na Assembleia, posição que ocupa em um momento de reorganização do partido no estado. A atuação legislativa, a militância organizada e as duas candidaturas à Prefeitura de Belo Horizonte ajudam a entender o espaço que ele ocupa no debate político mineiro.

De Curitiba a Belo Horizonte: origem e entrada na política

Bruno de Castro Engler Florencio de Almeida nasceu em Curitiba, no Paraná, em 17 de junho de 1997. Filho de uma professora universitária e de um administrador, mudou-se para São Paulo antes de completar um ano e viveu na capital paulista até os 9 anos, quando a família se transferiu para Belo Horizonte. Na capital mineira, estudou nos colégios Marista Dom Silvério e Santo Antônio e concluiu o ensino médio no Colégio Sagrado Coração de Maria. Depois, formou-se bacharel em Direito.

Em entrevista ao jornal O Tempo em 2024, contou que despertou para a política aos 17 anos, durante a eleição presidencial de 2014, e que se identificou com o campo conservador a partir daquele momento. A militância ganhou forma em 2016, quando participou da criação do Direita Minas, movimento dedicado à retomada cultural e à promoção de valores conservadores no estado. No mesmo ano, fez sua estreia eleitoral: candidatou-se a vereador de Belo Horizonte pelo PSC e recebeu 2.247 votos, insuficientes para se eleger.

A eleição de 2018 e a ascensão na Assembleia

Dois anos depois, veio a primeira eleição vitoriosa. Em 2018, durante a ascensão do bolsonarismo, Engler disputou uma vaga de deputado estadual pelo PSL e foi eleito com 120.252 votos, o terceiro melhor desempenho daquela eleição em Minas. Aos 21 anos, tornou-se o parlamentar mais jovem da 19ª legislatura, segundo a Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Ele assumiu o mandato em 1º de fevereiro de 2019.

Na primeira legislatura, foi vice-presidente da Comissão Extraordinária das Privatizações e integrou as comissões de Constituição e Justiça e de Segurança Pública. Em 2022, filiado ao PL, foi reeleito com 637.412 votos, então o maior número já obtido por um deputado estadual na história de Minas, segundo o O Tempo. Na legislatura seguinte, tornou-se vice-presidente da Comissão de Constituição e Justiça, entre 2023 e 2025, e passou a liderar a bancada do PL. Também integra as comissões de Segurança Pública e de Ética e Decoro Parlamentar, além de frentes parlamentares ligadas à família, ao conservadorismo, à segurança e ao agronegócio.

Em 2026, a votação subiu novamente: 675.940 votos, 5,98% dos válidos, e o terceiro mandato consecutivo, com posse prevista para fevereiro de 2027. O resultado confirmou a capacidade de Engler de mobilizar eleitores em um estado onde o PL ampliou sua bancada.

As duas disputas pela Prefeitura de Belo Horizonte

A primeira candidatura ao Executivo municipal veio em 2020, pelo PRTB. Engler recebeu 123.215 votos, 9,95% do total, e terminou em segundo lugar; Alexandre Kalil venceu no primeiro turno. A campanha ficou marcada pela defesa da reabertura do comércio durante a pandemia de covid-19, pela proposta de implantação de escolas cívico-militares e pelo combate ao que o candidato chamava de ideologia de gênero. Ele também criticou o distanciamento social e defendeu o uso de cloroquina, posição que acompanhava o governo de Jair Bolsonaro na época.

Em 2024, voltou a disputar a prefeitura, agora pelo PL e com a coronel reformada da Polícia Militar Cláudia Romualdo como vice. Teve 435.853 votos no primeiro turno, 34,38% dos válidos, e avançou para a segunda etapa. No segundo turno, recebeu 577.537 votos, 46,27%, e foi derrotado por Fuad Noman. Durante a campanha, apresentou-se como o gordinho do Bolsonaro, expressão que o próprio Jair Bolsonaro já havia usado para se referir a ele.

O que Bruno Engler defende na Assembleia

O discurso de Engler combina pautas culturais e de segurança. Ele defende a retomada cultural, a valorização dos agentes de segurança, a militarização de escolas públicas com problemas de disciplina e baixo desempenho e o combate ao que classifica como ideologia de gênero, inversão de valores e doutrinação nas escolas. Também afirma que atua contra privilégios de políticos. Essas bandeiras aparecem tanto em pronunciamentos quanto em proposições apresentadas na Assembleia.

Entre os projetos mais recentes, estão a PEC 68/2026, que acrescenta dispositivos à Constituição estadual para dispor sobre o Programa de Escolas Cívico-Militares e assegurar dotação orçamentária específica; a PEC 67/2026, que inclui a garantia de funcionamento das instituições de ensino privadas e comunitárias confessionais entre os princípios da educação no estado; o PL 4.820/2025, que concede isenção fiscal a instituições de ensino privadas que mantenham profissionais especializados no atendimento a alunos com transtorno do espectro autista, aprovado em segundo turno em 2026; e o PL 5.779/2026, que propõe cooperação institucional com autoridades dos Estados Unidos e organismos internacionais no combate às organizações criminosas PCC e Comando Vermelho.

  • 2016: 2.247 votos para vereador de Belo Horizonte pelo PSC; não eleito.
  • 2018: 120.252 votos para deputado estadual pelo PSL; eleito, terceiro mais votado.
  • 2020: 123.215 votos para prefeito de Belo Horizonte pelo PRTB; segundo lugar.
  • 2022: 637.412 votos para deputado estadual pelo PL; reeleito.
  • 2024: 577.537 votos no segundo turno para prefeito de Belo Horizonte pelo PL; segundo lugar.
  • 2026: 675.940 votos para deputado estadual pelo PL; reeleito para o terceiro mandato.

A relação com Nikolas Ferreira e Cleitinho Azevedo

A trajetória de Engler se cruzou com a de outros nomes que ganharam projeção nacional. Em 2020, ele foi responsável por lançar a candidatura de Nikolas Ferreira à Câmara Municipal de Belo Horizonte. Nikolas se elegeu vereador com uma votação recorde e, dois anos depois, tornou-se um dos deputados federais mais votados do país.

Outro nome ligado a Engler é o senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos. Cleitinho já declarou publicamente que não estaria no Congresso Nacional nem teria conhecido Jair Bolsonaro se não fosse por Engler, segundo o Estado de Minas. A relação mostra como o deputado atuou como articulador de candidaturas além do próprio mandato.

Controvérsias públicas

A trajetória de Engler também inclui episódios ligados ao debate sobre desinformação e à relação com a imprensa. Em 2019, uma assessora de seu gabinete, Fernanda Salles, produziu e circulou uma notícia falsa que atribuía à jornalista Constança Rezende, de O Estado de S. Paulo, uma frase sobre as investigações envolvendo Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz. Segundo reportagem da Exame, Engler afirmou publicamente não ver problema na conduta. O caso foi noticiado pelo Correio Braziliense e por outros veículos.

Em 2020, a Revista Época revelou que um policial militar lotado no gabinete de Engler foi o primeiro responsável por divulgar um vídeo com falas polêmicas do youtuber Felipe Neto. Engler negou que o conteúdo fosse de autoria do assessor e afirmou que se tratava de trechos de vídeos do próprio youtuber. Felipe Neto disse que processaria o deputado. Em seu mandato, Engler também apresentou um projeto de lei para obrigar prestadoras de saúde a fornecer o chamado kit Covid, conjunto de medicamentos sem eficácia comprovada contra a doença; o texto era idêntico a outro projeto apresentado na Assembleia do Rio de Janeiro, segundo a UOL.

Esses episódios não resumem o mandato, mas ajudam a entender a polarização que acompanha a figura pública de Engler e o tipo de oposição que ele enfrenta na imprensa e em parte da sociedade civil.

Como acompanhar o mandato

O perfil oficial de Engler na Assembleia Legislativa de Minas Gerais reúne sua biografia, as comissões de que participa, os pronunciamentos e os projetos apresentados. É a fonte mais direta para acompanhar a atividade parlamentar. Nas redes sociais, ele mantém perfis no Instagram, Facebook, TikTok e YouTube, usados para divulgar agenda, posições e materiais de campanha.

Para quem acompanha a política mineira, Bruno Engler é uma figura que combina juventude, longevidade eleitoral e forte identidade ideológica. Sua trajetória ajuda a explicar a consolidação do campo conservador em Minas Gerais e a renovação do PL no estado, além de oferecer pistas sobre como o bolsonarismo se reorganizou após as eleições de 2022 e 2024.

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