Na primeira eleição que disputou, em 4 de outubro de 2026, Bruno Scheid (PL) recebeu 474.226 votos e ficou com a segunda das duas vagas de Rondônia no Senado. Antes de chegar à urna, o pecuarista de Ji-Paraná se tornou uma ponte entre o agronegócio rondoniense e o bolsonarismo: criou uma rede de produtores rurais em grupos de WhatsApp e se aproximou de Jair Bolsonaro a ponto de estar entre os primeiros autorizados a visitá-lo na prisão, em janeiro de 2026.
Vice-presidente do PL em Rondônia e administrador de formação, Scheid assume o mandato de oito anos em 1º de fevereiro de 2027. A lealdade declarada ao ex-presidente virou o eixo da campanha — do sobrenome que ele tentou levar para a urna, e a Justiça Eleitoral barrou, ao slogan "o senador do Bolsonaro".
Da infância no Pará à pecuária em Ji-Paraná
Bruno Scheid nasceu em 13 de abril de 1983, em Paragominas, no interior do Pará, e ainda criança se mudou com a família para Rondônia. Cresceu no bairro Caladinho, na zona sul de Porto Velho, onde trabalhou em lavoura de arroz e no manejo de gado antes de se fixar em Ji-Paraná, município onde construiu a vida na pecuária.
No registro da candidatura ao Senado, declarou a profissão de administrador e patrimônio de R$ 1.125.641,24. Antes da política, sua rotina era a de produtor rural — e foi essa base que deu origem à rede que o projetaria nacionalmente.
A rede G-Agro e a entrada na política nacional
O capítulo decisivo da biografia de Scheid começou longe dos partidos. Ele fundou o G-Agro, rede de grupos de WhatsApp que reúne produtores rurais para discutir agronegócio e política. Em 2021, a rede mobilizou doações para o Pátria Voluntária, programa social da então primeira-dama Michelle Bolsonaro, e a partir dali o pecuarista passou a circular no núcleo político do governo.
Segundo reportagem da Gazeta do Povo, Scheid esteve ao menos 11 vezes no Palácio do Planalto a partir de setembro de 2021. Em 2022, foi apontado como um dos principais articuladores de pedidos de doação no setor agropecuário para a campanha de reeleição de Jair Bolsonaro, falando em nome do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e do senador Flávio Bolsonaro. Naquele período, viajou ao menos uma vez no avião presidencial, conforme noticiou o Estadão.
Com o nome em evidência, Scheid ganhou espaço na estrutura partidária e chegou à vice-presidência do PL em Rondônia. Em 2022, foi apresentado como pré-candidato a deputado federal, mas a candidatura não avançou — a primeira disputa eleitoral ficaria para 2026.
A relação com Bolsonaro dentro e fora da prisão
Depois das eleições de 2022, a proximidade entre os dois aumentou. Scheid passou a acompanhar Bolsonaro em viagens pelo país — em fevereiro de 2025, foi fotografado ao lado dele no desembarque em Pernambuco. Quando o ex-presidente cumpria prisão domiciliar, a defesa dele pediu ao Supremo Tribunal Federal que autorizasse o pecuarista a fazer visitas regulares, citando a "estreita relação de amizade" com a família e o papel que ele teria nos cuidados com a saúde de Bolsonaro.
Bolsonaro foi preso em novembro de 2025 para cumprir pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado. Transferido para a Papudinha, no complexo penitenciário da Papuda, em Brasília, em janeiro de 2026, ele recebeu uma primeira lista de visitantes autorizados pelo ministro Alexandre de Moraes, além da família: o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o irmão de Michelle, Diego Torres Dourado, e Bruno Scheid. Em março, uma nova decisão de Moraes colocou o pecuarista no topo do cronograma de visitas de abril.
A campanha ao Senado em 2026 e o veto ao nome
O PL lançou Scheid ao Senado em um evento em Ji-Paraná, em março de 2026, com a presença de Flávio Bolsonaro. A candidatura foi oficializada pela coligação Juntos por Rondônia, que reuniu PL, Podemos, Democracia Cristã, Novo e Mobiliza. O número na urna era 222, e os suplentes eram Guilherme Teodoro e Dilceu Fernandes, ambos do PL.
Durante a campanha, ele se apresentou como Bruno Bolsonaro Scheid. O Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia deferiu a candidatura em 8 de setembro, mas determinou que o nome exibido na urna fosse apenas Bruno Scheid, por entender que o sobrenome, ausente do nome civil, poderia sugerir parentesco com o ex-presidente. O Tribunal Superior Eleitoral manteve o veto, e a campanha classificou as decisões como censura. Na propaganda, restou a identificação "o senador do Bolsonaro".
A campanha não usou dinheiro do fundo eleitoral nem do fundo partidário: foi bancada por doações de pessoas físicas, com cerca de R$ 2,86 milhões arrecadados, segundo as prestações de contas parciais entregues ao TSE. Quatro doadores responderam por 95,5% do total. Em 4 de outubro de 2026, com 474.226 votos, Scheid garantiu uma das duas vagas de Rondônia — a outra ficou com Fernando Máximo, também do PL e o mais votado do estado.
O que Bruno Scheid defende para o mandato
Nas declarações após a eleição e nas bandeiras que apresentou durante a campanha, o senador eleito tem repetido um conjunto de prioridades:
- fortalecer o agronegócio, com segurança jurídica para quem investe e crédito para o pequeno produtor;
- industrializar Rondônia, para que a produção do estado não saia apenas como matéria-prima;
- melhorar infraestrutura e logística, com atenção a rodovias como a BR-364 e às estradas vicinais;
- atuar pela soltura de Jair Bolsonaro e dos presos pelos ataques de 8 de janeiro de 2023;
- defender uma economia forte, a equiparação entre os Poderes e pautas ligadas à família e à fé.
O senador eleito afirmou que quer representar o anseio do povo de Rondônia no Senado e citou como prioridades tirar Bolsonaro da prisão, defender a libertação dos presos de 8 de janeiro de 2023 e fortalecer a economia e as empresas do país.
Canais oficiais e presença digital
Scheid comunica a agenda e as posições políticas principalmente pelas próprias redes sociais. No Instagram, mantém o perfil @brunoscheid, onde publica encontros com apoiadores, visitas a municípios e conteúdos de campanha. A página no Facebook segue o mesmo formato, e o canal no YouTube reúne os vídeos da candidatura e as falas públicas do senador eleito. O site oficial da campanha, brunoscheid222.com, concentra as propostas e os materiais de divulgação.
Quem quiser acompanhar outros nomes da política e do agro encontra perfis relacionados nas páginas de tags do site.


