Bussunda é o apelido que Cláudio Besserman Vianna levou da adolescência para a televisão e transformou em uma das assinaturas mais reconhecidas do humor brasileiro. Nascido no Rio de Janeiro em 1962, ele começou a escrever piadas em um jornal mimeografado feito por amigos na faculdade, a Casseta Popular, e morreu em 2006, na Alemanha, enquanto cobria a Copa do Mundo para o Casseta & Planeta, Urgente! — programa que ajudou a criar e no qual atuou por 14 anos.
A trajetória dele mistura redação e palco, jornalismo e deboche, futebol e dublagem. Antes de ficar conhecido em todo o país, assinou colunas esportivas, editou revista de humor e escreveu para programas de TV. Depois da fama, deu voz ao Shrek nas duas primeiras animações da série e transformou figuras como Lula, Ronaldo e Maradona em personagens que continuam sendo lembrados.
Quem foi Bussunda
Cláudio Besserman Vianna nasceu no Rio de Janeiro, filho do cirurgião Luís Guilherme Vianna e da psicanalista Helena Besserman Vianna. Cresceu em uma casa onde política e cultura faziam parte da rotina. Os irmãos seguiram carreiras distintas — Marcos se tornou médico e pesquisador da Fiocruz, e Sérgio Besserman Vianna, economista, presidiu o IBGE —, enquanto o caçula ficou com o humor.
O apelido surgiu em uma colônia de férias, quando os colegas o chamavam de "Besserman Sujismundo" por causa da pouca vontade de tomar banho. O nome encolheu para "Bessermundo" e depois para "Bussunda". Ele mesmo contava outra versão da história, brincando que o apelido juntava "as duas coisas que eu mais gosto".
Bussunda militou no PCB dos 13 aos 18 anos, por influência dos pais, e em 1981 entrou no curso de comunicação social da UFRJ. Foi na universidade que conheceu Angélica Nascimento, com quem se casou em 1989 e teve a filha Júlia, em 1993. Não se formou: deixou o curso em 1985 para trabalhar com humor.
Como nasceu o Casseta & Planeta
A carreira começou em 1980, quando ele passou a colaborar com a Casseta Popular, jornal de humor criado por Marcelo Madureira, Beto Silva e Hélio de la Peña. O título debochava do movimento estudantil e ganhou força nos anos 1980 ao misturar piada escrachada com crítica política. Em 1983, o grupo passou a colaborar com o Planeta Diário, de Hubert, Reinaldo e Cláudio Paiva, e da união nasceu, em 1984, a Editora Toviassú.
Em 1988, os humoristas foram convidados a integrar a redação do TV Pirata, na TV Globo. Depois vieram Dóris para Maiores, em 1991, e, em abril de 1992, o Casseta & Planeta, Urgente!, que ficou no ar até 2010 e teve Bussunda como redator e ator durante 14 anos. Com o grupo, ele ainda lançou discos, como Preto com um Buraco no Meio (1989) e Para Comer Alguém (1994), e participou de shows e turnês.
Personagens e imitações que marcaram
No programa, Bussunda criou tipos que viraram parte do vocabulário do humor brasileiro:
- Montanha — halterofilista inseparável de Carlos Maçaranduba, personagem de Cláudio Manoel;
- Marrentinho Carioca — jogador do Tabajara Futebol Clube, dono do bordão "ih, fala sério, aí!";
- Ulson Montanha — melhor amigo de Carlos Maçaranduba;
- Seringueiro — personagem que reclamava de ser sempre a mesma piada;
- Wladimir — protagonista do filme Casseta & Planeta: A Taça do Mundo É Nossa (2003).
Nas paródias de gente real, ele ficou marcado pela imitação de Lula, além das caricaturas do jogador Ronaldo, de Maradona, da atriz Vera Fischer, do cantor Tim Maia e do apresentador Sérgio Chapelin. O próprio humorista resumia o ofício em uma frase: "o limite do humor é o limite do nosso bom senso".
Bussunda e o futebol
Torcedor do Flamengo, Bussunda levou o futebol para dentro da carreira. Assinou colunas esportivas em O Dia (1989 a 1999), na revista Placar (1995 a 1998) e no Lance! (2001 a 2006), além de ter passado pelo caderno Zap!, do O Estado de S. Paulo. Participou das coberturas da Globo nas Copas de 1994, 1998, 2002 e 2006 e escreveu o livro Bussunda na Copa, lançado pela Record em 1994, depois do tetracampeonato.
Shrek: a voz do ogro no Brasil
Em 2001, Bussunda foi escalado para dublar o protagonista de Shrek na versão brasileira. A escolha repetiu-se na continuação, Shrek 2, de 2004, e rendeu uma das associações mais duradouras entre um ator e um personagem no país. Depois da morte dele, o dublador Mauro Ramos assumiu a voz do ogro nos filmes seguintes.
A morte durante a Copa de 2006
Em 16 de junho de 2006, durante a cobertura da Copa do Mundo na Alemanha, Bussunda jogou futebol com hóspedes do hotel e passou mal. Hipertenso, ele teria esquecido os remédios no Brasil e evitou procurar atendimento para não perder a partida da seleção no dia seguinte. Morreu na manhã de 17 de junho de 2006, em Vaterstetten, na Baviera, a oito dias de completar 44 anos.
O velório foi realizado no Ginásio Hélio Maurício, na sede do Flamengo, clube que decretou luto oficial de três dias. O sepultamento aconteceu no Cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro. Na mesma noite, o Jornal Nacional exibiu as últimas gravações feitas por ele.
Legado, homenagens e obras
Três dias depois da morte, o Casseta & Planeta, Urgente! foi ao ar com um programa em homenagem ao humorista e bateu recorde de audiência. Em 2007, a principal avenida da Vila do Pan, no Rio de Janeiro, recebeu o nome de Cláudio Besserman Vianna. Em 2016, dez anos após a morte, ex-colegas e ex-jogadores do Flamengo organizaram uma partida em memória dele.
Em maio de 2010, o jornalista Guilherme Fiuza publicou Bussunda: A Vida do Casseta, biografia que também reconstitui a formação do grupo. Em junho de 2021, o Globoplay lançou a minissérie documental Meu Amigo Bussunda, dirigida por Cláudio Manoel, Micael Langer e Júlia Besserman, filha do humorista. Quem quiser conhecer a trajetória em detalhes pode consultar o perfil mantido pelo Memória Globo, com depoimentos e trechos de programas.
Por que Bussunda ainda é lembrado
No Casseta & Planeta, Urgente!, Bussunda praticava um humor que tratava política, esporte e comportamento com a mesma linguagem da notícia. O grupo resumia a fórmula no slogan "jornalismo mentira, humorismo verdade", que orientou o programa desde a estreia, em abril de 1992. Era um tipo de piada que dependia de texto, repertório e leitura diária do noticiário, e que hoje pode ser revista em vídeos, nos livros do grupo e nas produções sobre a trajetória dele.
Para quem chega agora à obra dele, um roteiro simples combina leitura, vídeo e documentário:
- Bussunda na Copa — livro de 1994 em que ele comenta, do próprio jeito, a campanha do tetracampeonato;
- Bussunda: A Vida do Casseta — biografia de Guilherme Fiuza, publicada em 2010;
- Meu Amigo Bussunda — minissérie documental do Globoplay, de 2021, com material de arquivo e depoimentos.




