Carlos Jordy foi eleito senador pelo Rio de Janeiro em outubro de 2026, com 24,56% dos votos válidos, na mesma eleição que levou Carlos Portinho à outra vaga em disputa. O mandato começa em 2027 e ocupa a cadeira deixada por Flávio Bolsonaro, que não tentou a reeleição para disputar a Presidência da República. Antes disso, Jordy construiu uma trajetória que começou longe da política partidária: servidor público concursado, passou por orçamento municipal e licitações antes de chegar à Câmara dos Deputados, em 2019.
Nascido em Niterói, no bairro do Ingá, ele passou a infância e o início da adolescência na cidade e se formou em Turismo e Hotelaria pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali), em Santa Catarina. A carreira pública veio antes dos mandatos: em 2011, foi aprovado em 10º lugar no concurso de Analista de Planejamento e Orçamento da Prefeitura de São Gonçalo, onde trabalhou na elaboração do Plano Plurianual, da Lei de Diretrizes Orçamentárias e da Lei Orçamentária Anual, chegando a diretor de Divisão de Planejamento e Elaboração Orçamentária. Participou ainda das audiências públicas da Comissão de Orçamento na Câmara Municipal de São Gonçalo, nas votações da LOA, da LDO e do PPA. Depois vieram a aprovação para escrivão da Polícia Federal, com passagem pela Academia Nacional de Polícia, e o cargo de analista na área de licitações e contratos da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ). Em 2014, foi o primeiro colocado do processo seletivo de pós-graduação em Gestão Pública Municipal da Escola de Contas e Gestão do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro.
Como Carlos Jordy entrou na política
A estreia eleitoral foi em 2016, quando se elegeu vereador de Niterói pelo PSC com 2.388 votos, apoiado por Jair, Flávio e Eduardo Bolsonaro. Na Câmara Municipal, presidiu a Comissão de Educação e foi vice-presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico. O mandato ficou marcado pela fiscalização do Executivo municipal, por requerimentos de informação e por embates públicos em torno de temas como liberdade econômica e o papel das escolas, incluindo um episódio envolvendo banheiros da Universidade Federal Fluminense que gerou moção de repúdio do sindicato de professores da instituição.
Em 2018, já no PSL, foi eleito deputado federal com 204.048 votos — o quarto candidato mais votado do Rio de Janeiro. Nos primeiros anos de mandato, foi vice-líder do governo Bolsonaro e participou da CPMI das Fake News. A reeleição veio em 2022, com 114.587 votos, pelo PL, partido ao qual se filiou junto com outros aliados do ex-presidente. Foi nesse segundo mandato que ele passou a assinar como um dos nomes de maior visibilidade da oposição na Câmara, papel que o levou à liderança do bloco.
Liderança da oposição e atuação na Câmara
Nos anos seguintes, Jordy ganhou espaço entre os nomes de maior visibilidade da oposição. Foi líder da oposição ao governo Lula em 2023 e 2024 e, em 2025, vice-líder da minoria, com assento na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle e na Comissão de Minas e Energia. Nesse período, participou dos debates da CPMI do INSS e protocolou o requerimento que pediu a criação da CPMI para investigar fraudes envolvendo o Banco Master.
Na pauta legislativa, o mandato se organiza em torno de segurança pública, controle do gasto público e pautas conservadoras. Entre os textos que apresenta como prioridade estão:
- Lei 15.407/26, que destina assassinos de policiais e de outros agentes de segurança pública — e, na forma tentada, seus autores — ao sistema prisional federal;
- PLC 90/2026, que busca blindar igrejas e templos da cobrança de IPTU, IPVA, ITBI, ISS e Imposto de Renda;
- PL 1.845/2025, aprovado pela Câmara, que proíbe a cobrança de tarifa mínima de água e esgoto e obriga a cobrança proporcional ao consumo real;
- relatoria do PL 3835/2024, que criminaliza o uso de drones por facções criminosas e endurece penas para ataques com explosivos.
Niterói, emendas e presença no estado do Rio
O vínculo com Niterói segue explícito na trajetória: em 2024, Jordy disputou a prefeitura da cidade e perdeu o segundo turno com 42,80% dos votos. Nas emendas parlamentares, direcionou recursos para saúde, segurança, educação, infraestrutura e esporte em municípios fluminenses como São Gonçalo, Nova Friburgo, Resende, Rio Bonito, Búzios, Teresópolis, Magé, Duque de Caxias e a capital. Entre os repasses citados em seu site oficial estão R$ 1 milhão para uma unidade de atendimento a pessoas com transtorno do espectro autista em Niterói e o apoio a campeonatos de boxe realizados no Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes (CEFAN), na Marinha.
Redes sociais, comunicação e reconhecimento
A comunicação direta é uma marca do mandato. Jordy mantém presença ativa no YouTube, no Instagram, no X, no Facebook e no TikTok, onde publica vídeos de fiscalização, discursos e cobertura do dia a dia do Congresso. Também assina coluna no portal Pleno News. Em rankings parlamentares, foi premiado pelo Ranking dos Políticos e pela Arko Advice, entrou na lista de "Cabeças do Congresso Nacional" da DIAP em 2023 e ficou em segundo lugar no prêmio Melhores Deputados do Congresso em Foco, em 2022.
Controvérsias e investigações
A trajetória pública de Jordy também acumula episódios jurídicos e investigativos que viraram notícia. Em 2019, foi condenado pela Justiça a apagar declarações que ligavam o youtuber Felipe Neto ao Massacre de Suzano. Em janeiro de 2024, foi alvo da 24ª fase da Operação Lesa Pátria: a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão em sua residência para apurar participação em atos antidemocráticos, e ele negou ter participado de acampamentos ou incitado os atos. Em dezembro de 2025, a PF apontou indícios de uso irregular de cota parlamentar em investigação que integra a Operação Galho Fraco. Jordy nega as acusações.
Qual é o tamanho do mandato
Com a eleição ao Senado em 2026, Jordy passa a integrar a bancada fluminense na Casa Alta ao lado de Carlos Portinho e de Romário. O resultado consolida o PL do Rio como uma das principais bases de sustentação da direita no estado. A votação de 24,56% veio em uma eleição de primeiro turno que teve Benedita da Silva em segundo lugar entre os não eleitos, com 20,22% dos votos válidos, e Pedro Paulo em quarto, com 11,95%. Com dois senadores eleitos, o partido mantém duas cadeiras na representação do Rio por pelo menos quatro anos.
Para os próximos anos, a expectativa em torno do mandato se concentra em segurança pública, controle de gastos e na articulação de pautas conservadoras no Senado, além da experiência acumulada em comissões de fiscalização. O percurso até aqui — de analista de orçamento a senador eleito — passa por três mandatos consecutivos, duas CPMIs e uma candidatura à prefeitura de Niterói em que terminou em segundo lugar, em 2024.
Jordy também é ligado ao mesmo campo político de Michelle Bolsonaro, senadora eleita pelo Distrito Federal em 2026 pelo PL. Outras autoridades com atuação em política e economia estão reunidas nas páginas de tags do site.

