Chorão, nome artístico de Alexandre Magno Abrão (1970–2013), foi vocalista, principal letrista e um dos fundadores do Charlie Brown Jr., banda que traduziu o vocabulário do skate e da juventude de Santos para o rádio brasileiro. Ao longo de mais de vinte anos de carreira, ele uniu hardcore, rap e reggae numa assinatura própria e ajudou a transformar o rock nacional em conversa de rua, com letras sobre amizade, revolta, fé e sobrevivência.
Foi também skatista, roteirista, diretor e empresário. Este perfil reúne o que a trajetória pública dele tem de mais concreto: a origem em São Paulo, a formação em Santos, os discos, o cinema, as polêmicas e o legado que continua sendo descoberto por novas gerações.
Quem foi Chorão
Alexandre nasceu em 9 de abril de 1970, no bairro Vila Rosa, zona norte da cidade de São Paulo. Ainda menino, mudou-se para Santos, no litoral paulista, cidade que adotou como casa e que aparece em boa parte das músicas que escreveu. Estudou até a sétima série em escolas públicas, passou por trabalhos que não deram certo, inclusive o de corretor de imóveis, e conheceu de perto o despejo e o confisco de bens, experiência que mais tarde viraria a letra de "Confisco".
Foi na música que encontrou saída. Por volta dos 21 anos, subiu ao palco de um bar em Santos, cantou de improviso uma letra do Suicidal Tendencies e acabou convidado para uma audição. Pouco depois, ao lado de Champignon, Renato Pelado, Marcão Britto e Thiago Castanho, formou o Charlie Brown Jr., batizado em 1992 depois de trombar com uma barraca de água de coco que estampava o personagem Charlie Brown. O "Jr." entrou porque, segundo ele, a turma era filha do rock.
O que o Charlie Brown Jr. representou
O som da banda misturava hardcore punk, rap rock, reggae e skate punk, combinação pouco comum nos anos 1990 que encontrou público rápido. Em 1997, o álbum de estreia "Transpiração Contínua Prolongada" apresentou sucessos como "Proibida pra Mim (Grazon)" e "O Côro Vai Comê!". No ano seguinte, o grupo foi eleito revelação na premiação da MTV Brasil, e Chorão recebeu o troféu com a frase que virou lema entre skatistas: "Skate na veia dos irmãos!"
Vieram ainda "Preço Curto... Prazo Longo", com "Zóio de Lula", primeiro número um da banda nas rádios brasileiras, e "Confisco", letra autobiográfica sobre ter os bens tomados. Em 2003, o "Acústico MTV: Charlie Brown Jr." foi gravado no Teatro Mars, em São Paulo, com as participações de Marcelo D2, Marcelo Nova, Negra Li e o grupo RZO, e se tornou um dos acústicos mais lembrados da série. Ao todo, o Charlie Brown Jr. lançou dez discos, com vendas que ultrapassam cinco milhões de cópias.
Skate, cinema, moda e outros projetos
Chorão nunca separou a música do skate. Foi vice-campeão paulista na modalidade freestyle na juventude e manteve o esporte dentro das letras, dos clipes e dos shows. Em 6 de novembro de 2006, inaugurou em Santos o Chorão Skate Park, espaço com uma das pistas mais conhecidas do país e ponto de encontro entre skatistas e músicos.
Em 2007, escreveu o roteiro do filme "O Magnata", dirigido por Johnny Araújo e estrelado por Paulo Vilhena, com o Charlie Brown Jr. na trilha sonora. Dois anos depois, lançou as marcas de roupas DO.CE. e La Plata. Também planejava um livro sobre a história da banda, projeto que só saiu em 2017, como "Eu Estava Lá Também", organizado por seu filho Alexandre Abrão.
Polêmicas e a relação com os fãs
A trajetória de Chorão também teve atritos públicos. Em 2004, um desentendimento com Marcelo Camelo, do Los Hermanos, terminou em agressão durante uma viagem e rendeu processos e pedidos de desculpas. Dentro da própria banda, crises com os integrantes originais provocaram mudanças de formação em 2005, com o retorno de Champignon e Marcão em 2011, além de episódios tensos em shows.
Com o público, a relação era de proximidade. A mistura de hardcore, rap e reggae que a banda levava aos palcos formou uma base de fãs que atravessou gerações, e a morte do cantor teve repercussão internacional, com destaque em veículos como Washington Post, Billboard e HuffPost.
A morte e o legado
Chorão foi encontrado morto em 6 de março de 2013, aos 42 anos, em um apartamento no bairro de Pinheiros, em São Paulo. O laudo do Instituto Médico Legal apontou intoxicação por cocaína como causa da morte. A prefeitura de Santos decretou luto oficial de três dias, e o velório no ginásio Arena Santos reuniu mais de cinco mil pessoas. O cortejo passou pelo CT Rei Pelé e pela Vila Belmiro antes do sepultamento.
Desde então, a obra do Charlie Brown Jr. continua sendo descoberta em plataformas de áudio e nas rádios, e a banda segue entre as mais tocadas do rock brasileiro. Em 2021, o documentário "Chorão: Marginal Alado" revisitou a trajetória do cantor. Em 2026, no dia em que ele completaria 56 anos, músicos, fãs e o Santos FC fizeram homenagens. A banda encerrou as atividades com a morte do vocalista, mas as músicas continuam presentes em shows, playlists e camisas de time.
Perguntas rápidas sobre Chorão
Qual é o nome verdadeiro de Chorão?
Alexandre Magno Abrão, nascido em São Paulo em 9 de abril de 1970. Chorão era o nome artístico que ele adotou na juventude.
Qual foi a banda de Chorão?
O Charlie Brown Jr., formado em 1992 em Santos, do qual ele foi vocalista e principal letrista até 2013. A banda lançou dez discos e vendeu mais de cinco milhões de cópias.
Quais são as músicas mais conhecidas do Charlie Brown Jr.?
- "Proibida pra Mim (Grazon)"
- "O Côro Vai Comê!"
- "Confisco"
- "Zóio de Lula"
- "Te Levar Daqui"
- "Não Deixe o Mar Te Engolir"
Como Chorão morreu?
Ele foi encontrado morto em 6 de março de 2013, aos 42 anos, em São Paulo. O laudo do Instituto Médico Legal apontou intoxicação por cocaína.
Linha do tempo de Chorão
- 1970 — nasce em São Paulo, em 9 de abril.
- 1992 — forma o Charlie Brown Jr., em Santos.
- 1997 — lança "Transpiração Contínua Prolongada", álbum de estreia da banda.
- 1998 — o Charlie Brown Jr. é eleito revelação pela MTV Brasil.
- 2003 — grava o "Acústico MTV" no Teatro Mars, em São Paulo.
- 2006 — inaugura o Chorão Skate Park, em Santos.
- 2007 — assina o roteiro do filme "O Magnata".
- 2013 — morre em São Paulo, em 6 de março.
- 2017 — é publicado o livro "Eu Estava Lá Também".
- 2021 — estreia o documentário "Chorão: Marginal Alado".
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