Buscar autoridades

Imagem de capa do perfil de Cid Gomes
Foto de perfil de Cid Gomes

Cid Gomes

Nascimento: 1963 Sobral, CE
Engenheiro civil e senador pelo Ceará desde 2019, reeleito em 2026. Foi governador do estado por dois mandatos, prefeito de Sobral e ministro da Educação.

Cid Gomes se tornou, em 4 de outubro de 2026, o primeiro senador reeleito do Ceará desde a criação da reeleição no país. Engenheiro civil nascido em Sobral, ele somou 3.033.562 votos, garantiu uma das duas vagas do estado no Senado e atravessou uma eleição que colocou o irmão Ciro Gomes, candidato ao governo, em chapa adversária pela primeira vez desde o fim dos anos 1980.

Antes de chegar ao Senado, Cid passou por dois mandatos de governador, oito anos como prefeito de Sobral, duas legislaturas na Assembleia Legislativa e uma temporada curta e barulhenta no Ministério da Educação. Sua trajetória recente também carrega um episódio que marcou a política de segurança do estado: em 2020, foi atingido por dois tiros ao avançar com uma retroescavadeira contra o portão de um batalhão da Polícia Militar em Sobral.

Sobral, engenharia e a Assembleia aos 32 anos

Cid Ferreira Gomes é filho do defensor público José Euclides Ferreira Gomes Júnior, que presidiu a prefeitura de Sobral, e da professora Maria José Santos Ferreira Gomes. Cresceu em uma casa que daria origem a uma das famílias mais presentes na política cearense: os irmãos Ciro, Ivo e Lia também construíram carreiras públicas.

Formado em engenharia civil pela Universidade Federal do Ceará, em Fortaleza, presidiu o centro acadêmico e passou pelo movimento estudantil. A primeira disputa eleitoral veio em 1988, como candidato a vice-prefeito de Sobral na chapa de José Linhares Ponte, o Padre Zé, derrotada nas urnas. Entre 1989 e 1990, foi coordenador político regional no Ceará, a convite do governador Tasso Jereissati.

Em 1990, elegeu-se deputado estadual pelo PSDB com 21.895 votos e virou líder do partido na Assembleia Legislativa no ano seguinte. Reeleito em 1994 com 45.570 votos, chegou à presidência da Casa em 1995, aos 32 anos, como o parlamentar mais jovem a ocupar o posto. Venceu a eleição para prefeito de Sobral em 1996 com mais de 64% dos votos, interrompendo uma alternância entre as famílias Prado e Barreto que durava desde 1963. Foi reeleito em 2000, com mais de 68%.

Nos oito anos de prefeitura, construiu escolas, ampliou o ensino fundamental para nove anos cinco anos antes da regra nacional e reorganizou as finanças do município, que passou a ter a terceira maior arrecadação de impostos do Ceará. As políticas de alfabetização aplicadas em Sobral seriam ampliadas depois para todo o estado. Em 2005, fora do cargo, mudou-se para Washington, onde trabalhou como consultor do Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Os dois mandatos no governo do Ceará

Na eleição de 2006, Cid derrotou o governador Lúcio Alcântara no primeiro turno, com 2.411.457 votos, 62,38% dos válidos. Quatro anos depois, foi reeleito também em turno único, com 2.436.940 votos e 61,27%. O governo combinou uma agenda de educação e obras de infraestrutura. Entre as frentes que a gestão apresenta como entregas do período estão:

  • o PAIC, Programa Alfabetização na Idade Certa, levado aos 184 municípios cearenses, com capacitação de professores e acompanhamento da aprendizagem;
  • as Escolas Estaduais de Educação Profissional, que integraram o ensino médio à formação técnica;
  • o Cinturão das Águas e o Eixão das Águas, para ampliar a segurança hídrica do estado;
  • o Complexo Industrial e Portuário do Pecém e o Cinturão Digital, de fibra óptica;
  • o Centro de Eventos do Ceará, os metrôs de Sobral e do Cariri e os aeroportos de Aracati e Jericoacoara;
  • o início da expansão da energia eólica no litoral cearense.

Em março de 2007, o governo nomeou os integrantes do Conselho Estadual de Segurança Pública, previsto na Constituição estadual, e preparou a infraestrutura para a Companhia Siderúrgica do Pecém, que começou a operar em 2016, e para uma refinaria da Petrobras que não chegou a ser construída. Em dezembro de 2013, um vídeo gravado por uma moradora de Itapipoca mostrou o governador mergulhando em uma adutora para conter um vazamento. Ao comentar o episódio em 2023, ele disse que fez esse tipo de operação cerca de 20 vezes, para abrir e fechar válvulas do abastecimento.

O período também teve atritos com categorias do funcionalismo. Em 2011, durante uma greve de professores, Cid afirmou que a docência deveria ser escolhida por vocação e que quem buscasse remuneração maior poderia procurar o ensino privado. A declaração provocou críticas; em 2015, ele disse que suas palavras haviam sido distorcidas e que defender a vocação não excluía a necessidade de boa remuneração.

O Ministério da Educação e a saída em 2015

Em dezembro de 2014, Dilma Rousseff o escolheu para chefiar o Ministério da Educação no segundo mandato presidencial, com nomeação publicada em 1º de janeiro de 2015. No cargo, o piso nacional dos professores foi reajustado em 13,01%, de R$ 1.697 para R$ 1.917,78. Cid defendeu avaliações mais rigorosas dos cursos e dos estudantes no Fies e disse que o governo deveria evitar financiar instituições de ensino de baixa qualidade; depois das declarações, as ações da Kroton caíram cerca de 6%.

A passagem pelo ministério durou menos de três meses. Em março de 2015, durante visita à Universidade Federal do Pará, ele afirmou que entre 300 e 400 deputados preferiam um governo fragilizado para pressionar por vantagens. Convocado pela Câmara dos Deputados, discutiu com o presidente da Casa, Eduardo Cunha, em 18 de março, e o acusou de praticar achaques, em referência à delação do doleiro Alberto Youssef. No mesmo dia, pediu exoneração; a saída foi publicada no Diário Oficial em 19 de março de 2015.

Senado, volta ao PSB e reeleição em 2026

Eleito senador em 2018 pelo PDT, com 3.228.533 votos, 41,62% dos válidos, ele teve a maior votação de um candidato ao Senado no Ceará até aquela eleição. No primeiro ano de mandato, apresentou 18 proposições e relatou 19 matérias, além de defender a criação de uma comissão parlamentar de inquérito sobre invasões de celulares de autoridades. Assumiu a liderança do PDT no Senado em 2021 e foi reconduzido ao posto em 2023, ano em que se tornou vice-presidente das comissões de Educação, de Desenvolvimento Regional e de Relações Exteriores e o primeiro presidente da comissão temporária sobre hidrogênio verde.

Em 4 de fevereiro de 2024, voltou ao PSB após divergências internas no PDT, acompanhado por mais de 40 prefeitos. O partido passou a reunir mais de 60 prefeituras no Ceará, o maior número entre as legendas do estado. Cid passou boa parte de 2025 e do início de 2026 dizendo que não tentaria a reeleição e defendendo o nome do deputado federal Júnior Mano. A candidatura foi confirmada em julho de 2026, depois de um apelo do presidente Lula em reunião com o governador Elmano de Freitas e com o senador Camilo Santana; Júnior Mano aceitou e ficou com a primeira suplência.

Relator do projeto que cria o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter, o Redata, ele defendeu a instalação de data centers no Ceará e citou a disputa pelo data center da TikTok como uma conquista do estado. É autor de uma proposta de emenda à Constituição que atribui ao Conselho Nacional de Justiça a fiscalização do Supremo Tribunal Federal; na campanha, disse que a Corte precisa ser refundada e admitiu o impeachment de ministros em casos de escândalo. Também defendeu mais efetivo e inteligência para a Polícia Federal no combate ao crime organizado e a regionalização da saúde.

Em 4 de outubro de 2026, foi reeleito com 3.033.562 votos, 31,22% dos válidos, ao lado de Luizianne Lins, que ficou com a outra vaga do Ceará. O novo mandato vai de 2027 a 2035.

A ruptura com Ciro Gomes

A eleição de 2026 foi a primeira desde o fim dos anos 1980 em que Cid e o irmão Ciro Gomes apareceram em chapas opostas. A ruptura entre os dois começou em 2022 e dividiu a família: ao lado de Cid ficou a deputada estadual Lia Gomes; com Ciro, os irmãos Ivo, ex-prefeito de Sobral, e Lúcio Gomes. Durante a campanha, Cid disse que continuava do mesmo lado da vida pública e que foi o irmão quem mudou de posicionamento.

O episódio da retroescavadeira

Em 19 de fevereiro de 2020, Cid foi atingido por dois tiros ao avançar com uma retroescavadeira contra o portão do 3º Batalhão da Polícia Militar, em Sobral, ocupado por policiais que participavam de um motim por reajuste salarial. A informação inicial, de que havia sido ferido por balas de borracha, foi corrigida depois para tiros de arma de fogo. Os projéteis ficaram alojados no corpo, e os médicos informaram que ele não corria risco de morte. O movimento terminou sem anistia, com mais de 200 policiais afastados. Até abril de 2023, 25 haviam sido expulsos, 118 absolvidos e 212 ainda respondiam a processos administrativos na Corregedoria.

Quem pesquisa o nome hoje encontra um político que atravessou praticamente todos os degraus da vida pública cearense, da educação de Sobral ao Senado, e que segue como uma das principais lideranças do estado. O mandato mantém o site cidgomes.com.br, com Instagram, Facebook e YouTube oficiais, além do perfil no Senado, que reúne gabinete, proposições e prestação de contas. A trajetória também ajuda a entender o peso da família Gomes na política do Ceará nas últimas três décadas.

Projetos de Cid Gomes

Nenhum projeto cadastrado para essa autoridade.

Experiências da comunidade

Avaliações sobre Cid Gomes

Veja as opiniões dos leitores e compartilhe sua experiência.

0 avaliações positivas e 0 negativas com comentário.

Relatos publicados

Opiniões dos leitores sobre suas experiências. As avaliações não comprovam fatos nem representam a posição do site.

Ainda não há avaliações com comentário. Sua experiência pode ajudar o próximo leitor.

Para contestar um relato ou solicitar a remoção dos seus dados, entre em contato e informe a página e o comentário.

Compartilhe sua avaliação

Escreva de 60 a 200 palavras sobre esta pessoa ou projeto. Não inclua anúncios, links, insultos ou dados pessoais.

Sua experiência

0 de 200 palavras · mínimo de 60

Carregando verificação humana...