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Cid Moreira

Nascimento: 1927 Taubaté, São Paulo
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Locutor, narrador e apresentador, Cid Moreira comandou o Jornal Nacional de 1969 a 1996 e narrou a Bíblia em áudio, com milhões de cópias vendidas.

Cid Moreira nasceu em Taubaté, no interior de São Paulo, em 29 de setembro de 1927, e morreu em Petrópolis, em 3 de outubro de 2024, aos 97 anos. Nesse intervalo, passou pelo rádio, pelo cinema, pela televisão e pela indústria fonográfica, sempre a partir do mesmo instrumento de trabalho: a voz. Foi ele quem estreou o Jornal Nacional ao lado de Hilton Gomes, em 1º de setembro de 1969, e quem se despediu do telejornal em 29 de março de 1996, ao lado de Sérgio Chapelin — um recorde de permanência como âncora de um mesmo noticiário.

Antes de virar uma das faces mais conhecidas da TV brasileira, Cid Moreira começou a trabalhar aos 15 anos na Rádio Difusora de Taubaté, onde exercia a função de contador. A voz grave chamou atenção e logo ele estava diante do microfone. Formou-se em Contabilidade em 1944 e, no fim da década de 1940, transferiu-se para São Paulo, onde atuou na Rádio Bandeirantes e na agência Propago Publicidade. Em 1947, foi locutor oficial da campanha de Ademar de Barros ao governo paulista. Em 1951, mudou-se para a Rádio Mayrink Veiga, no Rio de Janeiro, onde permaneceu por doze anos como um dos principais narradores da emissora.

A passagem pela Mayrink Veiga abriu caminho para a TV Excelsior e para o cinema. Cid narrou documentários e apresentou o noticiário semanal Canal 100, produzido por Carlos Niemeyer. Também atuou como ator em Angu de caroço (1955) e voltou à narração em Traficantes do Crime (1958). Na época áurea dos jornais de cinema, sua voz chegou a boa parte dos estados brasileiros.

Como Cid Moreira se tornou a voz do Jornal Nacional

A estreia do Jornal Nacional, em 1º de setembro de 1969, teve Hilton Gomes no comando e Cid Moreira ao lado. A partir dali, ele apresentou o telejornal por 27 anos, até 29 de março de 1996, quando fez sua última edição ao lado de Sérgio Chapelin. A saída foi explicada pelo então diretor de jornalismo da Globo, Evandro Carlos de Andrade, como uma mudança de perfil: a emissora procurava substituir locutores por jornalistas, modelo que já era adotado em outros telejornais.

Em uma reportagem sobre a trajetória dele, a Folha de S.Paulo lembrou que Cid não participava da produção do noticiário, não escrevia textos e nunca produziu uma reportagem — sua função era narrar as notícias. A escolha editorial, no entanto, definiu o tom do telejornal por quase três décadas e fez do seu "boa noite" uma das frases mais reconhecidas da TV brasileira.

Da Bíblia narrada ao sucesso em áudio

A carreira fonográfica de Cid Moreira começou em 1975, quando gravou o compacto Desiderata pela Som Livre, com um poema baseado em texto encontrado em uma igreja de Baltimore, nos Estados Unidos. A ideia inicial era distribuir o disco como brinde, mas não houve interessados em patrociná-lo, e o trabalho acabou lançado comercialmente. Em 1977, veio o primeiro álbum, Oração da Minha Vida, pela gravadora católica Paulinas.

Na década de 1990, Cid passou a se dedicar cada vez mais aos textos bíblicos. Lançou o LP Salmos em 1992, pela Line Records, com segundo volume no ano seguinte. Pela Warner/Continental gravou O Sermão da Montanha (1994) e Quem é Jesus (1995). Depois de deixar o Jornal Nacional, investiu nas grandes coleções: Passagens Bíblicas, lançada em 1998 em uma série de 12 CDs que foi ampliada para 24 discos, e a coleção Novo Testamento, de 2000, com 12 CDs distribuídos em jornais de todo o Brasil.

O projeto mais ambicioso veio na década seguinte. Cid Moreira quis gravar o texto integral da Bíblia depois do sucesso das coleções anteriores. Apresentou a ideia ao produtor da série de 24 discos, que não acreditou na viabilidade comercial, e encontrou apoio em Milton Afonso, cofundador da rede de planos de saúde Golden Cross, que financiou a obra. O trabalho começou em 2004, com uma caixa inicial de seis CDs, e a Bíblia em áudio completa foi lançada em 2009. Os números divulgados pela imprensa apontam mais de 30 milhões de cópias vendidas. Em 2010, ele lançou Recados da Bíblia, coleção de 12 CDs com reflexões sobre os textos bíblicos.

  • 1975 — compacto Desiderata, pela Som Livre;
  • 1977 — álbum Oração da Minha Vida, pela Paulinas;
  • 1992 — LP Salmos, pela Line Records;
  • 1998 — coleção Passagens Bíblicas, ampliada para 24 discos;
  • 2000 — coleção Novo Testamento, pela Gol Records;
  • 2009 — Bíblia em áudio com o texto integral;
  • 2010 — coleção Recados da Bíblia.

O "boa noite" que virou marca da televisão

Fora do telejornal, Cid Moreira trabalhou em programas de entretenimento e narrações que marcaram época. Em 1999, chegou ao Fantástico, onde narrou quadros como as aparições do mágico Mister M e do Padre Quevedo. Em 2005, emprestou a voz ao filme 2 Filhos de Francisco, que conta a trajetória de Zezé Di Camargo & Luciano.

Durante a Copa do Mundo de 2010, gravou a vinheta "Jabulaaani!", inspirada no nome da bola oficial do torneio, a Adidas Jabulani. O bordão circulou em programas esportivos e no Fantástico e se tornou um dos vídeos mais compartilhados daquele ano. A voz dele também chegou ao cinema em produções como Anchorman 2: The Legend Continues, de 2013.

Em 24 de abril de 2015, Cid voltou ao Jornal Nacional ao lado de Sérgio Chapelin para apresentar um bloco especial na semana em que a TV Globo completou 50 anos. A participação relembrou a dupla que comandou o noticiário por tantos anos e reforçou o vínculo dele com a emissora: Cid era um dos poucos profissionais com contrato vitalício com a Globo.

O que explica a permanência de Cid Moreira

Cid Moreira construiu uma carreira rara na comunicação brasileira porque transitou entre o rádio, o telejornalismo e a gravação de textos religiosos sem perder reconhecimento. A voz que anunciava as notícias do dia também narrava salmos e passagens bíblicas para um público que não se limitava à televisão. Essa combinação fez dele uma figura presente em casas brasileiras por mais de meio século, em formatos que vão do disco ao vídeo na internet.

Nos últimos anos, ele passou a se comunicar diretamente com o público em canais digitais, publicando vídeos, mensagens e leituras. Foi nesse período que passou a ser descrito também como influenciador digital, alcunha incomum para alguém que começou a carreira nos anos 1940. As gravações bíblicas seguem disponíveis em plataformas de áudio, e a voz dele continua sendo uma das mais reconhecidas do país.

Últimos anos, morte e legado

Cid Moreira morreu em 3 de outubro de 2024, em Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, por falência de múltiplos órgãos. Ele estava internado para tratar uma pneumonia e convivia com um quadro renal crônico desde 2022. A morte foi confirmada ao vivo pela apresentadora Patrícia Poeta, no programa Encontro, e teve ampla repercussão na imprensa nacional.

Poucos dias antes de ser internado, ele recebeu em casa o poeta Douglas Jefferson, de Taubaté, que teve poemas gravados por ele — uma das últimas aparições públicas em vídeo. A trajetória que começou na Rádio Difusora de Taubaté terminou como patrimônio da comunicação brasileira, com uma voz associada ao jornalismo, à leitura da Bíblia e ao entretenimento.

Onde Cid Moreira nasceu e quando ele morreu?

Cid Moreira nasceu em Taubaté, no interior de São Paulo, em 29 de setembro de 1927. Morreu em Petrópolis, no Rio de Janeiro, em 3 de outubro de 2024, aos 97 anos.

Quanto tempo Cid Moreira ficou no Jornal Nacional?

Ele apresentou o telejornal de 1º de setembro de 1969 a 29 de março de 1996, um período de 27 anos que o tornou recordista como âncora de um mesmo noticiário na televisão brasileira.

Qual foi o trabalho de maior alcance em áudio?

A gravação da Bíblia em áudio, com texto integral, iniciada em 2004 e lançada em 2009, além das coleções Passagens Bíblicas, Novo Testamento e Recados da Bíblia. Os números divulgados pela imprensa apontam mais de 30 milhões de cópias vendidas.

Para quem quer entender o percurso completo, a biografia Boa noite reconstrói a carreira do locutor, e as coleções em áudio mostram como ele ajudou a levar a música e a leitura religiosa para milhões de ouvintes.

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