Dr. Daniel Santos é o médico e político que venceu a eleição para o governo do Pará em 2026 ainda no primeiro turno, derrotando a candidata do MDB, partido que ocupava o comando do estado. Nascido em Açailândia, no Maranhão, em 25 de agosto de 1986, ele construiu a carreira pública em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém: foi vereador, presidente da Câmara Municipal, deputado estadual mais votado do Pará em 2018, presidente da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa) e prefeito por dois mandatos, o segundo com a maior votação da história da cidade.
Conhecido como Dr. Daniel, o nome Daniel Barbosa Santos aparece em votações expressivas desde a primeira eleição e também em investigações do Ministério Público do Pará que resultaram em denúncia criminal em 2025. A seguir, o perfil reúne origem, formação, trajetória eleitoral, os episódios públicos mais recentes e os canais oficiais dele.
Origem, formação e atuação como médico
Daniel Santos nasceu em Açailândia (MA) e se mudou aos três anos para Dom Eliseu, no sudeste paraense, onde viveu até os treze. Foi então para Belém para estudar e acabou fixando residência em Ananindeua, cidade que se tornou a base de sua vida profissional e política.
Formou-se em Medicina pela Universidade do Estado do Pará (UEPA), estagiou no antigo Hospital Frei Samarate e se especializou em ginecologia e obstetrícia. Foi sócio do Hospital Santa Maria de Ananindeua ao lado da esposa, a médica dermatologista e deputada federal Alessandra Haber, com quem é casado e tem dois filhos.
Em 2013, no primeiro mandato como vereador, criou o Instituto Deuseny Santos, centro médico que oferece consultas gratuitas em várias especialidades, iniciativa que passou a integrar a biografia dele como a primeira marca de atuação social em Ananindeua.
Vereador, deputado estadual mais votado e presidente da Alepa
A entrada na política aconteceu em 2012, quando se candidatou a vereador de Ananindeua pelo PSDB e foi eleito com 4.445 votos, o segundo mais votado do município. Na Câmara Municipal, presidiu a Comissão de Saúde, Promoção Social, Trabalho e Meio Ambiente. Em 2016, foi reeleito com 12.675 votos, desta vez como o candidato mais votado da cidade, e assumiu a presidência da Câmara no biênio 2017–2018.
Entre os projetos aprovados nesse período estão a Lei nº 2.881, que obrigou os estabelecimentos comerciais de Ananindeua a substituir sacolas plásticas por embalagens de papel ou material biodegradável, e a Lei nº 2.857, que previu a capacitação de professores da rede municipal para trabalhar o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) nas escolas. As duas foram sancionadas em 2017.
Em 2018, disputou uma vaga de deputado estadual e foi eleito com 113.588 votos, a maior votação do Pará naquele pleito. Filiado ao MDB no mesmo ano, foi escolhido presidente da Alepa em 1º de fevereiro de 2019, cargo que ocupou no biênio 2019–2020. A passagem pela Assembleia Legislativa consolidou o nome dele fora de Ananindeua e o colocou no centro das articulações políticas do estado.
Prefeito de Ananindeua: 67,70% em 2020 e 83,48% em 2024
Em 2020, Daniel Santos venceu a disputa pela prefeitura de Ananindeua no primeiro turno, com 67,70% dos votos válidos, apoiado por Helder Barbalho e pelo então prefeito Manoel Pioneiro. A aliança com o grupo dos Barbalho se rompeu depois da eleição presidencial de 2022, quando os dois passaram a defender posições opostas.
Já filiado ao PSB, ele disputou a reeleição em 2024 e venceu com 83,48% dos votos válidos, 229.930 votos, a maior votação registrada na história de Ananindeua e entre todos os municípios paraenses naquela eleição. Em março de 2025, assumiu a liderança do diretório estadual do PSB no Pará, posição que colocou o partido na oposição ao governo estadual.
Em 2 de abril de 2026, renunciou ao cargo de prefeito para concorrer ao governo do Pará. O vice Hugo Atayde assumiu a prefeitura, e a renúncia foi oficializada dentro do prazo exigido pela legislação eleitoral.
A Operação Hades, o afastamento e a denúncia do Ministério Público
Em 5 de agosto de 2025, o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) deflagrou a Operação Hades para apurar supostas irregularidades em contratos e licitações da Prefeitura de Ananindeua. Na mesma data, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao prefeito, a familiares e a empresas contratadas, além de medidas de bloqueio de bens.
Uma decisão liminar do Tribunal de Justiça do Pará (TJ-PA) afastou Daniel Santos do cargo, mas o Superior Tribunal de Justiça (STJ) suspendeu o afastamento no dia seguinte, em decisão do ministro Og Fernandes. Em outubro de 2025, o MPPA apresentou denúncia criminal contra ele pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e fraudes em licitações, e a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao STJ a adoção de novas medidas cautelares, incluindo um novo afastamento. O caso segue em tramitação.
Reportagens do Diário do Pará apontaram o direcionamento de cerca de R$ 15 milhões em emendas parlamentares ao município durante a gestão dele, com parte dos valores beneficiando empresas que mantinham contratos com a prefeitura. O Liberal e o Metrópoles noticiaram o uso de um jatinho particular pertencente a uma empresa contratada pelo município. À época, Daniel Santos classificou a operação como perseguição política e afirmou que pediram o afastamento dele "baseado em uma história mentirosa, sem ao menos me dar oportunidade de me defender".
A eleição de 2026 e o governo do Pará
Para a disputa estadual de 2026, Daniel Santos se filiou ao Podemos e lançou a candidatura em 4 de agosto, com Ellayne de Almeida (PL) como vice na chapa da coligação "O Pará é do Povo", formada também por Novo, Democracia Cristã, Solidariedade e PRD. Ele representou a oposição ao grupo político que comandava o estado.
Em 4 de outubro de 2026, foi eleito governador no primeiro turno com 2.345.721 votos, o equivalente a 51,36% dos votos válidos, derrotando a então governadora Hana Ghassan (MDB), candidata à reeleição. Foi o segundo candidato ao governo do Pará a vencer em primeiro turno desde Helder Barbalho, em 2022. O mandato começa em janeiro de 2027.
O plano de governo apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem a saúde como um dos eixos principais, com atenção às distâncias e à dificuldade de acesso em municípios cortados por rios e floresta. O documento também trata de desenvolvimento econômico, educação, segurança pública, infraestrutura e de um capítulo chamado "Pará 2030", que projeta metas de médio e longo prazo. Sobre a Amazônia, o plano afirma que "a floresta precisa gerar benefícios concretos para quem vive nela".
Presença pública e canais oficiais
Daniel Santos mantém presença ativa nas redes, com os perfis @doutordanielsantos no Instagram e no TikTok, página oficial no Facebook e o canal Dr. Daniel Santos no YouTube, aberto em 2018, onde publica vídeos de agenda, obras e posicionamentos. Os cargos que marcam a trajetória dele até aqui:
- Vereador de Ananindeua (2013–2019);
- Presidente da Câmara Municipal de Ananindeua (2017–2018);
- Deputado estadual do Pará (2019–2021);
- Presidente da Assembleia Legislativa do Pará (2019–2020);
- Prefeito de Ananindeua (2021–2026);
- Governador eleito do Pará (eleito em 2026).
Outros agentes públicos, governadores e figuras da vida política brasileira estão reunidos na página de política do site.
Foto do perfil: Wikimedia Commons, licença CC BY 2.0.

