Duda Teixeira é o jornalista que assinou, ao lado de Leandro Narloch, um dos livros de história mais vendidos do Brasil na última década: o Guia Politicamente Incorreto da América Latina, lançado em 2011 e responsável por mais de 200 mil exemplares vendidos. Nascido em Campinas, em 1975, formou-se na Escola de Comunicações e Artes da USP e passou por redações como Superinteressante, Saúde, IstoÉ Dinheiro e Veja, onde permaneceu doze anos, antes de se tornar editor de O Antagonista e da revista Crusoé.
Hoje o nome que aparece nas capas dos livros é o mesmo que assina análises na imprensa: ele publica colunas em O Antagonista e na Crusoé, veículos em que comenta a política brasileira e o cenário internacional. A trajetória dele mistura reportagem, edição e divulgação histórica: viajou para o Iraque, o Líbano, a Faixa de Gaza, o Egito e a Turquia em pauta externa, cobriu economia e política em quase todos os países da América Latina e transformou parte desse repertório em livros que explicam temas densos — da mitologia grega aos impasses institucionais do Supremo Tribunal Federal — com linguagem acessível.
Da formação na USP à redação da Veja
Antes de chegar à revista Veja, Duda Teixeira trabalhou em títulos de grande circulação, como Superinteressante, Saúde e IstoÉ Dinheiro. Na Veja, somou doze anos de reportagens sobre política, economia e comportamento. Foi nesse período que assinou, em 2007, o texto “Che — a farsa de um mito”, feito em parceria com o editor de internacional Diogo Schelp, que revisitou a trajetória de Ernesto Che Guevara e propôs uma leitura crítica do mito construído em torno do guerrilheiro argentino.
A experiência internacional se ampliou nos anos seguintes. As viagens ao Oriente Médio e à América Latina renderam reportagens sobre conflitos, eleições e costumes, material que alimenta até hoje as análises que ele escreve sobre geopolítica e política externa.
O sucesso do Guia Politicamente Incorreto da América Latina
Foi com Guia Politicamente Incorreto da América Latina que Duda Teixeira chegou às listas de mais vendidos. Escrito com Leandro Narloch e publicado em 2011, o livro parte de uma provocação: em vez de repetir a versão escolar que transforma personagens latino-americanos em heróis incontestes, ele examina como algumas dessas figuras atrapalharam a política, arruinaram economias e perseguiram cidadãos. O texto combina humor e apuração histórica, com bibliografia consultada e um ritmo de reportagem — fórmula que o autor voltaria a explorar em obras posteriores.
A edição brasileira, que hoje circula com o selo da Globo Livros, ultrapassou a marca de 200 mil exemplares e se tornou um dos títulos de história mais lembrados da década. Para além dos números, o livro ajudou a firmar o nome de Duda Teixeira como autor capaz de traduzir temas históricos para o grande público, sem abandonar o rigor da apuração.
Buenos Aires, Grécia Antiga e os livros de curiosidade histórica
Antes do Guia, Duda Teixeira já havia publicado O Calcanhar do Aquiles, livro sobre histórias curiosas da Grécia Antiga. Depois vieram dois títulos que mostram o alcance dos seus interesses: o Guia Secreto de Buenos Aires (2015, Editora Record), com 111 histórias de lugares pouco óbvios da capital argentina, e a coletânea 100 Dúvidas Universais, nascida do blog homônimo que ele manteve na Veja.com a partir de 2015, em que explicava fatos internacionais que desafiam o senso comum. O trabalho no blog deu origem também ao Secreta Buenos Aires, espaço em que o autor seguiu publicando textos sobre a cidade.
Em 2019, publicou o Almanaque do Pênis Brasileiro, livro-reportagem construído a partir de dezenas de entrevistas. Um ano depois, os leitores brasileiros ganharam duas traduções assinadas por ele: Homenagem à Catalunha e Recordando a guerra espanhola, de George Orwell.
Orwell, a Ucrânia e o trabalho de tradutor
O interesse pela história europeia do século 20 levou Duda Teixeira a um projeto de resgate: em 2022, ele publicou Fome na Ucrânia: os relatos do front do Holodomor, que reúne 40 reportagens do jornalista galês Gareth Jones sobre a grande fome provocada por Josef Stalin na Ucrânia. Traduzidos pela primeira vez para o português, os textos de Jones haviam sido escritos no início dos anos 1930, a partir de viagens do repórter à União Soviética — um material que voltou a circular no mundo inteiro depois da invasão russa de 2022.
STF e Lula: a política brasileira no centro dos livros recentes
Mais recentemente, Duda Teixeira passou a voltar o olhar para as instituições brasileiras. Em 2024, publicou STF — Como chegamos até aqui?, pela editora Avis Rara, um percurso pela história do Supremo Tribunal Federal que confronta o desenho idealizado da corte com a trajetória real do tribunal e discute as críticas que a instituição acumulou nas últimas décadas — do ativismo na criação de normas aos julgamentos de casos com conexões pessoais. No fim de 2025, chegou às livrarias O Livro Vermelho do Lula, coletânea de 171 frases de Luiz Inácio Lula da Silva, e em 2026 ele lançou A Culpa Não é dos EUA, escrito com Lucas de Souza Martins, sobre as instituições americanas que moldaram a política moderna.
Os principais livros de Duda Teixeira
O conjunto da obra do jornalista inclui reportagem histórica, crônica de viagem e ensaio político:
- Guia Politicamente Incorreto da América Latina (2011), com Leandro Narloch
- Guia Secreto de Buenos Aires (2015)
- Almanaque do Pênis Brasileiro (2019)
- Fome na Ucrânia: os relatos do front do Holodomor (2022), tradução das reportagens de Gareth Jones
- STF — Como chegamos até aqui? (2024)
- O Livro Vermelho do Lula (2025)
- A Culpa Não é dos EUA (2026), com Lucas de Souza Martins
Duda Teixeira vive em São Paulo e fala inglês e espanhol com fluência, o que ajuda a entender a naturalidade com que circula entre Brasília, a América Latina e a política internacional. Quem quiser acompanhar o trabalho dele encontra o site oficial em dudateixeira.com.br, além das colunas em O Antagonista e na Crusoé.






