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Ernildo Stein

Ernildo Jacob Stein

Nascimento: 1934 Santa Rosa, Rio Grande do Sul
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Filósofo e professor nascido em Santa Rosa (RS) em 1934, Ernildo Stein é um dos principais estudiosos de Martin Heidegger no Brasil e autor de Seis estudos sobre "Ser e tempo".

Em 1962, na Alemanha, Ernildo Jacob Stein ouviu Martin Heidegger apresentar a conferência "Tempo e Ser". Quatro anos depois, foi ele quem levou o texto ao leitor brasileiro, com a tradução da conferência incluída em Introdução ao pensamento de Martin Heidegger, livro de 1966 que inaugurou uma longa presença editorial. Entre aquele estudante que cruzava o Atlântico e o professor que se tornaria uma das principais referências brasileiras no estudo da fenomenologia e da hermenêutica, há uma trajetória de formação rigorosa, perseguição política durante a ditadura militar e mais de meio século dedicado ao ensino e à pesquisa.

Nascido em Santa Rosa, no noroeste do Rio Grande do Sul, em 12 de julho de 1934, Stein é filósofo, professor e escritor. Sua atuação se concentra na filosofia de Martin Heidegger, mas atravessa também a fenomenologia, a antropologia filosófica, a hermenêutica e a filosofia da ciência. Como tradutor e comentador, ajudou a fixar em português um vocabulário que sustenta boa parte dos estudos heideggerianos no país, e é apontado como um dos principais especialistas no pensador alemão na América Latina.

Formação entre Porto Alegre e a Alemanha

Ernildo Stein graduou-se em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 1964 e em Direito no ano seguinte. A passagem pela Alemanha começou cedo: em 1962, ainda estudante, assistiu à conferência "Tempo e Ser", de Heidegger, e voltaria ao país outras vezes para períodos de estudo e pesquisa.

A formatura coincidiu com o golpe civil-militar de 1964. Em janeiro de 1965, um inquérito policial militar citou seu nome ao lado do professor Ernani Maria Fiori e de outros docentes e acadêmicos, conforme noticiou o Diário de Notícias na época. Perseguido, Stein deixou o Brasil. Ao retornar de um ano de estudos de filosofia na Alemanha, publicou Introdução ao pensamento de Martin Heidegger, obra que também apresentou sua tradução de "Tempo e Ser" — conferência que ainda não havia sido publicada em alemão.

O doutorado veio em 1968, na UFRGS, sob orientação de Miguel Reale, com uma pesquisa sobre a estrutura e o movimento da interrogação heideggeriana que daria origem ao livro Compreensão e finitude. Entre 1969 e 1972 realizou pós-doutorado na Universidade de Erlangen-Nuremberg e, mais tarde, desenvolveu períodos de pesquisa em Heidelberg, Freiburg, Frankfurt, Münster e Wuppertal. Lecionou na UFRGS e consolidou carreira na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre.

O intérprete brasileiro de Heidegger

A obra de Stein não se limita a explicar Heidegger: ela discute o modo como o filósofo alemão deslocou as questões da metafísica e o que isso significa para quem pensa depois dele. Seis estudos sobre "Ser e tempo", publicado pela Editora Vozes, é provavelmente o seu livro mais lido e funciona como uma leitura guiada da analítica existencial. Já Seminário sobre a verdade, de 1993, parte do parágrafo 44 de Ser e tempo para discutir verdade, método e violência no pensamento heideggeriano.

Outros livros ampliam esse campo. Mundo vivido, de 2004, examina as vicissitudes de um conceito central da fenomenologia; Diferença e metafísica, de 2000, reúne ensaios sobre desconstrução; A Cidade de Deus e a Cidade dos Homens, de 2004, percorre de Agostinho a Vico; Lições sobre ética, de 1997, sistematiza um curso sobre fundamentos da ética; e Órfãos de utopia, de 1996, discute a melancolia da esquerda no século 20. A diversidade temática não é dispersão: é o mesmo gesto de pensar a finitude humana em diferentes registros.

  • Seis estudos sobre "Ser e tempo" — leitura guiada do livro de Heidegger, publicada pela Editora Vozes.
  • Seminário sobre a verdade — lições sobre o parágrafo 44 de Ser e tempo, com foco no problema da verdade.
  • Compreensão e finitude — revisão de sua tese de doutorado sobre a interrogação heideggeriana, pela Editora Unijuí.
  • Pensar e errar: um ajuste com Heidegger — balanço maduro de décadas de leitura, publicado em 2011.
  • As ilusões da transparência — ensaios sobre o conceito de mundo da vida e os limites do ideal de transparência.

Ensino, pesquisa e presença pública

Na PUCRS, Stein atuou como professor de Filosofia e participou da formação de várias gerações de pesquisadores. Foi membro do corpo editorial de revistas acadêmicas como Reflexão, Problemata, Natureza Humana e Ágora e colaborador da Revista Brasileira de Filosofia, do Instituto Brasileiro de Filosofia. Sua produção acadêmica circula por periódicos como Veritas, Natureza Humana e Conjectura, além dos muitos livros e capítulos publicados desde os anos 1970.

A presença pública acompanha a acadêmica. Stein concedeu entrevistas ao Instituto Humanitas Unisinos (IHU), participou de programas como "Direito & Literatura", da TV Unisinos, e de conferências sobre Heidegger, Suárez, Hegel e a tradição fenomenológica disponíveis em vídeo. Em 2024, ao completar 90 anos, foi homenageado por colegas, ex-alunos e veículos culturais; em 2025, a Revista Opinião Filosófica publicou o dossiê "Filosofia Brasileira", com o artigo "Ernildo Jacob Stein: um mestre da ironia, diálogo e crítica heideggeriana", que retoma sua formação e sua leitura de Ser e tempo. Quem acompanha o debate filosófico no Brasil encontra sua assinatura em temas que vão da pesquisa em fenomenologia à filosofia da ciência.

Como começar a ler Ernildo Stein

Para conhecer o pensamento de Ernildo Stein, o caminho mais direto é começar pela introdução de 1966, que oferece o mapa geral, e seguir para Seis estudos sobre "Ser e tempo", onde a leitura de Heidegger aparece em detalhe. Depois, Compreensão e finitude e Pensar e errar mostram como o próprio Stein revisou suas posições ao longo de décadas, enquanto As ilusões da transparência leva o leitor para a discussão sobre mundo da vida e experiência.

Seus livros seguem disponíveis em edições da Vozes, da EDIPUCRS e da Editora Unijuí, e suas entrevistas e conferências continuam a circular como porta de entrada para a filosofia brasileira de orientação fenomenológica e hermenêutica.

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