Quase dois mil quilômetros percorridos por Pernambuco, uma equipe que reuniu televisão, rádio e jornal impresso e histórias de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual: foi assim que nasceu Infância Perdida, o projeto investigativo que colocou Fabiana Maranhão entre os vencedores do Prêmio Vladimir Herzog e do Concurso Tim Lopes de Jornalismo Investigativo, em 2010. O trabalho, que uniu séries de reportagens e um especial multimídia, é um dos pontos altos de uma carreira construída entre redações de Recife, Petrolina e São Paulo — e que hoje passa pela escrita de conteúdo sobre tecnologia e negócios na Docusign.
Fabiana Maranhão nasceu em São Paulo, em 1984, mas foi em Pernambuco que a carreira tomou forma. Formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em 2006, ela começou a trabalhar em redações ainda durante a graduação, como estagiária da Folha de Pernambuco, entre 2003 e 2004, e da Globo Nordeste, em 2005. Depois de formada, foi repórter da TV Universitária do Recife, entre 2006 e 2007, da TV Grande Rio, afiliada da Globo em Petrolina, entre 2007 e 2008, e da TV Jornal, afiliada do SBT no Recife, entre 2008 e 2012.
O interesse pelo jornalismo multimídia veio cedo. Além da graduação, ela fez pós-graduação em História e Jornalismo pela Unicap e em Jornalismo Digital pelo IICS, em parceria com a Universidad de Navarra, na Espanha. Boa parte dos trabalhos dessa fase está reunida no portfólio que ela mantém em fabianamaranhao.wordpress.com, com amostras de reportagens para TV, rádio, impresso e internet.
Telejornais, coberturas e o portal NE10
Na TV Jornal, Fabiana Maranhão foi repórter e apresentadora de telejornal. Participou de coberturas que mobilizaram veículos de todo o país, como a chegada dos corpos das vítimas do voo 447 da Air France a Fernando de Noronha, em 2009, e produziu as séries especiais que renderiam os primeiros prêmios da carreira. No mesmo período, foi repórter colaboradora do NE10, o portal de notícias do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação, entre 2009 e 2010 — época em que TV, rádio, jornal e internet da empresa já funcionavam de maneira integrada.
Especiais multimídia e prêmios de jornalismo
O mais premiado dos especiais é Infância Perdida, de 2010, sobre a violência sexual contra crianças e adolescentes em Pernambuco. A equipe percorreu quase dois mil quilômetros pelo estado para ouvir vítimas e mostrar que o crime atravessa diferentes camadas sociais. O material rendeu uma série de cinco reportagens na TV Jornal, quatro matérias na Rádio Jornal, três reportagens no Jornal do Commercio e um especial publicado no NE10.
Os reconhecimentos vieram em sequência e estão entre os principais do jornalismo brasileiro:
- Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos (2010) — prêmios principais nas categorias rádio e TV, com menção honrosa na categoria internet, por Infância Perdida;
- 5º Concurso Tim Lopes de Jornalismo Investigativo (2010) — vitória na categoria Mídia Alternativa, Comunitária e Online, em dupla com a jornalista Vanessa Cortez;
- 27º Prêmio de Direitos Humanos de Jornalismo (2010) — prêmio principal na categoria rádio;
- Prêmio Imprensa Embratel (2011) — categoria Regional Nordeste, pelo projeto multimídia Infância Perdida;
- Prêmio Cristina Tavares de Jornalismo (2012) — categoria Telejornalismo, pela série As Marias;
- Prêmio Abraciclo de Jornalismo (2009) — menção honrosa na categoria Internet, pela reportagem multimídia A conquista feminina sobre duas rodas, publicada no JC Online;
- Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos (2014) — segundo reconhecimento do prêmio na carreira.
Outro especial da mesma fase é As Marias, série exibida pela TV Jornal e publicada no NE10 em 31 de março de 2011. O trabalho partiu da história de Maria Bonita, mulher de Lampião, para contar a vida de outras "Marias" que contrariaram costumes da própria época. A série ganhou uma versão multimídia na internet, com reportagens, fotos e recursos digitais.
UOL, jornalismo digital e passagem internacional
Em junho de 2012, Fabiana Maranhão se mudou para São Paulo para integrar a redação do UOL, um dos maiores portais de notícias do Brasil. Ficou na empresa até 2017, período em que acompanhou de dentro a consolidação do jornalismo digital brasileiro e as mudanças de hábito de leitura que marcaram a década. O currículo público dela registra ainda atuação internacional: a passagem como correspondente freelancer no Uruguai.
O interesse por pautas de saúde e infância aparece nos textos que assina no Portal Drauzio Varella, onde colabora com reportagens sobre infância e adolescência, alimentação saudável, saúde mental e outros temas de saúde.
Dos jornais ao marketing de conteúdo
Hoje, a carreira de Fabiana Maranhão passa pelo marketing de conteúdo. Ela é especialista em marketing de conteúdo e de cliente na Docusign e assina artigos no blog brasileiro da companhia. Nos textos, aplica o método de apuração das redações a casos de clientes — entre eles Lótus BPO, Lightera, Aço Cearense e Salutem — e à cobertura de eventos de marketing digital e tecnologia, como Docusign Connect, Febraban Tech, Fenalaw e C Law.
O próprio perfil dela no LinkedIn resume a virada: uma jornalista com duas décadas de redação que hoje combina rigor jornalístico e visão editorial a estratégias de conteúdo para empresas. Para quem procura entender a trajetória completa, o currículo do portfólio pessoal cobre a fase de TV e internet; as páginas de autora na Docusign e no Portal Drauzio Varella mostram o trabalho atual.


