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Foto de perfil de Getúlio Vargas

Getúlio Vargas

Getúlio Dorneles Vargas

Nascimento: 1882 São Borja, Rio Grande do Sul
Presidente do Brasil (1930–1945 e 1951–1954), criador da CLT e figura central da Era Vargas; gaúcho de São Borja, morreu no Catete em 1954.

Poucos nomes na história do Brasil carregam tanto peso quanto o de Getúlio Vargas. Quase um século depois da Revolução de 1930, ainda se discute o que ele construiu, o que concentrou e o que deixou de legado em leis, empresas e memória coletiva. Quem busca seu perfil não procura só uma biografia de presidente: quer entender por que o trabalhador, a indústria e o Estado brasileiro ainda falam a língua que ele ajudou a moldar.

Getúlio Dorneles Vargas (São Borja, 19 de abril de 1882 – Rio de Janeiro, 24 de agosto de 1954) foi advogado, militar e político gaúcho. Governou o Brasil em dois tempos distintos — de 1930 a 1945 e de 1951 até o suicídio em 1954 — e permanece o chefe de Estado que mais tempo ocupou a Presidência na história do país. Entre o “pai dos pobres”, o artífice do Estado Novo e a carta-testamento lida em 1954, a figura pública dele continua a responder a uma pergunta teimosa: quem foi, de fato, o homem que reorganizou o poder nacional no século XX.

Origem gaúcha, formação e entrada na política

Nascido em São Borja, no então Rio Grande do Sul, Getúlio cresceu em família ligada à política regional. Filho de Manuel do Nascimento Vargas e Cândida Francisca Dorneles, passou pela carreira militar jovem — chegou a 2.º sargento do Exército — e depois se formou em Direito pela Faculdade de Direito de Porto Alegre, instituição hoje ligada à Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

A trajetória pública começou no Partido Republicano Rio-Grandense. Foi deputado estadual, depois deputado federal pelo Rio Grande do Sul e, entre 1926 e 1927, ministro da Fazenda no governo de Washington Luís. Em 1928, tornou-se presidente do Estado do Rio Grande do Sul (cargo equivalente ao de governador). Esse percurso gaúcho — do parlamento estadual ao comando do estado — é o chão concreto sobre o qual se ergueu a liderança nacional de 1930.

Casado com Darcy Sarmanho a partir de 1911, teve filhos que também entraram no debate público, entre eles Alzira Vargas e Lutero Vargas. Esses dados familiares importam menos como intimidade e mais como contexto de uma vida inteiramente atravessada pela política republicana.

A Revolução de 1930 e a chegada ao poder

Em 1930, a disputa sucessória da Primeira República explodiu. Getúlio liderou o movimento que depôs Washington Luís e impediu a posse de Júlio Prestes, encerrando o ciclo da República Velha. Assume o governo provisório e, de 1930 a 1934, reorganiza o Estado sob forte concentração de decisões no Executivo.

Nesse intervalo lida com a Revolução Constitucionalista de 1932, em São Paulo, e com a pressão por uma nova Constituição. Em 1934, a Assembleia Nacional Constituinte o elege presidente do governo constitucional. A virada de 1937 fecha outro ciclo: com o Estado Novo, Getúlio instaura um regime autoritário, com Constituição outorgada, censura e dissolução de partidos, e governa como ditador até 1945, quando é deposto.

A sequência importa porque explica a ambiguidade histórica do personagem: chegou ao poder pela revolução, consolidou mandato pela Constituinte, reforçou controle pelo autogolpe e ainda voltaria, anos depois, pelo voto direto. É o único presidente brasileiro a somar essas vias de forma tão contrastante.

Trabalhismo, CLT e o Estado que reorganizou a economia

Para quem pesquisa direitos do trabalho no Brasil, o nome de Getúlio Vargas aparece cedo. Seus governos ampliaram a legislação trabalhista e social, com marcos que se tornaram referência permanente: jornada regulada, carteira de trabalho, salário mínimo e a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), de 1943. Simpatizantes o chamavam de “pai dos pobres”; críticos apontavam o controle sindical e o uso político da proteção social. Os dois lados da disputa fazem parte do registro público da Era Vargas.

No campo econômico e institucional, o Estado passou a induzir a industrialização e a criar órgãos e empresas de longa duração. Entre as construções associadas a esse período estão o complexo siderúrgico de Volta Redonda, o Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP) e, no horizonte das estatais e da regulação, legados ligados a instituições como a Vale e a Petrobras. Muitas dessas estruturas ainda operam, o que mantém o interesse de estudantes, jornalistas e leitores de política e história econômica.

  • CLT (1943) — consolidação da legislação trabalhista que ainda estrutura o debate sobre carteira assinada e direitos no emprego.
  • Salário mínimo — marco de política social dos governos Vargas, com impacto simbólico e prático no mundo do trabalho.
  • Justiça do Trabalho e estrutura sindical — desenho institucional que amarra direitos, representação e Estado.
  • Industrialização e estatais — Volta Redonda e o projeto de desenvolvimento nacional com mão pesada do governo.
  • Getulismo / varguismo — nome dado à doutrina e ao estilo político de colaboração de classes e nacionalismo econômico.

Estado Novo, deposição, PTB e o retorno em 1951

O Estado Novo (1937–1945) é o capítulo mais controverso. Houve repressão política, propaganda e centralização; ao mesmo tempo, o regime aprofundou a legislação social e a industrialização. Com o fim da Segunda Guerra e a onda democrática, Getúlio foi afastado em 1945. Em seguida, elegeu-se senador pelo Rio Grande do Sul e ajudou a fundar o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), base partidária do trabalhismo getulista.

Em 1950, venceu a eleição presidencial pelo voto popular e tomou posse em 31 de janeiro de 1951, com Café Filho na vice-presidência. O segundo mandato, porém, encontrou um Brasil e um mundo diferentes: imprensa hostil, pressão militar e empresarial, crise política e o atentado da rua Tonelero, que atingiu o major Rubens Vaz e envolveu o círculo próximo do presidente. Isolado, Getúlio redigiu a carta-testamento e suicidou-se com um tiro no coração, em 24 de agosto de 1954, no Palácio do Catete, então sede do governo na capital federal.

A carta — documento político endereçado ao povo — fechou a vida pública com uma frase que entrou na memória nacional: o “legado da minha morte” deixado “à sanha dos meus inimigos”. O texto completo e a leitura histórica do episódio continuam disponíveis em fontes institucionais, como o acervo da Câmara dos Deputados e o CPDOC da FGV.

Por que Getúlio Vargas ainda é buscado

A busca por Getúlio Vargas costuma misturar intenção escolar, curiosidade biográfica e disputa de narrativa. Alunos querem datas e marcos da Era Vargas; leitores adultos querem entender CLT, Petrobras, Volta Redonda e o sentido do Estado Novo; militantes e críticos usam o mesmo nome para defender ou rejeitar um modelo de país. O perfil público dele, portanto, não é só o de um ex-presidente: é o de uma referência permanente da política brasileira.

Em 15 de setembro de 2010, a Lei nº 12.326 inscreveu seu nome no Livro dos Heróis da Pátria. A homenagem oficial não encerra o debate — ao contrário, confirma que a figura permanece no centro da memória cívica. Quem chega a esta página encontra o fio condutor: um político de São Borja que saiu do poder estadual, redefiniu a República em 1930, governou com e sem Constituição plena, criou bases do direito do trabalho e da indústria nacional, e deixou o poder, em 1954, no limite extremo da crise e da carta-testamento.

Para aprofundar o documento que encerrou essa trajetória, veja o projeto Carta-testamento de Getúlio Vargas, ligado a este perfil. Para outros nomes da política republicana já reunidos no diretório, vale cruzar com figuras contemporâneas da mesma arena, como Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, cujos mandatos reabriram, em outros termos, o debate sobre Estado, trabalho e desenvolvimento.

Linha do tempo útil para consulta rápida

  • 1882 — nascimento em São Borja (RS).
  • 1926–1927 — ministro da Fazenda.
  • 1928–1930 — presidente do Rio Grande do Sul.
  • 1930–1945 — primeiro longo ciclo no comando do Brasil (provisório, constitucional e Estado Novo).
  • 1943 — CLT.
  • 1945 — deposição; em seguida, senador e construção do PTB.
  • 1951–1954 — segundo mandato presidencial eletivo.
  • 24 de agosto de 1954 — suicídio no Catete e divulgação da carta-testamento.

Getúlio Vargas não cabe em um único rótulo. Foi líder civil da Revolução de 1930, ditador do Estado Novo, senador, candidato eleito e autor de um dos textos políticos mais citados da República. Entender essa trajetória é entender boa parte do século XX brasileiro — e boa parte do vocabulário que ainda usamos quando falamos de trabalhador, indústria e poder.

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