Helder Zahluth Barbalho governou o Pará de 2019 a 2026 e renunciou ao cargo em abril do último ano para disputar o Senado, eleição que venceu com a maior votação do estado ao posto. Antes disso, foi prefeito de Ananindeua por dois mandatos, ministro da Pesca e Aquicultura e chefe da Secretaria Nacional dos Portos no governo Dilma Rousseff e ministro da Integração Nacional na gestão de Michel Temer. Filho de Jader Barbalho e Elcione Barbalho, nomes históricos do MDB no Pará, construiu carreira própria desde a Câmara de Ananindeua, onde entrou aos 21 anos.
A pergunta que costuma trazer o leitor até este perfil é direta: quem é Helder Barbalho e o que explica a força eleitoral que o manteve no centro da política paraense por quase três décadas. A resposta passa por uma sequência incomum de mandatos executivos — vereador, deputado estadual, prefeito reeleito, ministro em dois governos e governador reeleito em primeiro turno com 70,41% dos votos válidos, resultado inédito no Pará desde a redemocratização.
Origem, formação e família
Nascido em Belém, em 18 de maio de 1979, Helder Barbalho é filho do ex-governador e senador Jader Barbalho e da deputada federal Elcione Barbalho, ambos do MDB. Cursou a educação básica entre a capital paraense e Brasília, passando por escolas como Colégio Pequeno Príncipe, Escola Tenente Rego Barros e Colégio Marista. Em 2002, formou-se em administração pela Universidade da Amazônia (UNAMA) e, na sequência, concluiu MBA executivo em gestão pública pela Fundação Getulio Vargas (FGV), em São Paulo.
É casado com Daniela Lima Barbalho desde 2006, com quem tem três filhos. É primo dos políticos José Priante e Igor Normando e sobrinho-neto do ator Lúcio Mauro.
Da Câmara de Ananindeua ao governo do Pará
Filiado ao PMDB desde 1997, presidiu a juventude do partido no Pará e foi secretário-geral da Juventude Nacional. Em 2000, elegeu-se vereador de Ananindeua com 4.296 votos, o mais votado da cidade. Dois anos depois, chegou à Assembleia Legislativa do Pará como deputado estadual mais votado do estado, com 68.474 votos, e presidiu ou relatou as comissões da Lei de Diretrizes Orçamentárias, do Plano Plurianual e da Lei de Orçamento Anual.
Em 2004, venceu a disputa pela prefeitura de Ananindeua com 108.726 votos e se tornou o prefeito mais jovem da história do Pará, aos 25 anos. Foi reeleito em 2008, em primeiro turno, com 93.493 votos. Entre 2007 e 2014, presidiu a Federação das Associações dos Municípios do Estado do Pará (FAMEP) e, entre 2013 e 2014, apresentou o programa de rádio "Programa do Helder", na Rádio Clube do Pará.
Em 2014, disputou o governo do estado pela primeira vez: venceu o primeiro turno com 1.795.992 votos (49,8%) e perdeu o segundo turno para Simão Jatene, candidato à reeleição.
Prêmios da fase municipal
- Prêmio Gestor Eficiente da Merenda Escolar de Qualidade (2007, 2010 e 2012);
- Prêmio Prefeito Empreendedor, do SEBRAE Pará, por incentivo à geração de emprego e renda (2008 e 2010);
- Prêmio Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, com o Projeto Escola Ananindeua;
- Selo Unicef Município Aprovado (2012), pelas ações executadas entre 2009 e 2012.
Dois ministérios e a passagem por Brasília
Em 1º de janeiro de 2015, assumiu o Ministério da Pesca e Aquicultura no segundo mandato de Dilma Rousseff. Com a reforma ministerial de outubro daquele ano, quando a pasta foi extinta, migrou para o comando da Secretaria Nacional dos Portos. Deixou o cargo em abril de 2016, na esteira da saída do PMDB da base de apoio do governo.
Entre 2016 e 2018, foi ministro da Integração Nacional no governo Michel Temer. Na pasta, acompanhou a transposição do Rio São Francisco, atuou em defesa civil e desenvolvimento regional e conduziu R$ 3,2 bilhões em financiamento para instalação de placas fotovoltaicas no Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Também destinou R$ 37 milhões a Castanhal e Paragominas, para macrodrenagem, pavimentação e abastecimento de água.
Governo do Pará: 2019 a 2026
Em 2018, Helder Barbalho foi eleito governador com 2.068.319 votos (55,43% dos válidos), derrotando Márcio Miranda no segundo turno. Em 2022, reeleito em primeiro turno com 3.211.276 votos — 70,41% dos válidos —, tornou-se o primeiro governador eleito em turno único no Pará desde a redemocratização e o mais votado do país naquele pleito.
O período no governo estadual coincidiu com a projeção internacional do Pará, com a confirmação de Belém como sede da COP 30, em 2023. Em junho daquele ano, o governador participou ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva da cerimônia de entrega de 222 unidades do Residencial Angelin, em Abaetetuba. A vitória de 2022 consolidou o paraense entre as principais lideranças da política nacional no período.
Em 2 de abril de 2026, renunciou ao cargo para concorrer ao Senado, como exige a legislação eleitoral; a vice-governadora Hana Ghassan assumiu o governo. Helder foi eleito senador com a maior votação do Pará ao cargo e toma posse em 1º de fevereiro de 2027.
Controvérsias e investigações
Em 2020, a compra de 153 respiradores e 1.580 bombas de infusão da China pelo governo do Pará — R$ 50,4 milhões e R$ 8,4 milhões, com metade paga antecipadamente — virou alvo de apuração depois que os equipamentos apresentaram mau funcionamento. Ministério Público do Pará, Ministério Público Federal e Polícia Federal investigaram suspeita de superfaturamento de 86,6% e dispensa de licitação posterior ao pagamento. Em 10 de junho de 2020, o governador foi alvo de busca e apreensão na Operação Para Bellum; ele convocou coletiva para prestar esclarecimentos e negou irregularidades.
Antes, em 2017, o ministro Edson Fachin, relator dos inquéritos da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, autorizou a abertura de inquérito a partir da delação de executivos da Odebrecht. A suspeita era de repasse de R$ 1,5 milhão em três parcelas à campanha de 2014 no Pará. Helder negou e afirmou que as doações foram registradas e aprovadas pela Justiça Eleitoral. O caso foi remetido à primeira instância e deu origem à Operação Fora do Caixa, deflagrada pela Polícia Federal em janeiro de 2020.
Na esfera administrativa, ação por suposta improbidade envolvendo desvio de R$ 2,78 milhões do SUS entre 2005 e 2012, quando era prefeito de Ananindeua, foi julgada improcedente pelo Tribunal Regional Federal. Em março de 2023, a eleição de Daniela Barbalho para o Tribunal de Contas do Estado do Pará, órgão responsável por fiscalizar as contas do governo, motivou representação do Ministério Público Federal por nepotismo.
Canais oficiais e presença digital
Helder Barbalho mantém perfis oficiais no Instagram, no Facebook e no X. No YouTube, o canal que leva seu nome guarda os programas da campanha de 2018 ao governo do Pará e conteúdos temáticos do mesmo período, material que continua disponível como registro da comunicação eleitoral daquela disputa.



