Humberto Costa é o senador que transformou a CPI da Covid em livro: ao lado de Randolfe Rodrigues, assinou A política contra o vírus, obra que reconstrói os bastidores da comissão parlamentar de inquérito que apurou a condução da pandemia no Brasil. Médico e jornalista, ele foi ministro da Saúde no primeiro governo Lula e, desde 2011, ocupa uma cadeira no Senado Federal pelo PT de Pernambuco, estado onde construiu toda a sua carreira política.
Humberto Sérgio Costa Lima nasceu em Campinas, no interior de São Paulo, em 7 de julho de 1957. Filho de comerciantes pernambucanos, voltou com a família para o Recife aos seis anos, e foi na capital pernambucana que se formou, trabalhou, constituiu família e entrou para a vida pública. A trajetória dele cruza duas áreas que raramente caminham juntas na mesma pessoa: a medicina e a comunicação.
Formação em medicina, jornalismo e militância estudantil
A vida pública de Humberto Costa começou em 1975, no movimento estudantil da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), ainda durante a ditadura militar. No curso de medicina, presidiu o Diretório Acadêmico do Centro de Ciências da Saúde entre 1978 e 1979 e integrou a diretoria do Diretório Central dos Estudantes da UFPE entre 1979 e 1980. Formou-se médico pela UFPE e, depois, jornalista pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap).
Filiou-se ao Partido dos Trabalhadores em 1980, no mesmo ano de fundação da legenda, e se tornou um dos criadores do PT em Pernambuco. Presidiu o diretório estadual e foi vice-presidente e secretário-geral do partido no estado, além de ocupar funções na direção nacional, como secretário de Comunicação, vogal e vice-presidente nacional. Integra o diretório nacional da sigla e a corrente Construindo um Novo Brasil. A pós-graduação acompanhou a militância: medicina geral comunitária e psiquiatria pela UFPE, clínica médica pela FESP e uma especialização em ciência política. Antes dos mandatos, presidiu a Associação Pernambucana de Médicos Residentes (1981–1982) e foi primeiro-secretário do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (1982–1983).
Do Recife a Brasília: mandatos antes do ministério
A primeira eleição veio em 1990, para a Assembleia Legislativa de Pernambuco. Como deputado estadual (1991–1995), presidiu as comissões de saúde e de direitos humanos, esta última criada por ele. Em 1994 chegou à Câmara dos Deputados, onde cumpriu um mandato (1995–1999) e foi três vezes vice-líder do PT, além de vice-líder do bloco de oposição. A avaliação do DIAP, o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar, o colocou entre os cem parlamentares mais atuantes e influentes do Congresso.
Em 2000, disputou a Câmara Municipal do Recife e foi o vereador mais votado da cidade. No ano seguinte, o prefeito João Paulo o convidou para a Secretaria Municipal de Saúde. Na gestão da saúde do Recife (2001–2002), ampliou de 27 para 120 o número de equipes do Programa Saúde da Família, criou o programa Academia da Cidade e implantou ações de saúde ambiental.
Ministério da Saúde: Farmácia Popular, SAMU e Brasil Sorridente
Em 1º de janeiro de 2003, Humberto Costa assumiu o Ministério da Saúde do primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva. A gestão ficou marcada por programas que seguem presentes na política pública brasileira:
- Farmácia Popular, para ampliar o acesso a medicamentos;
- SAMU, o serviço de atendimento móvel de urgência;
- Brasil Sorridente, de saúde bucal;
- Hemobrás, estatal de hemoderivados e biotecnologia criada no período;
- Brasilcord, a primeira rede pública de bancos de sangue de cordão umbilical e placentário.
O período no ministério também foi atravessado pela crise conhecida como Operação Vampiro, investigação sobre fraudes em licitações de hemoderivados. Ao tomar conhecimento das denúncias, em 2004, Humberto Costa determinou a revisão de todos os contratos da pasta. Ele foi acusado por adversários durante a disputa eleitoral seguinte, e o caso se encerrou em fevereiro de 2010, quando o Ministério Público Federal concluiu que ele não estava envolvido; em março daquele ano, o Tribunal Regional Federal da 5ª Região o absolveu por unanimidade.
Ele deixou o Ministério da Saúde em julho de 2005 e disputou o governo de Pernambuco em 2006, terminando o pleito em terceiro lugar. Antes, em 2002, havia sido candidato ao mesmo cargo e ficado em segundo lugar, com 34,1% dos votos. Entre 2007 e 2010, foi secretário das Cidades de Pernambuco, na gestão do governador Eduardo Campos.
Senador: liderança, comissões e reeleições
Em 2010, Humberto Costa foi eleito senador por Pernambuco com mais de três milhões de votos — o primeiro senador do PT eleito no estado em toda a história. No primeiro ano de mandato, tornou-se líder do PT no Senado e líder do bloco de apoio ao governo de Dilma Rousseff. Foi reeleito em 2018, com 25,66% dos votos, e conquistou novo mandato nas eleições de 2026, com 2.531.389 votos, segundo o resultado divulgado pela imprensa pernambucana. Em fevereiro de 2025, assumiu a 2ª vice-presidência do Senado Federal.
No Congresso, integra comissões como a de Assuntos Sociais, a de Direitos Humanos, a de Defesa da Democracia e a de Relações Exteriores, e representa o Brasil no Parlamento do Mercosul. A atuação na área da saúde pública atravessa os mandatos, de audiências sobre financiamento do SUS a debates sobre políticas de medicamentos e combate a doenças.
A trajetória também inclui um capítulo judicial: citado em 2014 na delação de um ex-diretor da Petrobras no âmbito da Operação Lava Jato, ele afirmou que o delator mudou de versão seis vezes sobre o caso. Em 23 de fevereiro de 2021, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal arquivou o inquérito por 3 votos a 2.
Presidência interina do PT e articulação política
Entre 7 de março e 3 de agosto de 2025, Humberto Costa presidiu nacionalmente o Partido dos Trabalhadores de forma interina. Assumiu o posto na saída de Gleisi Hoffmann e conduziu o partido até a posse de Edinho Silva como novo presidente nacional. No mesmo período, consolidou-se como interlocutor do governo no Senado em pautas ligadas à democracia, à saúde e à política externa.
Livro, canal no YouTube e presença digital
Em 2022, ao lado do senador Randolfe Rodrigues, publicou A política contra o vírus – Bastidores da CPI da Covid, pela Companhia das Letras. O livro retraça o caminho da coleta de assinaturas para a abertura da CPI até a redação do relatório final e discute o papel da sociedade civil, da imprensa e das redes sociais na comissão.
Na internet, mantém o site oficial, os perfis no Instagram, Facebook, TikTok e X e o canal no YouTube batizado Vozes da Democracia, onde publica falas, agendas e programas sobre o mandato. O acompanhamento desses canais costuma ser a via mais direta para quem quer seguir o trabalho do senador entre as votações.
Reconhecimentos e vínculos institucionais
Entre as honrarias que recebeu estão a Ordem do Mérito Militar, no grau de Grande-Oficial, em 2003, e a Ordem de Rio Branco, em 2023. É também cidadão do Estado do Rio de Janeiro desde 2003 e recebeu o Prêmio Continental em 2001.
O perfil oficial de Humberto Costa está disponível na página de senadores do Senado Federal, onde é possível acompanhar proposições, pronunciamentos e participações em comissões. Para quem busca entender a política de saúde pública brasileira recente, a combinação entre a passagem pelo ministério, os mandatos no Senado e o livro sobre a CPI da Covid forma um retrato raro de uma mesma trajetória.



