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Jaqueline Gomes de Jesus

Jaqueline Jesus

Nascimento: 1978 Rio de Janeiro, RJ
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Psicóloga, professora do IFRJ e pesquisadora da Fiocruz. Estuda gênero, raça e saúde mental e preside a Associação Brasileira de Estudos da Trans-Homocultura.

Jaqueline Gomes de Jesus é psicóloga, professora e pesquisadora brasileira que se tornou, em 2025, a primeira mulher trans a receber o Diploma Bertha Lutz, condecoração do Senado Federal para quem contribui com a defesa dos direitos das mulheres e das questões de gênero. A trajetória que levou até essa cerimônia começou bem antes, em Brasília: ela foi a primeira gestora do sistema de cotas para negras e negros da Universidade de Brasília (UnB), entre 2004 e 2008, e a primeira mulher trans a concluir o doutorado na instituição.

Quem procura entender quem é Jaqueline Gomes de Jesus costuma chegar por três caminhos que se cruzam: a psicologia, o ensino e a militância por direitos humanos. Os três aparecem juntos na mesma pessoa, e é essa combinação que dá sentido à sua produção acadêmica, aos livros que publica e às funções que ocupa hoje no Rio de Janeiro, cidade onde vive.

Quem é Jaqueline Gomes de Jesus

Professora de Psicologia do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), no campus Belford Roxo, Jaqueline também integra o quadro de pesquisadores do Departamento de Direitos Humanos, Saúde e Diversidade Cultural da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP/Fiocruz). É docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Ensino de História (ProfHistória), da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), e do Programa de Pós-Graduação em Bioética, Ética Aplicada e Saúde Coletiva (PPGBIOS), da Fiocruz.

Nascida em Brasília, em 7 de março de 1978, cresceu no Setor O da Ceilândia, filha de um operador de computadores da UnB e de uma professora da rede básica de ensino. Os avós maternos eram candangos que trabalharam na construção da capital federal. Ela se descreve como uma "candanga que vive no Rio", expressão que resume a ligação com a cidade natal e o vínculo que mantém com a região onde foi criada.

Formação e atuação na psicologia

A formação acadêmica começou na própria UnB, onde ingressou no curso de Química em 1996 e, um ano depois, migrou para a Psicologia. O mestrado, concluído em 2005, investigou representações sociais do trabalho escravo contemporâneo no Brasil. O doutorado, finalizado em 2010, teve como tema as paradas do orgulho LGBT, analisadas a partir da relação entre política e identidade. Em 2014, concluiu pós-doutorado no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC), da Fundação Getulio Vargas.

A pesquisa em psicologia social e saúde mental acompanha a carreira docente. Jaqueline é pesquisadora-líder do ODARA, grupo interdisciplinar de pesquisa em cultura, identidade e diversidade cadastrado no CNPq, e integra a equipe do estudo SMILE, dedicado à saúde mental de minorias sexuais e de gênero em países de baixa e média renda, em parceria com a Universidade Duke. No campo institucional, participa da Comissão de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia (CFP) e, desde 2021, preside a Associação Brasileira de Estudos da Trans-Homocultura (ABETH). Também contribuiu com o grupo de trabalho do Tribunal Superior Eleitoral que sistematizou normas sobre a participação política da população LGBT.

Quem deseja conhecer outras trajetórias da área pode explorar as autoridades da psicologia reunidas no site.

Da militância em Brasília à gestão de políticas de diversidade

O ativismo começou em 1997, quando Jaqueline conheceu o Estruturação, grupo LGBT de Brasília que presidiu em 1999. Na mesma época, ajudou a fundar a Associação de Acadêmicos Gays, Lésbicas e Simpatizantes do Brasil (AAGLS), ao lado de Luiz Mott, e criou a ONG Ações Cidadãs em Orientação Sexual (ACOS). Participou da organização da primeira Conferência Distrital GLBT e da primeira Conferência Nacional LGBT, presidiu o Fórum LGBT do Distrito Federal e do Entorno e esteve entre os organizadores da Parada LGBT de Brasília.

Na UnB, atuou como assessora do vice-reitor e participou da formulação do sistema de cotas para negras e negros, iniciativa pioneira no país. Como primeira gestora do programa, entre 2004 e 2008, coordenou a Assessoria de Diversidade e Apoio aos Cotistas e o Centro de Convivência Negra. Depois, passou pelo serviço público federal: integrou a equipe que formulou o Subsistema Integrado de Atenção à Saúde dos Servidores Públicos Federais (SIASS), no Ministério do Planejamento, foi assessora técnica da Presidência da República em 2011 e atuou no Ministério da Justiça em 2012, no âmbito da política sobre drogas.

Livros, audiovisual e temas que ela pesquisa

Jaqueline é autora e organizadora do primeiro livro em língua portuguesa sobre transfeminismo, Transfeminismo: Teorias e Práticas, publicado em 2014. Também assina Homofobia: Identificar e Prevenir (2015), Ainda que tardia: escravidão e liberdade no Brasil contemporâneo (2016) e Como eu não dancei (2020), além de títulos da coleção "O que é", da Escolar Editora, como O que é Racismo?, O que é Saúde Mental? e O que é Psicologia? Entre suas publicações está ainda a edição brasileira de Eu Não Sou Uma Mulher? E outros discursos de Sojourner Truth.

No audiovisual, integrou o elenco de debatedores do programa Debate, do Canal Futura, escreveu e atuou no filme Nós Somos a Neblina (2021), ao lado de Dodi Leal, e dirigiu e roteirizou Como Eu Não Dancei (2023), obra inspirada em seu livro homônimo. As participações em televisão e internet ajudaram a levar temas como identidade de gênero, saúde mental e racismo para públicos fora da universidade.

Prêmios, reconhecimento e presença pública

Além do Diploma Bertha Lutz, Jaqueline recebeu o Prêmio Rio Sem Homofobia, do governo do estado do Rio de Janeiro, em 2016, e a Medalha Chiquinha Gonzaga, da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, em 2017, por indicação da vereadora Marielle Franco — foi a primeira mulher trans agraciada com a honraria. Em 2024, foi selecionada para apresentar trabalho na Brazil Conference, evento realizado na Universidade Harvard e no MIT, nos Estados Unidos.

  • 2016 — Prêmio Rio Sem Homofobia, do governo do estado do Rio de Janeiro.
  • 2017 — Medalha Chiquinha Gonzaga, da Câmara Municipal do Rio de Janeiro.
  • 2024 — Pesquisadora selecionada para a Brazil Conference, em Harvard e no MIT.
  • 2025 — Diploma Bertha Lutz, do Senado Federal, como primeira mulher trans a receber a condecoração.

Onde o trabalho de Jaqueline Gomes de Jesus é citado

Para quem acompanha debates sobre gênero, raça e saúde mental no Brasil, o nome de Jaqueline aparece associado a uma produção que não separa pesquisa e política pública. Os textos acadêmicos, os livros e as aulas tratam de temas como transfeminismo, homofobia, trabalho escravo contemporâneo e bioética, sempre com atenção às populações que costumam ficar fora das estatísticas e das políticas. Essa ponte entre universidade, gestão pública e movimento social explica por que sua trajetória é citada em reportagens, entrevistas, materiais didáticos e estudos sobre diversidade.

Quem quer se aprofundar pode começar pelos livros, acompanhar as aulas e palestras divulgadas em seus canais oficiais ou ler entrevistas em que ela trata do cotidiano de pessoas trans no Brasil. Quem trabalha com educação encontra ainda um caminho natural nas autoridades da educação publicadas no site.

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Como Eu Não Dancei
Como Eu Não Dancei
Filme dirigido e roteirizado por Jaqueline Gomes de Jesus, inspirado em seu livro homônimo e lançado no canal oficial da autora.
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