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Jerônimo Rodrigues

Nascimento: 1965 Aiquara, Bahia
Engenheiro agrônomo baiano, Jerônimo Rodrigues foi secretário de Desenvolvimento Rural e de Educação antes de governar a Bahia desde 2023. Em 2026, foi reeleito no primeiro turno.

Jerônimo Rodrigues Souza venceu a eleição para o governo da Bahia em 4 de outubro de 2026, no primeiro turno, com 55,80% dos votos válidos, e garantiu mais quatro anos à frente do Palácio de Ondina. Nascido em Aiquara, no interior baiano, o engenheiro agrônomo e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) construiu a carreira em cargos de gestão antes de disputar a primeira eleição, em 2022, e hoje é uma das principais lideranças do PT no Nordeste.

A trajetória dele mistura sala de aula, militância e secretarias: foi professor universitário, secretário municipal de Agricultura na cidade natal e gestor de pastas estaduais e do governo federal até chegar, em 2023, ao comando do estado que tem o quarto maior eleitorado do país. Entender essa passagem ajuda a explicar como um nome pouco conhecido do público em 2022 chegou ao Palácio de Ondina e, quatro anos depois, foi reeleito no primeiro turno contra o mesmo adversário, ACM Neto.

De Aiquara à engenharia agronômica na UFBA

Jerônimo Rodrigues Souza nasceu em 3 de abril de 1965, no povoado de Palmeirinha, em Aiquara, município de pouco mais de 5 mil habitantes a cerca de 400 quilômetros de Salvador. É um dos nove filhos da costureira Maria Cerqueira e do agricultor familiar Zeferino Rodrigues, e passou os primeiros anos em uma comunidade rural próxima ao rio de Contas. Aos nove anos, deixou a casa dos pais para estudar em Jequié, onde morou com as irmãs — entre elas Marta Rodrigues, que se tornaria vereadora de Salvador.

Ele foi aprovado no vestibular para Engenharia Agronômica na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e cursou a graduação no campus de Cruz das Almas, a partir de 1987. Na universidade, conheceu Tatiana Velloso, também engenheira agrônoma e hoje professora da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), com quem se casou e teve o filho João Gabriel.

Formado em 1991, foi aprovado em concurso público para professor efetivo da UEFS, onde lecionou disciplinas de Economia, Contabilidade, Direito, Administração e Geografia e chegou a vice-diretor do Departamento de Ciências Sociais Aplicadas. No mestrado, retornou a Aiquara para dar aulas no Colégio Municipal Américo Souto e assumiu a Secretaria Municipal de Agricultura na gestão do prefeito Moacyr Viana Júnior — a primeira experiência dele no Executivo. Também atuou no Movimento de Organização Comunitária (MOC), entidade baiana de desenvolvimento rural.

Do governo federal às secretarias estaduais

Filiado ao PT desde os anos 1990, Jerônimo participou de movimentos estudantis e sociais antes de integrar, em 2006, a campanha que elegeu Jaques Wagner governador da Bahia. No primeiro ano da gestão, entrou na Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação; em 2010, passou para a Secretaria de Planejamento.

O desempenho em Salvador levou o nome dele ao governo federal. Entre 2011 e 2014, atuou no Ministério do Desenvolvimento Agrário na gestão da presidenta Dilma Rousseff, como secretário-executivo adjunto, assessor especial e secretário nacional de Desenvolvimento Territorial, além de ter participado do Programa Pró Territórios e da secretaria-executiva do Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável (Condraf).

De volta à Bahia, ajudou a implantar a Secretaria de Desenvolvimento Rural, que comandou entre 2015 e 2019, e coordenou a campanha de reeleição de Rui Costa em 2018. Em 2019, foi nomeado secretário estadual de Educação, pasta que dirigiu até março de 2022, quando deixou o cargo para concorrer ao governo. Na secretaria, ficou associado a um investimento de R$ 3,5 bilhões na rede pública e a programas criados para segurar alunos na escola e na universidade.

Iniciativas do período na Educação

  • Educar para Trabalhar: oferta de vagas em cursos de qualificação profissional para estudantes da rede estadual;
  • Bolsa-Presença: auxílio mensal para famílias de estudantes durante a pandemia de covid-19;
  • Mais Futuro: apoio financeiro para manter jovens baianos na universidade;
  • Mais Estudo e vale-alimentação estudantil: ações de combate à evasão escolar.

A eleição de 2022 e a chegada ao governo da Bahia

Anunciado como candidato do PT em julho de 2022, Jerônimo nunca havia disputado uma eleição. A escolha foi chancelada por Jaques Wagner e Rui Costa e ganhou tração com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que o levou a atos de campanha em todo o estado.

No primeiro turno, recebeu 4.019.830 votos, 49,45% dos válidos, e ficou a menos de um ponto de decidir a disputa. No segundo, venceu ACM Neto com 4.480.464 votos, ou 52,79%, e tomou posse em 1º de janeiro de 2023, sucedendo Rui Costa e tendo o então presidente da Câmara Municipal de Salvador, Geraldo Júnior, como vice.

Com a vitória, tornou-se o primeiro governador a se declarar indígena na história do Brasil, fato destacado na época pela Agência Brasil. Ainda como secretário, havia recebido a Comenda 2 de Julho, a mais alta honraria da Assembleia Legislativa da Bahia, e o Título de Cidadão de Salvador.

O primeiro mandato e a reeleição em 2026

O primeiro mandato foi marcado por uma agenda de obras e serviços estaduais em parceria com o governo federal. Em julho de 2023, o governador acompanhou a cerimônia de início das obras do Lote 1F do Trecho 1 da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), empreendimento que atravessa a Bahia. Em maio de 2024, esteve na inauguração do Hospital Estadual Costa das Baleias, em Teixeira de Freitas, no extremo sul do estado. Em julho de 2026, participou da reabertura do Teatro Castro Alves, em Salvador, um dos principais equipamentos culturais baianos.

A reeleição veio no primeiro turno, em 4 de outubro de 2026, com 55,80% dos votos válidos contra 43,73% de ACM Neto. A campanha teve o presidente Lula como principal fiador político e repetiu o confronto de 2022, quando Jerônimo venceu no segundo turno. O novo mandato começa em janeiro de 2027 e estende a gestão do petista por mais quatro anos.

Como Jerônimo Rodrigues se posiciona na política baiana

Na política baiana, Jerônimo Rodrigues consolidou-se como herdeiro direto do ciclo iniciado por Jaques Wagner em 2006 e continuado por Rui Costa, ambos padrinhos de sua candidatura. O perfil de gestor, construído em secretarias e no ministério, foi o argumento central da campanha de 2022, quando o PT apresentou ao eleitor um quadro com pouca vivência eleitoral, mas com passagem por pastas estratégicas do estado e do governo federal.

Uma marca da trajetória é a combinação entre formação acadêmica e gestão pública: engenheiro agrônomo formado pela UFBA, com mestrado pela mesma universidade e carreira como professor da UEFS, ele chegou ao governo sem nunca ter sido eleito e passou a ocupar espaço próprio na política estadual, inclusive como defensor de pautas de educação e desenvolvimento rural. Nas redes sociais, mantém os perfis oficiais com o nome @jeronimorodriguesba no Instagram, no Facebook e no TikTok.

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