Engenheiro civil de formação e professor aposentado do Instituto Federal da Paraíba (IFPB), João Azevêdo Lins Filho governou a Paraíba entre 1º de janeiro de 2019 e 2 de abril de 2026, quando renunciou ao cargo para concorrer ao Senado. Na eleição de outubro daquele ano, foi eleito com 1.391.994 votos — 32,50% dos válidos —, a maior votação da disputa ao Senado no estado.
Quem pesquisa João Azevêdo costuma querer entender como um técnico de perfil discreto, com passagens por secretarias de infraestrutura desde os anos 1980, chegou a dois mandatos de governador e a uma das principais cadeiras da política paraibana. A trajetória ajuda a responder: antes do governo, ele ocupou cargos em prefeituras, no governo do estado e em empresas públicas, quase sempre nas áreas de obras, habitação e recursos hídricos.
Formação, origem e primeiros cargos
Nascido em João Pessoa, em 14 de agosto de 1953, João Azevêdo formou-se em Engenharia Civil pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) em 1978 e concluiu pós-graduação em Metodologia do Ensino Técnico. Deu aulas no IFPB, instituição da qual é professor aposentado, e iniciou a carreira pública em 1980.
Antes de disputar qualquer eleição, passou por funções técnicas e de gestão:
- diretor da Divisão de Planejamento Habitacional do IPEP, entre 1980 e 1983;
- chefe da Assessoria de Planejamento Econômico da URBAN, entre 1983 e 1984;
- gerente de Infraestrutura do Programa Cidade de Porte Médio, entre 1984 e 1985;
- secretário de Serviços Urbanos de João Pessoa, entre 1986 e 1989.
Nas duas décadas seguintes, ocupou a Secretaria de Planejamento de Bayeux (2004), a chefia de gabinete da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (2005) e a Secretaria de Habitação de João Pessoa, como secretário adjunto, até julho de 2007. Entre 2007 e 2010, comandou a Secretaria de Infraestrutura do município.
Secretário estadual e a chegada ao governo
Em 2011, o governador Ricardo Coutinho o nomeou secretário estadual do Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Ciência e Tecnologia. Em 2015, com a fusão da pasta com a Secretaria de Infraestrutura, passou a responder pela SEIRHMACT — Infraestrutura, Recursos Hídricos, Meio Ambiente e Ciência e Tecnologia —, onde permaneceu até 5 de abril de 2018, quando deixou o cargo para disputar o governo do estado.
Naquele ano, venceu a eleição ainda no primeiro turno, com 1.119.758 votos (58,18% dos válidos), à frente de uma coligação de 14 partidos. Em dezembro de 2019, anunciou a saída do PSB após a intervenção nacional no diretório estadual, em carta enviada à imprensa; filiou-se depois ao Cidadania e, em 2022, retornou ao PSB para buscar a reeleição.
O segundo mandato veio em uma disputa mais fragmentada. João Azevêdo terminou o primeiro turno de 2022 com 39,65% dos votos válidos e venceu o segundo turno com 52,51% (1.221.904 votos), contra Pedro Cunha Lima, que ficou com 47%. O resultado mostrou uma divisão regional: o adversário ganhou em João Pessoa, Santa Rita e Campina Grande, enquanto o governador teve desempenho mais forte no Sertão e em cidades do interior.
O que marcou os dois mandatos
O governo de João Azevêdo ficou associado a uma agenda de obras e a um ajuste fiscal que gerou debate. Em setembro de 2023, a Assembleia Legislativa da Paraíba aprovou o aumento da alíquota do ICMS de 18% para 20%, sancionado pelo governador dois dias depois e criticado pela oposição. O governo defendia a medida como necessária para evitar perdas de arrecadação com a reforma tributária.
Na infraestrutura, projetos discutidos havia décadas entraram em execução:
- Polo Turístico Cabo Branco: complexo planejado na orla de João Pessoa que reúne hotéis, resorts e parques, com 12 empreendimentos contratados e investimentos privados estimados em R$ 3 bilhões. O primeiro empreendimento foi inaugurado em março de 2026, e o 12º contrato, de um parque aquático com hotelaria e piscina de ondas artificiais, foi assinado em abril de 2026, com investimento inicial de R$ 322 milhões e previsão de 610 empregos diretos;
- Ponte do Futuro: complexo rodoviário ligando Cabedelo, Santa Rita e Lucena, com investimento previsto de R$ 500 milhões e conclusão esperada para o fim de 2026;
- Arco Metropolitano: obra para interligar as rodovias BR-101 e BR-230 por meio de dois viadutos, dentro de um programa de logística que o governador citava na casa dos R$ 5,5 bilhões;
- Adutoras: duas obras que somam 780 quilômetros de extensão para ampliar a segurança hídrica do semiárido paraibano.
O turismo também apareceu como marca do período. Entre janeiro e março de 2025, o setor movimentou R$ 244 milhões no estado, segundo dados da Fecomércio a partir do IBGE, e os aeroportos de João Pessoa e Campina Grande saltaram de cerca de 700 mil passageiros em 2021 para 2 milhões em dezembro de 2025.
Segurança pública, crise e investigações
Na segurança pública, os números dividem leituras. Em balanço de 2026, o governador afirmou que os crimes violentos caíram 25% e que 39 municípios passaram um ano sem registros de crimes violentos letais. O professor e especialista em segurança pública José Maria Nóbrega apontou queda de 14,36% nas mortes violentas intencionais, mas crescimento de 15,5% nos roubos e furtos de veículos entre 2024 e 2025. Em 2025, uma operação contra uma célula do Comando Vermelho na Paraíba bloqueou mais de R$ 125 milhões ligados ao grupo.
O segundo mandato também foi marcado pelas investigações do escândalo do Hospital Padre Zé. Em maio de 2026, o Órgão Especial do Tribunal de Justiça da Paraíba recebeu denúncia do Gaeco e tornou réus dois ex-secretários do governo e o padre Egídio de Carvalho. O governador defendeu o direito de defesa dos envolvidos e disse que as pessoas citadas só poderiam ser consideradas culpadas ao fim dos processos. Na Assembleia, a oposição tentou instalar uma CPI sobre o caso, negada pela Mesa Diretora; o Tribunal de Justiça confirmou a decisão por 14 votos a 11.
Antes, dois outros episódios tinham aberto desgaste. Em 2019, o TRE-PB condenou João Azevêdo, a então vice-governadora Lígia Feliciano e o ex-governador Ricardo Coutinho por uso abusivo de propaganda institucional nas eleições de 2018, com multa de R$ 5.320,50 para cada um — decisão da qual a defesa recorreu. Na Operação Calvário, o governador é investigado no Superior Tribunal de Justiça sob suspeita de dar continuidade a crimes apurados na operação que atingiu o governo anterior; segundo a delação da ex-secretária Livânia Farias, propinas pagas pela Cruz Vermelha do Brasil teriam custeado despesas dele a partir de abril de 2018, em um total de cerca de R$ 480 mil. Azevêdo negou e afirmou que nunca recebeu recursos para uso pessoal, com campanha bancada pelo partido.
Renúncia, Senado e canais oficiais
Em 2 de abril de 2026, João Azevêdo renunciou ao governo para disputar o Senado, como exige a legislação eleitoral; o vice-governador Lucas Ribeiro assumiu o comando do estado. Em outubro, Azevêdo foi eleito senador com 1.391.994 votos, ao lado de Veneziano Vital do Rêgo, do MDB, e assume o mandato na legislatura 2027–2031.
Hoje, a comunicação pública de João Azevêdo acontece principalmente nas redes. O perfil no Instagram @joaoazevedolins reúne mais de 360 mil seguidores e usa a assinatura "João pra toda obra", a mesma marca da campanha ao Senado; ele também mantém páginas oficiais no Facebook e no X.


