Durante 14 anos, Joyce Pascowitch assinou a coluna social da Folha de S.Paulo — uma das vitrines mais visadas do jornalismo brasileiro para quem queria entender o que se passava nos bastidores do poder, dos negócios e da vida cultural. Nascida em São Paulo, em 9 de abril de 1954, ela fez dessa posição uma plataforma: transformou fontes, festas e encontros em pauta e, depois, em revista, portal e grupo de mídia.
A trajetória de Joyce ajuda a explicar por que o colunismo social brasileiro deixou de ser apenas registro de festas para se tornar um território de disputa simbólica, negócios e imagem. Ela construiu esse caminho em redações, na televisão e à frente do Grupo Glamurama, marca que comandou por duas décadas e que levou seu nome a editoras, livrarias, eventos e programas de entrevista.
Como começou a carreira de Joyce Pascowitch
O primeiro emprego jornalístico de Joyce foi em 1980, na revista da boate paulista The Gallery, casa noturna frequentada por nomes como Xuxa, Ayrton Senna e Tony Bennett. A experiência na noite paulistana lhe deu acesso a um tipo de fonte que não aparecia nas páginas políticas: empresários, artistas, socialites e personagens que circulavam entre o dinheiro e a fama.
Em 1986, ela chegou à Folha de S.Paulo, onde assinaria a coluna social por 14 anos. O período rendeu o livro Fotossíntese: 13 anos de coluna, publicado em 1999, e consolidou um método de trabalho baseado em presença, conversa e observação de cena. Não era apenas listar quem compareceu a um jantar: era perceber quem estava subindo, quem estava saindo e quais alianças se formavam longe dos holofotes.
A passagem pela Editora Globo e pela televisão
Na Editora Globo, Joyce foi colunista da revista Época e diretora de redação da Quem. A passagem por uma publicação de celebridades em escala nacional ampliou o alcance de seu trabalho e a colocou diante de uma operação editorial maior, com pauta semanal, equipe e cobertura de eventos.
Na televisão, atuou como comentarista da GloboNews por oito anos e teve um programa no SBT, no qual comentava a vida dos políticos com crônica e ironia. Essa experiência ajudou a moldar uma característica que acompanharia sua carreira: tratar política, comportamento e economia como partes da mesma cena, sem separar o público do privado quando o assunto é poder.
Glamurama: a coluna que virou grupo de mídia
Desde 2000, Joyce comandou o Grupo Glamurama, com sede em São Paulo. O portal Glamurama se consolidou como uma publicação sobre moda, comportamento, cultura, gastronomia e tendências, enquanto o grupo editou as revistas Joyce Pascowitch, Poder, Moda e Modo de Vida.
Em 2020, ela lançou o Poder Online, canal voltado a notícias em tempo real sobre mercado, bastidores da política, empresas e empreendedores. Na época, explicou que a proposta era retomar suas raízes de colunista em uma nova mídia, depois de anos à frente de projetos editoriais voltados ao universo do luxo. O grupo também criou o tema Geração Z, sinal de que a marca buscava acompanhar mudanças de linguagem e de público.
O Glamurama completou 19 anos em 2019 com um evento em São Paulo que recebeu o então governador João Doria. A cobertura de festas, lançamentos e encontros empresariais nunca foi acessória na trajetória de Joyce: era o material bruto de uma publicação que vendia leitura de mundo para quem queria frequentar ou entender aquele circuito.
Os livros de Joyce Pascowitch
A produção editorial de Joyce acompanha as fases de sua carreira. Os livros não funcionam como manuais de comportamento, mas como registros de época e de um olhar treinado para detalhes de sociabilidade.
- Fotossíntese: 13 anos de coluna (1999), reunião de textos da fase na Folha de S.Paulo.
- Avental (1999), seleção de 60 receitas publicadas na coluna homônima do jornal, dedicada à comida simples.
- De Alma Leve: Sutilezas do Cotidiano (2005), crônicas curtas nascidas no portal Glamurama.
- Poder, Estilo e Ócio (2015), memórias em três partes sobre bastidores do poder, moda, viagens e reinvenção da rotina.
Em 2024, Joyce assinou com Roberta Miranda a autobiografia Um Lugar Todinho Meu, lançada pela editora A Página. O livro leva ao público a trajetória da cantora paraibana, da infância pobre à condição de rainha do sertanejo, e mostra outra faceta de Joyce: a de editora e parceira de escrita em projetos de memória.
Como ela lê poder, moda e comportamento
A obra e a trajetória de Joyce mostram que moda e comportamento não são temas menores. Em Poder, Estilo e Ócio, ela parte de experiências concretas — a posse de presidentes, um jantar com Madonna, uma viagem no avião de um empresário — para falar de códigos de status, acesso e circulação. O luxo aparece menos como objeto de desejo e mais como linguagem de pertencimento.
O olhar para a moda segue a mesma lógica: interessa o que a roupa, a festa e o lugar dizem sobre quem frequenta certos espaços. Já a coluna Avental, transformada em livro, invertia esse vocabulário ao tratar de comida simples, ingredientes frescos e receitas caseiras. A combinação entre sofisticação e simplicidade é uma das chaves para entender por que seu trabalho circulou tanto em redações quanto em salões.
Prêmios e presença pública
Joyce foi eleita Winning Woman pela EY em 2014 e recebeu, em 2017, o prêmio especial de Contribuição ao Jornalismo do Troféu Mulher IMPRENSA. Os reconhecimentos vêm de universos diferentes — negócios e imprensa — e ajudam a medir o alcance de uma carreira que não se limitou a uma única redação.
Em 2026, ela apareceu em entrevistas e eventos públicos, como o programa The Noite, do SBT, e o Festival de Verão de Salvador. A presença constante em conversas sobre poder, celebridades e comportamento mantém seu nome entre as referências de quem acompanha a vida social brasileira.
O que a trajetória de Joyce Pascowitch revela
A história de Joyce Pascowitch é a de uma jornalista que entendeu cedo que a vida social também é uma forma de informação. Ao construir uma marca em torno do próprio nome, ela transformou uma coluna de jornal em um ecossistema de revistas, portal, eventos e livros. O resultado é uma obra que mistura memória, observação e análise de costumes, sem abandonar o prazo curto e a curiosidade que definem o jornalismo diário.
Para quem pesquisa sobre colunismo social, moda, comportamento ou história da imprensa brasileira, sua trajetória oferece mais do que uma lista de festas: mostra como se produz e se comercializa prestígio em uma sociedade que aprendeu a ler poder também nas páginas de estilo.





