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Marcel van Hattem

Van Hattem

Nascimento: 1985 Dois Irmãos, Rio Grande do Sul
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Jornalista e político gaúcho, Marcel van Hattem foi vereador, deputado estadual e deputado federal pelo Rio Grande do Sul. Em 2026, foi eleito senador pelo Partido Novo.

De Dois Irmãos ao Senado: a trajetória de Marcel van Hattem

Marcel van Hattem nasceu em 8 de novembro de 1985 em Dois Irmãos, cidade de colonização alemã no Vale dos Sinos, no Rio Grande do Sul. Filho de Rintje e Denise e o mais velho de cinco irmãos de uma família luterana, começou a trabalhar na adolescência como entregador de jornais e deu os primeiros passos profissionais no jornalismo, como repórter do Jornal Dois Irmãos entre 2003 e 2004. Aos 18 anos, virou a própria notícia: foi eleito vereador com 697 votos e se tornou o mais jovem parlamentar da história do município.

De lá para cá, não saiu mais do Legislativo. Passou pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, chegou à Câmara dos Deputados, onde liderou a bancada do Partido Novo, e em outubro de 2026 foi eleito senador pelo Rio Grande do Sul, com cerca de 30% dos votos válidos. O mandato no Senado começa em 1º de fevereiro de 2027.

  • Vereador de Dois Irmãos (2005–2009), o mais jovem da história da cidade
  • Deputado estadual do Rio Grande do Sul (2015–2018)
  • Deputado federal mais votado do estado em 2018, com 349.855 votos
  • Líder do Partido Novo na Câmara dos Deputados em 2019
  • Senador eleito pelo Rio Grande do Sul em 2026

Formação internacional e a carreira no jornalismo

Antes de se dedicar em tempo integral à política, van Hattem construiu uma formação incomum entre parlamentares brasileiros. Graduou-se em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com especialização em Direito, Economia e Democracia Constitucional, e seguiu para a Europa: fez mestrado em Ciência Política na Universidade de Leiden, nos Países Baixos, e outro mestrado em Jornalismo, Mídia e Globalização, com foco em mídia e política, pela Universidade de Aarhus, na Dinamarca, com passagem pela Universidade de Amsterdã.

Na Holanda, trabalhou na Diretoria de Empreendimentos Internacionais do Ministério de Assuntos Econômicos, Agricultura e Inovação. Também atuou na Câmara dos Deputados, em Brasília, como assessor especial para relações internacionais e economia, e participou de programas de liderança nos Estados Unidos e na Alemanha — na Universidade de Georgetown, foi escolhido orador da turma. Como jornalista, foi correspondente internacional dos jornais Zero Hora e O Estado de S. Paulo na Noruega, onde cobriu a entrega do Prêmio Nobel da Paz, e colaborou com a Revista Voto. Na UFRGS, presidiu o Diretório Central dos Estudantes.

Nesse período, cofundou a Argumento Consultoria, voltada à formação de líderes e à consultoria em relações internacionais, com atuação no Brasil e nos Países Baixos.

O mandato estadual e os primeiros projetos de lei

Eleito deputado estadual em 2014 com 35.345 votos, van Hattem assumiu o mandato em fevereiro de 2015 e se tornou o parlamentar mais jovem da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul naquela legislatura. Uma de suas primeiras decisões foi abrir mão do aumento salarial aprovado em 2014: durante todo o mandato, devolveu mensalmente cerca de R$ 3,8 mil aos cofres públicos, valor redirecionado ao fundo de reaparelhamento da Casa.

Foi na Assembleia que apresentou projetos que passaram a definir sua agenda. O PL 61/2016, conhecido como "Presos Pagam a Conta", propôs que condenados em regime fechado e semiaberto indenizem o Estado pelos custos da estrutura carcerária, com o valor destinado ao fundo penitenciário. O PL 335/2015 determinou a divulgação dos valores pagos em anúncios e patrocínios públicos. O PL 190/2015 instituiu o programa Escola sem Partido no sistema estadual de ensino, proposta que dividiu o setor educacional e recebeu nota contrária do Conselho Estadual de Educação do Rio Grande do Sul. Já a PEC 240/2015 condicionou a criação de estatais a plebiscito e a estudo de impacto orçamentário.

Em 2016, teve participação ativa nas manifestações pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff e defendeu publicamente o desembarque do PP, seu partido na época, da base do governo.

Liderança do Novo e atuação na Câmara dos Deputados

Em 2018, van Hattem deixou o PP e disputou a Câmara dos Deputados pelo Partido Novo. Foi o deputado federal mais votado do Rio Grande do Sul naquele ano, com 349.855 votos, e no primeiro mandato foi escolhido líder da bancada do Novo, além de vice-líder do partido na Casa. Em 2022, foi reeleito com 256.913 votos.

No Congresso, consolidou-se como uma das principais vozes de oposição ao governo Lula e como crítico recorrente do Supremo Tribunal Federal. É autor do pedido de criação da CPI do Abuso de Autoridade e relatou na Comissão de Constituição e Justiça o parecer favorável à PEC que impede decisões monocráticas de ministros do STF de suspender leis aprovadas pelo Congresso. Também assinou projetos como o que endurece a progressão de pena para condenados por crimes hediondos e a proposta incorporada ao PL Antifacção que impede presos provisórios de votar. Desde 2019, é vice-presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Prisão após Condenação em Segunda Instância.

Na economia, defende a redução da carga tributária, a securitização das dívidas dos produtores rurais e a anulação do leilão de arroz importado promovido em 2024. Emendas, projetos e votações do mandato podem ser consultados no perfil oficial na Câmara dos Deputados; para acompanhar a atuação e as posições públicas, ele mantém o site oficial e o canal no YouTube.

Livros: liberdade, fé e a defesa da política

Van Hattem também construiu uma obra editorial própria. Em 2018, publicou Somos nós com uma voz: do megafone à tribuna, pela LVM Editora, livro que reconstrói como ideias liberais e conservadoras foram defendidas nas tribunas parlamentares ao longo de mais de dois séculos, passando por nomes como Edmund Burke, Alexis de Tocqueville, Joaquim Nabuco, Rui Barbosa, Winston Churchill, Roberto Campos e Margaret Thatcher.

Em 2021, lançou Política é coisa do diabo?, escrito em parceria com Tiago J. Albrecht e com prefácio de Franklin Ferreira, pela Editora Concórdia. O livro dialoga com o universo cristão sobre a participação do fiel na vida pública, tema ligado à própria criação luterana do parlamentar. Já em Churchill: o homem certo na hora certa, obra coletiva organizada por Ricardo Sondermann e publicada pela LVM Editora em 2025, van Hattem figura entre os autores creditados da edição.

Reconhecimentos e embates públicos

No Ranking dos Políticos, que avalia o desempenho de parlamentares brasileiros, recebeu o Prêmio Excelência Parlamentar nos anos de 2023, 2024, 2025 e 2026. Também foi condecorado com a Ordem de Rio Branco, no grau de Grande Oficial, e com a Ordem do Mérito Militar.

Em setembro de 2014, durante a campanha para deputado estadual, um episódio no Parque da Redenção, em Porto Alegre, ganhou repercussão: van Hattem abordou a então candidata Maria do Rosário com um megafone e a acusou de "defender bandidos". O caso foi repudiado pela campanha da adversária e criticado pelo presidente do PP gaúcho na época.

Em novembro de 2024, a Polícia Federal o indiciou por calúnia e injúria após críticas feitas em plenário a um delegado responsável por inquéritos supervisionados pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A corporação considerou que o parlamentar fez acusações graves contra o delegado.

O que muda com o mandato no Senado

Com a eleição de outubro de 2026, van Hattem passa a integrar o Senado Federal em um mandato de oito anos, que começa em 1º de fevereiro de 2027. A campanha foi construída sobre a defesa do Rio Grande do Sul — com bandeiras como segurança pública, redução de impostos e apoio ao agronegócio — e sobre a crítica ao ativismo judicial, tema que o acompanha desde o primeiro mandato na Câmara.

Van Hattem chega ao Senado como um dos nomes de maior visibilidade do Partido Novo no Rio Grande do Sul. A página de autoridades da política reúne outras trajetórias parlamentares e lideranças do debate público brasileiro.

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