Marília Aparecida Campos foi eleita senadora por Minas Gerais em 4 de outubro de 2026, com 3.990.864 votos, o equivalente a 19,44% dos votos válidos — a segunda mulher a conquistar uma cadeira do estado no Senado Federal em mais de dois séculos de história da Casa. A posse está prevista para 1º de fevereiro de 2027, quando ela assume um mandato de oito anos ao lado de Domingos Sávio, o candidato mais votado da disputa mineira.
Antes de chegar a Brasília, Marília construiu uma trajetória de três décadas de vida pública ancorada quase toda em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, cidade que governou por quatro mandatos. Psicóloga formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e nascida em Ouro Branco, no interior mineiro, ela entrou na política pela militância sindical e estudantil e se consolidou como uma das principais lideranças do Partido dos Trabalhadores em Minas Gerais.
Da militância estudantil ao sindicato dos bancários
Nascida em 14 de setembro de 1961, em Ouro Branco, Marília se aproximou da política ainda jovem, pelo movimento estudantil na região do Triângulo Mineiro. Foi nesse ambiente que participou da fundação do PT e da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Triângulo, no início dos anos 1980 — filiação partidária que mantém até hoje.
Na década de 1990, já formada em Psicologia pela UFMG, presidiu o Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte e Região por duas gestões. A passagem pela direção sindical a projetou para a disputa eleitoral: em 1996, ela disputou pela primeira vez a prefeitura de Contagem e terminou em terceiro lugar, com 43.935 votos.
Como começou a carreira política em Contagem
Quatro anos depois, em 2000, foi eleita vereadora de Contagem com 3.463 votos, a candidata mais votada do PT no município. No Legislativo municipal, permaneceu até o início de 2003, quando renunciou ao cargo para assumir o mandato de deputada estadual na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, para o qual foi eleita em 2002 com 45.625 votos.
Em 2004, voltou a disputar a prefeitura de Contagem e venceu o então prefeito Ademir Lucas (PSDB) no segundo turno, com 183.515 votos. A vitória marcou o início de um ciclo de dois mandatos consecutivos à frente do Executivo municipal: em 2008, foi reeleita em novo segundo turno contra o mesmo adversário, com 174.198 votos.
Os quatro mandatos na prefeitura de Contagem
Entre 2005 e 2013, Marília Campos comandou a prefeitura de Contagem, um dos maiores municípios de Minas Gerais. Na primeira passagem pelo Executivo municipal, a administração recebeu reconhecimentos ligados à gestão pública, como o Prêmio Sebrae Prefeito Empreendedor (2009/2010) e o Prêmio Objetivos do Milênio (2010).
Depois de deixar a prefeitura, foi eleita novamente deputada estadual em 2014 e reeleita em 2018. No Legislativo estadual, integrou comissões de educação, seguridade social, direitos humanos e direitos das mulheres, e participou de debates sobre o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e a ampliação da mobilidade urbana no estado.
Em 2020, voltou à prefeitura de Contagem ao vencer o segundo turno com 147.768 votos. Nos mandatos da década de 2020, passou a defender com mais ênfase a revisão do pacto federativo e uma repactuação na distribuição de recursos para as cidades — bandeira que carrega desde a primeira passagem pelo Executivo. Em 2024, foi reeleita em primeiro turno com 188.228 votos, 60,68% dos votos válidos, chegando ao quarto mandato. Em 2025, durante sua gestão, Contagem venceu o Prêmio Transparência e Fiscalização Pública, concedido pela Câmara dos Deputados na categoria Governamental Municipal.
A sequência de mandatos pode ser organizada assim:
- 2001–2003 — vereadora de Contagem;
- 2003–2004 — deputada estadual em Minas Gerais;
- 2005–2013 — prefeita de Contagem em dois mandatos consecutivos;
- 2015–2020 — deputada estadual em outros dois mandatos;
- 2021–2026 — prefeita de Contagem por mais dois mandatos, até a renúncia para disputar o Senado;
- 2026 — eleita senadora por Minas Gerais.
A renúncia e a eleição ao Senado em 2026
Em 26 de março de 2026, Marília Campos renunciou à prefeitura de Contagem para disputar uma das duas vagas de Minas Gerais no Senado Federal. O cargo foi transmitido ao vice-prefeito Ricardo Faria (PSD). Na campanha, teve o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e chegou a ser cotada pelo PT para disputar o governo mineiro, mas manteve a candidatura ao Senado — que, segundo ela, era sua "única disponibilidade política" para aquele ano.
Na disputa, defendeu a ampliação da presença feminina na política e fez campanha em parceria com Áurea Carolina (PSOL), que concorreu à outra vaga. Com 100% das urnas apuradas, foi eleita com 3.990.864 votos e se tornou a segunda mulher eleita senadora por Minas Gerais — a primeira foi Júnia Marise, que ocupou uma cadeira entre 1991 e 1998.
Na entrevista após a vitória, Marília defendeu um "grande pacto por Minas Gerais" e disse que vai trabalhar pela renegociação da dívida do estado com a União, com medidas adicionais ao Propag, o programa de renegociação das dívidas dos estados, além de manter diálogo com os demais senadores e com o governador eleito, Cleitinho Azevedo.
O que a senadora eleita promete priorizar
A experiência acumulada em quatro mandatos como prefeita é o principal argumento que Marília usa ao responder às críticas ao PT no plano federal: ela afirma que pretende apresentar aos eleitores o trabalho realizado em Contagem. No Senado, anunciou prioridade para políticas públicas que garantam amparo e proteção a mulheres vítimas de violência em todas as regiões do estado, além de buscar recursos para gerar mais empregos, investimentos e oportunidades para os mineiros.
Na agenda federativa, mantém a defesa de maior autonomia para os municípios e da revisão do pacto federativo, tema que passou a ocupar seus discursos desde o retorno à prefeitura. Para ela, a distribuição de recursos entre União, estados e municípios precisa ser repactuada para que as cidades tenham condições de financiar políticas próprias.
Onde acompanhar Marília Campos
Marília Campos mantém comunicação direta com o público por meio de X, Instagram, Facebook e TikTok, além de um perfil no Threads e do registro da trajetória no site do PT. A partir da posse, o trabalho no Senado passará a ser acompanhado nos canais oficiais do Congresso.
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