Quando o futebol feminino ainda era tratado como nota de rodapé no Brasil, uma menina de Dois Riachos, no interior de Alagoas, já disputava espaço na rua com os meninos e treinava o olhar de quem não aceita o papel de coadjuvante. Décadas depois, o nome Marta cabe sozinho no cartaz: seis vezes eleita a melhor jogadora do mundo, camisa 10 da Seleção e referência permanente de quem busca a maior artilheira da história da canarinha — entre homens e mulheres.
Marta Vieira da Silva nasceu em 19 de fevereiro de 1986 e construiu a carreira entre Alagoas, o Vasco da Gama, a Suécia, os Estados Unidos e a camisa amarela. Quem chega até aqui quer a biografia da Rainha do futebol: origem nordestina, títulos de clube e seleção, recordes em Copa do Mundo, medalhas olímpicas, a vida no Orlando Pride e a presença pública como embaixadora da ONU Mulheres.
Quem é Marta Vieira da Silva
Marta é ponta-esquerda e meio-campista de formação, conhecida mononimamente pelo primeiro nome. Atua no Orlando Pride, clube da National Women's Soccer League (NWSL) nos Estados Unidos, e é capitã da Seleção Brasileira de futebol feminino em ciclos recentes. A imprensa e o público a chamam de Rainha; o sobrenome Vieira da Silva completa a ficha, mas raramente aparece sozinho no dia a dia dos estádios.
O que a separa de outras craques da geração não é só o volume de prêmios. Marta carrega o peso de ter sido, por longos períodos, a cara mais reconhecível do futebol de mulheres no Brasil e a principal ponte entre a expectativa da torcida e o nível de elite mundial. Em 2009, a Revista Época a listou entre os 100 brasileiros mais influentes do ano — sinal de que o alcance já extrapolava a página de esporte.
Origem em Dois Riachos e o começo no futebol
Dois Riachos, no sertão alagoano, é o ponto de partida. Criada pela mãe, Marta cresceu longe dos centros de formação que formam a maior parte das atletas de elite. O futebol entrou cedo, no chão de terra e nas partidas com meninos — ambiente que exigia técnica, velocidade e coragem social. A altura próxima de 1,62 m nunca foi obstáculo: o drible curto, a visão de jogo e o chute de esquerda viraram assinatura.
O primeiro clube juvenil foi o Centro Sportivo Alagoano (CSA), em 1999. Em 2000, ainda adolescente, chegou ao Vasco da Gama, onde iniciou a trajetória profissional. Passou também pelo Santa Cruz-MG antes da grande virada europeia: a transferência para o Umeå IK, da Suécia, que a projetou no mapa do futebol feminino mundial e abriu a sequência de prêmios individuais.
Carreira em clubes: da Suécia aos Estados Unidos
No Umeå, entre 2004 e 2009, Marta virou artilheira e protagonista de títulos continentais e nacionais. A passagem sueca solidificou o apelido de fenômeno e a preparou para a liga profissional dos Estados Unidos. Em 2009, foi para o Los Angeles Sol, onde foi artilheira da liga e ajudou o time ao vice-campeonato. No mesmo ciclo, vestiu a camisa do Santos por empréstimo e somou títulos domésticos e a Copa Libertadores Feminina.
A sequência norte-americana e europeia seguiu densa: FC Gold Pride (campeão e artilharia), retorno ao Santos, Western New York Flash, Tyresö FF e FC Rosengård na Suécia. Em 2017, fechou com o Orlando Pride. Desde então, tornou-se a referência ofensiva e de liderança do clube da Flórida, com dezenas de gols e assistências e presença contínua na NWSL — liga que passou a ser o endereço estável da fase madura da carreira.
- Brasil (formação e início): CSA, Vasco da Gama e Santa Cruz-MG
- Suécia: Umeå IK, Tyresö FF e FC Rosengård
- Estados Unidos: Los Angeles Sol, FC Gold Pride, Western New York Flash e Orlando Pride
- Retornos ao Santos: títulos nacionais e Libertadores Feminina em janelas de empréstimo e retorno
Seleção Brasileira, Copas e Olimpíadas
Pela Seleção, Marta ultrapassou a marca de 200 jogos e consolidou-se como a maior artilheira da história do Brasil no futebol de campo, somando homens e mulheres. O recorde de gols pela amarelinha é um dos números mais buscados por quem compara gerações: a Rainha não disputa o mesmo calendário nem o mesmo investimento histórico do masculino, e mesmo assim ocupa o topo absoluto da tabela de artilharia da canarinha.
Na Copa do Mundo Feminina, marcou gols em cinco edições diferentes — feito inédito entre homens e mulheres — e chegou a 17 gols no torneio, tornando-se a maior artilheira da história das Copas do Mundo de futebol (considerando os dois naipe). Em 2007, foi vice-campeã mundial com o Brasil na China. Na Copa América Feminina, colecionou ouros em 2003, 2010, 2018 e 2025.
Nos Jogos Olímpicos, somou três medalhas de prata: Atenas 2004, Pequim 2008 e Paris 2024. Também foi ouro nos Pan-Americanos de Santo Domingo 2003 e Rio 2007. O ciclo olímpico de 2024 reforçou um ponto que a biografia nunca escondeu: a carreira longa, com regularidade de elite, é parte do legado tanto quanto os gols de juventude.
Seis vezes a melhor do mundo e o reconhecimento da IFFHS
Entre 2006 e 2010, Marta venceu o prêmio de melhor jogadora do mundo pela FIFA em cinco anos consecutivos — sequência sem paralelo no futebol, masculino ou feminino. Em 2018, voltou a ser eleita, fechando o hexacampeonato individual. A Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS) a elegeu a melhor jogadora da história, selo que ecoa o consenso de técnicos, adversárias e torcida.
Esses prêmios não caíram do nada: vieram de gols decisivos, de finais europeias, de noites de seleção e de uma presença ofensiva que forçou o mercado e a mídia a olhar o futebol de mulheres com outra lente. Quando o assunto é “maior da história”, o nome Marta entra na conversa sem aspas de cortesia.
Estilo de jogo e o que a torna diferente
Marta combina condução curta, mudança de ritmo e finalização de esquerda com a capacidade de driblar em espaços apertados. Joga aberta pela ponta ou por dentro, como meia ofensiva que busca o gol e o passe decisivo. Não é só a velocidade do drible: é a leitura de quando acelerar e quando esperar o companheiro de ataque. Em clubes e seleção, virou o ponto de referência tática — a bola procura a camisa 10.
A carreira longeva no Orlando Pride e nas convocações recentes mostra adaptação: menos explosão pura de juventude, mais posicionamento, liderança de vestiário e gols em momentos-chave. Para quem acompanha a NWSL e a Seleção, o espetáculo muda de forma, mas a identidade ofensiva permanece.
Presença pública, redes e embaixada da ONU Mulheres
Fora de campo, Marta é embaixadora da boa vontade da ONU Mulheres, com pauta de igualdade de gênero e valorização do esporte feminino. O perfil oficial no Instagram, @martavsilva10, reúne a rotina de treinos, a camisa do Orlando Pride e a Seleção. A ficha do clube e as páginas olímpicas oficiais completam o circuito de quem quer acompanhar a atleta sem depender de rumor de bastidor.
Não há, de forma pública estável, um “site pessoal” no estilo de marca de influencer: a presença se organiza em clube, seleção, redes e agendas institucionais. Isso importa para quem pesquisa a autoridade com seriedade — a fonte primária da carreira continua sendo o gramado e os registros oficiais de jogos, não um funil de curso ou mentoria.
Como acompanhar a carreira da Rainha
Para quem quer seguir Marta com precisão, o caminho prático é cruzar a temporada da NWSL com as datas da Seleção Brasileira e os grandes torneios de confederações. A página do Orlando Pride concentra estatísticas e notícias de clube; o Instagram oficial mostra o dia a dia; as páginas do Comitê Olímpico e de competições internacionais guardam o histórico de medalhas e convocações.
- Jogos e estatísticas de clube no Orlando Pride (NWSL)
- Convocações e partidas da Seleção Brasileira feminina
- Instagram oficial @martavsilva10
- Histórico olímpico e de Copas em fontes oficiais de competição
Entre as atletas brasileiras de elite já reunidas neste diretório — de ginástica a MMA — Marta ocupa o lugar central do futebol feminino: a autoridade que alguém busca quando a pergunta é “quem define o padrão do esporte no Brasil”.

