Otaviano Pivetta é governador de Mato Grosso desde 31 de março de 2026, quando assumiu o Palácio Paiaguás após a renúncia de Mauro Mendes, que deixou o cargo para disputar uma vaga no Senado. Em outubro do mesmo ano, foi reeleito no primeiro turno com 60,82% dos votos, mais de um milhão de votos. Antes de chegar ao comando do estado, construiu uma trajetória que atravessa o agronegócio e a política: foi três vezes prefeito de Lucas do Rio Verde, deputado estadual e vice-governador por dois mandatos.
Conhecido como Pivetta, ele é produtor agropecuário antes de ser político, e essa origem marca a forma como administra e como é visto em Mato Grosso. Nasceu em Caiçara, no interior do Rio Grande do Sul, migrou para o norte mato-grossense no início dos anos 1980 e fez da produção de grãos a base de um patrimônio que o coloca entre os políticos mais ricos do Brasil.
Origem no Rio Grande do Sul e chegada a Mato Grosso
Otaviano Olavo Pivetta nasceu em 10 de maio de 1959, em Caiçara (RS). É o terceiro dos sete filhos de Tilidio José Pivetta, caminhoneiro que também foi prefeito, e de Margarida Gelmina Faccin Pivetta, professora e catequista.
Em 1982, mudou-se para Lucas do Rio Verde, no norte de Mato Grosso, onde passou a se dedicar à agricultura. Investiu na produção de arroz, soja, algodão, milho, suínos e bovinos e, com o crescimento dos negócios, fundou a Vanguarda do Brasil, empresa de produção de grãos que em 2011 foi incorporada ao grupo Vanguarda Agro. Segundo o perfil mantido pelo Republicanos, partido ao qual é filiado desde 2022, Pivetta é pai de seis filhos e avô de quatro netos.
De produtor rural a prefeito de Lucas do Rio Verde
A entrada na política veio pela gestão municipal. Em 1997, assumiu pela primeira vez a prefeitura de Lucas do Rio Verde, foi reeleito em 2000 e voltou ao cargo em 2013, para um terceiro mandato. No intervalo, foi deputado estadual por Mato Grosso, entre 2007 e 2010.
Na prefeitura, implantou um sistema de gestão por resultados, com metas e indicadores, modelo que a administração municipal associa à melhora da cidade em áreas como educação, saúde, habitação e saneamento. Em 2015, recebeu o Prêmio Prefeito Empreendedor, do Sebrae, pelo projeto "Ecoponto e Sistema de Coleta Mecanizada", na categoria Inovação e Sustentabilidade. Deixou o cargo em 2016, ao fim do terceiro mandato.
- Prefeito de Lucas do Rio Verde (1997–2004)
- Deputado estadual por Mato Grosso (2007–2010)
- Prefeito de Lucas do Rio Verde (2013–2016)
- Vice-governador de Mato Grosso (2019–2026)
- Governador de Mato Grosso (desde março de 2026)
Vice-governador e governador de Mato Grosso
Em 2018, Pivetta foi eleito vice-governador na chapa de Mauro Mendes e assumiu o posto em 1º de janeiro de 2019. A dupla foi reeleita em 2022, e ele permaneceu na Vice-Governadoria até março de 2026, quando Mendes renunciou ao governo para concorrer ao Senado. A posse de Pivetta como governador ocorreu em 31 de março de 2026, em cerimônia na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, seguida da transmissão da faixa e da posse dos novos secretários de Estado.
Em 4 de outubro de 2026, pouco mais de seis meses depois de assumir, foi reeleito governador no primeiro turno com 60,82% dos votos, resultado confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral. A trajetória acompanha um movimento de continuidade no comando de vários estados, como no caso de Eduardo Riedel, reeleito em Mato Grosso do Sul, e pode ser comparada em outros perfis de política.
O que marca a gestão no governo do estado
À frente do Executivo estadual, Pivetta tem sinalizado uma agenda de ajuste e redução da estrutura do Estado. Em outubro de 2026, usou as redes sociais para convidar a população a apontar onde é possível cortar gastos, defendendo uma máquina pública mais enxuta e eficiente. A iniciativa ocorre em um estado com economia agroexportadora forte, mas com pressão constante por equilíbrio das contas públicas.
Na área ambiental, o governador enviou à Assembleia Legislativa um projeto de lei para criar a Companhia Mato-grossense de Ativos Ambientais S.A. (CMAA), sociedade de economia mista vinculada à Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). A proposta prevê capital inicial de R$ 2 milhões e a negociação de créditos de carbono, metano e outros gases, com o objetivo declarado de captar investimentos nacionais e internacionais e firmar parcerias com o setor privado. Em infraestrutura, autorizou um pacote adicional de R$ 85 milhões em obras para Cuiabá e Várzea Grande.
Patrimônio, agronegócio e o debate ambiental
Antes de voltar ao governo, Pivetta já aparecia entre os políticos mais ricos do Brasil. Na eleição de 2026, declarou R$ 575,7 milhões em bens à Justiça Eleitoral, o maior patrimônio entre os governadores eleitos, segundo levantamento do Diario de Cuiabá com dados do Tribunal Superior Eleitoral. A maior parte da fortuna vem do agronegócio, com a produção de grãos em Mato Grosso.
A origem rural também coloca o governador no centro de um debate sensível no estado. Uma multa aplicada em 2010 pela Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso por uso de fogo em área agropastoril em Lucas do Rio Verde, no valor original de R$ 46,6 mil, segue em disputa judicial e já passa de R$ 240 mil com a correção. A área era explorada pela Vanguarda do Brasil, e a Justiça negou em 2023 o pedido de anulação; o caso aguarda julgamento de recurso no Superior Tribunal de Justiça. A assessoria de Pivetta afirma que o incêndio foi provocado por terceiros e que ele não era proprietário da área na época.
Onde acompanhar Otaviano Pivetta
O governador mantém presença nas redes sociais, onde divulga agenda, decisões e comunicados do governo. O perfil verificado no Instagram (@otavianopivetta) e a página no Facebook concentram as publicações mais recentes. Há ainda um perfil mantido em seu nome no X, antigo Twitter, e o portal do Governo de Mato Grosso, que reúne as informações institucionais do Executivo estadual.

