No dia 31 de outubro de 2014, Patrícia Poeta fechou o Jornal Nacional ao lado de William Bonner e deixou a bancada que ocupava desde 6 de dezembro de 2011. Oito anos depois, o mesmo nome abria as manhãs da TV Globo no Encontro, no lugar de Fátima Bernardes. Em 15 de setembro de 2026, ela atravessou a passarela da New York Fashion Week pela maison Valerian Hughes Paris. Quem procura a apresentadora hoje não acha a âncora das 20h: acha uma jornalista que trocou o telejornal diário pelo estúdio matinal e, mesmo assim, segue dizendo que o ofício não saiu dela.
Patrícia Poeta Pfingstag nasceu em 19 de outubro de 1976 em São Jerônimo, na Região Metropolitana de Porto Alegre. É filha dos advogados Ivo Barcellos Pfingstag e Maria de Fátima Poeta Pfingstag e a mais velha de três irmãs: Paula foi para a advocacia e Paloma para o jornalismo. Formou-se em Comunicação Social pela PUC-RS em 1998, na Famecos. O trajeto até a Globo de São Paulo, em 2000, passou por uma TV comunitária de Porto Alegre, pela Band gaúcha e por um teste de previsão do tempo de madrugada.
Como a previsão do tempo virou porta de entrada
No site que ela mantém, a história começa antes do contrato. Houve estágio não remunerado numa TV comunitária. Lígia Tricot, professora na faculdade, chamou-a para a TV Bandeirantes do Rio Grande do Sul. Ali cobriu férias de repórteres e, em seguida, apresentou o telejornal do almoço. Depois de cerca de um ano, mandou uma fita para emissoras de São Paulo. O teste que vingou foi o da previsão do tempo no Bom Dia Brasil.
A mudança para a capital paulista, em 2000, tinha horário de redação, não de camarim. Ela conta que acordava às três da manhã e, às quatro, já estava na Globo escrevendo o boletim com o meteorologista. No ano seguinte dividiu o SPTV da primeira edição com Chico Pinheiro e, aos sábados, o Jornal Hoje. Em fevereiro de 2002, ainda no SPTV, produziu a série Visões do Carandiru, gravada na semana anterior à implosão do presídio, com presos e com quem trabalhava no complexo.
O que a correspondência em Nova York mudou no ofício
Casou-se em 28 de julho de 2001, em São Paulo, com Amauri Soares, então diretor de jornalismo da Globo na cidade. A biografia publicada por ela situa em 2003 o convite para a correspondência em Nova York. A primeira matéria no Jornal Nacional, segundo esse relato, foi uma entrevista com Gilberto Gil, ministro da Cultura, na sede da ONU. Dali saíram também peças para o Fantástico. A primeira entrevista com uma estrela de cinema foi com Tom Cruise. No mesmo período ela conversou com Julia Roberts, Tom Hanks, Leonardo DiCaprio e Steven Spielberg.
Enquanto correspondia, apresentava Planeta Brasil e Cidadão Global na Globo Internacional, exibidos para mais de 60 países. Depois interrompeu o vínculo com a emissora para cursar pós-graduação em cinema na Universidade de Nova York. Atuou em curtas e dirigiu outros. O texto do site marca a volta ao Brasil em 2007. A estreia no ar, já de novo na Globo, tem data fechada: 6 de janeiro de 2008, no Fantástico, no lugar de Glória Maria, em dupla com Zeca Camargo.
No dominical ela misturou bancada e reportagem. Em novembro de 2008 ancorou de Santa Catarina na cobertura das chuvas. No ano seguinte, uma entrevista exclusiva com Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella Nardoni, rendeu o Prêmio Rede Globo de grande furo de reportagem. Em 11 de setembro de 2011, o Fantástico saiu de Nova York pelos dez anos dos atentados, e o programa levou também uma entrevista exclusiva com Dilma Rousseff. Quadros como O Cupido e Anjo da Guarda ocuparam essa fase.
Por que o Jornal Nacional ainda define a busca pelo nome
Substituir Fátima Bernardes na bancada ao lado de William Bonner era o teste público mais exposto da carreira. A estreia foi em 6 de dezembro de 2011. Ela também passou a apresentar a edição vespertina do Globo Notícia. Fora do estúdio, ancorou em janeiro de 2012 o telejornal no centro do Rio, no dia seguinte ao desabamento de três prédios. A cobertura recebeu indicação ao Emmy de Jornalismo no ano seguinte. Em março de 2013 esteve no Vaticano na eleição do papa Francisco e, depois, na Jornada Mundial da Juventude no Rio.
Nas manifestações de junho de 2013, segurou sozinha um trecho longo da narração ao vivo, quando o jornal saiu da escalada e entrou na rua. Em 2014 acompanhou a Seleção na Copa do Mundo e, no jogo contra a Alemanha, apresentou o Jornal Nacional com Galvão Bueno direto do Mineirão. No mesmo ano entrevistou os principais candidatos à Presidência.
A saída da bancada
O último jornal nessa cadeira foi em 31 de outubro de 2014. A Globo tinha anunciado a mudança semanas antes e tratou o ciclo de quase três anos como prazo já previsto, com a perspectiva de um programa próprio. Ricardo Feltrin, na Folha, e Daniel Castro, no UOL, publicaram na época leituras diferentes sobre o clima entre a apresentação, a direção de jornalismo e a Central de Programação. No texto do site dela, o balanço cabe em três anos com eleição, Copa e visita do papa, e na vontade de procurar outros formatos de televisão.
O que o Encontro herdou dessa bancada
O programa próprio demorou. Em 8 de agosto de 2015 ela entrou no É de Casa, matinal de variedades, e ficou até 2022. No caminho, a partir de 1º de maio de 2017, passou a substituir eventualmente Ana Maria Braga no Mais Você. Desde junho de 2018 fez o mesmo no Encontro com Fátima Bernardes. Houve também aparições pontuais: uma participação como ela mesma em Salve-se Quem Puder, em 2021, e um lugar de jurada convidada no The Masked Singer Brasil, em 2022.
A cadeira fixa veio em 2022, quando assumiu o Encontro com Patrícia Poeta. No começo dividiu o comando com Manoel Soares. Ele deixou a Globo em 2023. O programa seguiu com o nome dela. Em setembro de 2026, o gshow ainda a descrevia no palco do matinal, de volta de Nova York no dia seguinte ao desfile. Em maio daquele ano, a Gazeta de São Paulo registrou a frase que ela usa para explicar a troca de gênero: mesmo sem o hard news, não deixaria de ser jornalista.
O formato que ela descreve é o de conversa com especialista, convidado e plateia, não o de escalada de telejornal. No fim de 2025, contou à CARAS que o Encontro tinha feito seis viagens naquele ano, depois de começar com uma só. A ida para fora do estúdio é parte do que o público encontra quando procura a atração hoje: serviço, entrevista e cidade, não só o sofá fixo.
Moda, marca própria e a passarela de 2026
A relação com a moda é anterior à passarela. Em 2021, a Pequenas Empresas Grandes Negócios noticiou o e-commerce da marca PPoeta, com estreia marcada para 12 de maio daquele ano. A linha anunciada reunia roupa, beleza, beachwear, calçado e acessório, com parcerias como Liquido, Zeferino e Mônica Di Creddo. Ela dizia que nada saía sem a aprovação dela. A marca nasceu enquanto ainda apresentava o É de Casa.
O gesto mais visível veio quinze anos depois da saída do Jornal Nacional. Em 15 de setembro de 2026, estreou como modelo na New York Fashion Week e fechou o desfile da Valerian Hughes Paris ao lado de Dominique Jackson. A trilha foi do filho, o DJ Felipe Poeta. A preparação de passarela, segundo o gshow, tinha começado cerca de um mês antes com Dinho Batista. No mesmo 2026, em maio, recebeu em Cannes o Lifetime Achievement Award do Global Short Film Awards, homenagem ligada à trajetória na televisão e ao Encontro.
O que a vida fora da bancada permite afirmar
O casamento com Amauri Soares durou dezesseis anos. O divórcio foi anunciado em junho de 2017, sem um relato público detalhado dos motivos. O filho Felipe nasceu em 2002. Em 2026 ele aparece na cobertura do desfile como DJ e produtor da trilha, não como nota de revista de família. Entre janeiro e agosto de 2018 ela namorou o médico Fabiano Serfaty. A Wikipédia registra residência em São Paulo, com trabalho também no Rio de Janeiro e em Nova York.
- 2000: previsão do tempo na Globo de São Paulo, inclusive no Bom Dia Brasil
- 2001–2002: SPTV da primeira edição, com Chico Pinheiro, e Jornal Hoje aos sábados
- 2008–2011: Fantástico, depois de Glória Maria, com Zeca Camargo
- 2011–2014: Jornal Nacional, com William Bonner, no lugar de Fátima Bernardes
- 2015–2022: É de Casa
- Desde 2022: Encontro com Patrícia Poeta
Os prêmios que o próprio site lista ajudam a separar fase de fase. O Brazilian Award de 2004 veio pela apresentação de Planeta Brasil. O Troféu Melhores do Ano do Domingão do Faustão, na categoria jornalista, é de 2008. Veja Rio elegeu-a Carioca do Ano em 2009. A revista Seleções Reader's Digest apontou-a apresentadora mais confiável do país em 2010, 2011 e 2012. Houve homenagem no Festival Mundial de Publicidade de Gramado em 2013 e a Medalha Farroupilha em 2014, ano em que também deixou o Jornal Nacional.
A bancada com Bonner, a manhã do Encontro e o desfile de 2026 respondem perguntas diferentes e convivem no mesmo nome. A gaúcha de São Jerônimo que escrevia a previsão às quatro da manhã ainda apresenta um programa ao vivo e, em 2026, atravessou uma passarela com a trilha do filho.

