Antes de virar nome de busca e de arquivo de notícia, PC Siqueira era o cara do “mas poxa vida”: câmera na cara, opinião sem filtro e um jeito de falar da internet que ainda cheirava a quarto de jovem e a Campus Party. Paulo Cezar Goulart Siqueira nasceu em Guarulhos em 18 de abril de 1986 e morreu em São Paulo em 27 de dezembro de 2023, aos 37 anos. Entre um ponto e outro, virou um dos rostos da primeira geração de youtubers brasileiros e levou esse tom de vlog para a MTV Brasil, a PlayTV e o TBS.
Quem procura o nome dele hoje costuma chegar com três perguntas grudadas: quem foi de fato, o que fez no auge e o que se sabe — com fonte — sobre as acusações de 2020 e sobre a morte. Este perfil junta a trajetória pública, os canais, a passagem pela TV e o contexto documentado, sem transformar a biografia em vitrine nem em tribunal.
Quem foi PC Siqueira
PC Siqueira ficou conhecido pelo canal maspoxavida, criado em fevereiro de 2010 no YouTube. Os vídeos misturavam comentário de atualidade, humor ácido e opinião pessoal. Antes da exclusão do canal em 2020, a conta chegou a mais de 2 milhões de inscritos. A imprensa e a própria memória da web o colocam entre os grandes vlogueiros da chamada primeira geração de criadores no Brasil.
O apelido “PC” veio do nome completo. Em público, ele também se apresentou como ilustrador e colorista de histórias em quadrinhos desde a adolescência, aos quinze anos — um começo menos badalado do que a fama digital, mas que ajuda a entender o olhar de quem sempre orbitou cultura pop, nerdice e imagem.
Infância, bullying e o começo fora da escola formal
Relatos biográficos públicos apontam que, na infância, ele sofreu bullying por causa do estrabismo e acabou sendo alfabetizado em casa. Em 2016, já famoso, fez cirurgia para corrigir o desalinhamento ocular e falou abertamente do impacto na autoestima. No mesmo período, gravou vídeos em que descreveu conviver com depressão, ansiedade e síndrome do pânico — temas que, naquele momento da internet brasileira, ainda eram pouco tratados por criadores daquele porte.
Do YouTube à MTV e outras TVs
Em março de 2011, estreou na MTV Brasil o programa semanal PC na TV, com visual que simulava a tela de um computador: notícias, entrevistas e reportagens com cara de internet. Ainda na emissora, passou por atrações como MTV Games, Furo MTV e Nunca Verão. Em junho de 2013, com a crise da MTV Brasil, o programa foi cancelado e ele foi dispensado junto com outros apresentadores.
A TV não acabou aí. Em 2015, apresentou o Jorgecast com o youtuber Cauê Moura na PlayTV. Em 2016, integrou o humorístico Caravana no Ar no TBS Brasil. Em 2019, participou do reality O Aprendiz, sendo demitido no episódio 11. No cinema e em produções audiovisuais, apareceu em trabalhos como Internet – O Filme (como Joca), além de participações em longas e projetos listados em sua filmografia pública.
- Canal principal: maspoxavida / depois renomeado sob a marca PC Siqueira
- TV: MTV Brasil, PlayTV e TBS Brasil
- Séries de internet: Rolê Gourmet, Games & Dinos, Ilha de Barbados
- Reconhecimentos: indicação ao VMB 2010 (Webstar), prêmios de websfera e Shorty Awards 2013 (videoblogger)
Canais, parcerias e o ecossistema da internet
Além do vlog solo, PC manteve projetos em parceria. Rolê Gourmet (2012–2018) misturava culinária e humor com Otávio Albuquerque. Games & Dinos (2012–2015) falava de games com Diego Quinteiro. Entre 2017 e 2020, participou do Ilha de Barbados com Rafinha Bastos e Cauê Moura — projeto encerrado após as acusações de junho de 2020, quando os parceiros anunciaram a saída dele e o fim daquele formato.
No início da década de 2010, o nome de PC circulava no mesmo mapa de outros pioneiros do YouTube brasileiro. Em cobertura da época, aparece ao lado de figuras como Felipe Neto em debates sobre cultura pop e fama na web — um recorte de geração, não de “time” permanente.
Livro, saúde mental e a fase mais discreta
Em 2016, saiu o livro PC Siqueira está morto, assinado pelo jornalista Alexandre Matias (Suma de Letras), misturando traços de ficção e relatos sobre a vida digital do youtuber. A obra é um artefato da época em que PC ainda transitava entre vlog, TV e lançamentos culturais. Nos anos seguintes, especialmente a partir de 2020, ele reduziu a exposição, falou em seguir carreira como tatuador e manteve distância da mídia tradicional.
Acusações de 2020 e o que a polícia registrou
Em junho de 2020, PC Siqueira foi alvo de acusações graves de compartilhamento de material de abuso sexual infantil, a partir de gravações de tela e áudios divulgados por contas e jornalistas nas redes. Ele se defendeu no Instagram, chamando o episódio de fake news e de articulação criminosa. Prestou depoimento na 4.ª Delegacia de Proteção à Pessoa; no mesmo período, desativou o canal do YouTube e, meses depois, voltou à plataforma com o canal renomeado.
Em 24 de fevereiro de 2021, a Polícia Civil de São Paulo informou, após perícia da Superintendência da Polícia Técnico-Científica em computador, HD externo, celular e outros dispositivos, que não encontrou provas de armazenamento, compartilhamento ou pesquisa de pornografia infantil, nem de contato com menores de idade nos aparelhos analisados. Mesmo assim, o caso seguiu como ferida pública: linchamento virtual e perseguição online foram amplamente relatados na imprensa nos anos seguintes.
Morte em 2023
PC Siqueira foi encontrado morto em 27 de dezembro de 2023 no apartamento onde morava em Santo Amaro, zona sul de São Paulo. A certidão de óbito e informações do Instituto Médico Legal apontaram suicídio por enforcamento, com intoxicação associada a substâncias. Familiares e a polícia descreveram um contexto de término de relacionamento e de uso de drogas no dia. O corpo foi enterrado em 29 de dezembro de 2023, em cerimônia restrita no Cemitério Primavera 1, em Guarulhos.
Quem busca o nome dele depois da morte costuma cruzar nostalgia da era maspoxavida com o peso do caso de 2020 e com o debate sobre saúde mental de criadores. O perfil público que sobra é complexo: pioneiro do YouTube brasileiro, apresentador de TV, figura polêmica e, no fim, um caso que a imprensa ainda revisita.
Onde encontrar registros e redes
O Instagram público associado a ele é @pecesiqueira. O YouTube histórico do canal principal aparece sob a marca maspoxavida / PC Siqueira. Biografias de referência e cobertura jornalística (Wikipédia, Folha, UOL, Metrópoles, Estadão e outros) concentram a linha do tempo usada neste texto. Para a obra literária ligada à sua imagem pública, o volume PC Siqueira está morto permanece disponível em livrarias e marketplaces.



