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A mulher de Aleduma

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Romance de 1981 em que Aline França imagina uma ilha utópica de descendentes de Aleduma, ameaçada pelo turismo e pela cobiça de forasteiros.

Contexto e proposta de A mulher de Aleduma

A mulher de Aleduma é o romance que consolidou Aline França na ficção brasileira. Publicado em 1981, o livro imagina uma ilha onde os descendentes de Aleduma vivem em harmonia, sem preconceito nem exploração do trabalho alheio — até que forasteiros brancos decidem transformar o lugar em atração turística. A partir desse conflito, a autora constrói uma nova gênese para o povo negro, reescrevendo a história contada e a não contada.

O romance foi apresentado ao público durante o Encontro de Entidades Negras, promovido pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, e ganhou segunda edição em 1985. A recepção crítica foi decisiva para a carreira da autora: a revista nigeriana Ophelia, publicada em inglês e com circulação internacional, fez uma entrevista com Aline França e a colocou entre os precursores da literatura contemporânea no gênero "ficção em estilo surrealista".

“A mulher de Aleduma” também atravessou fronteiras fora da literatura. Em março de 1990, a autora participou da Feira Internacional do Livro de Bruxelas, na Bélgica, foi homenageada pela livraria Orfeu e apresentou o romance em seminários de associações femininas europeias e latino-americanas. Em 1984, a revista alemã IKA já havia publicado uma resenha sobre o livro.

Nas universidades, a obra continua rendendo estudos. O trabalho de conclusão de curso de Camila de Souza Gonçalves, apresentado na USP em 2023, propõe uma nova edição do romance a partir da ideia de imaginação de um futuro possível para a população negra — uma leitura que aproxima o texto das discussões atuais sobre afrofuturismo.

Para quem quer ler a obra hoje, as edições antigas estão esgotadas e o caminho mais prático é a busca em sebos, que a Estante Virtual concentra na página indicada ao lado.

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