Contexto e proposta de Cafundó – A África no Brasil
Cafundó – A África no Brasil: linguagem e sociedade é o estudo que Carlos Vogt escreveu com o antropólogo Peter Fry sobre a comunidade quilombola de Cafundó, no município de Salto de Pirapora, interior de São Paulo. Publicado em 1996 pela Editora da Unicamp em parceria com a Companhia das Letras, o livro examina a vida social e a linguagem de um grupo de famílias negras que mantém uma fala própria.
Essa fala é a cupópia, um criptoleto que combina a estrutura do dialeto caipira da região com um vocabulário de origem africana. Usada em situações especiais, quando os moradores não querem que estranhos entendam a conversa, ela é um dos casos documentados do contato entre línguas africanas e o português rural brasileiro.
Ao cruzar linguística e antropologia, o livro mostra como a história da escravidão e do pós-abolição continua inscrita na maneira de falar de uma comunidade. Vogt já vinha da semântica argumentativa e da fundação do IEL, na Unicamp; Peter Fry assina a parte antropológica. Dessa parceria saiu uma obra que circula tanto na antropologia quanto na sociolinguística.
O volume interessa a estudantes e pesquisadores de ciências sociais, linguística, história e estudos afro-brasileiros, além de professores que trabalham com diversidade linguística e educação quilombola. A Editora da Unicamp publicou uma nova edição do título, e o trabalho é um dos registros da cupópia e da vida social de Cafundó.




