Capitalismo superindustrial é o livro em que Fernando Haddad revisita e amplia estudos de economia política para discutir como o capitalismo contemporâneo chegou ao estágio que ele chama de superindustrial — marcado por desigualdade crescente, competição acirrada e centralidade da ciência e da técnica na produção.
Publicado em 2026 pela editora Zahar, com o subtítulo caminhos diversos, destino comum, o volume reúne textos elaborados desde os anos 1980 e 1990, revisados à luz da bibliografia posterior e do deslocamento da China como potência global. Não é um manual de política econômica do dia a dia: é ensaio de teoria e história, escrito por alguém que transitou entre a sala de aula da USP e o comando da Fazenda.
Do que o livro trata
A obra tenta amarrar três linhas. A primeira é a ideia de que existem caminhos distintos de entrada na modernidade capitalista, e que a trajetória de cada país deixa marcas no desenvolvimento posterior. A segunda relê as experiências socialistas do século XX, em especial a União Soviética e os regimes que nela se inspiraram. A terceira oferece uma caracterização do capitalismo atual — o “superindustrial” — revisando pontos da tradição marxista para explicar conflitos novos.
Entre os eixos teóricos, aparece a discussão sobre acumulação primitiva, a crítica a leituras lineares da história e o uso do chamado fragmento sobre as máquinas, dos Grundrisse de Marx, para pensar a relação entre trabalho vivo, maquinário e ciência. O nome “superindustrial” provoca de propósito: vai na contramão do senso comum de que a indústria teria perdido relevância, e desloca o foco para a forma como a superindústria incorpora conhecimento técnico como fator decisivo de produção.
Para quem faz sentido ler
- leitores de economia política, filosofia e ciências sociais que querem um mapa do capitalismo contemporâneo sem jargão de manual escolar;
- quem acompanha a trajetória intelectual de Fernando Haddad e quer ver a continuidade entre o pesquisador e o formulador público;
- estudantes e professores que trabalham com socialismo real, transição capitalista e debates sobre tecnologia e trabalho;
- leitores de imprensa que viram o lançamento em 2026 e buscam o livro completo, além das resenhas.
Contexto de publicação e leitura
O lançamento coincidiu com a projeção nacional de Haddad como ministro da Fazenda e com uma agenda de debates em São Paulo. Críticas e resenhas em veículos como a revista piauí, a Folha de S.Paulo e blogs especializados de esquerda trataram o livro como esforço de reatualizar o marxismo diante da China e da superindústria, e não como panfleto de campanha.
Quem espera um guia de política fiscal brasileira pode se frustrar: o texto opera em outro registro. Quem busca compreender como Haddad organiza conceitos como modernidade, socialismo e capitalismo encontra aqui a versão mais densa e autoral desse repertório. A edição da Zahar (ISBN 978-65-5979-252-8) circula em livrarias e em formatos digitais; a rota de compra mais direta costuma ser a página da editora ou a listagem do título em lojas online.
Relação com a autoridade
O livro fecha um arco que começa no mestrado e no doutorado da USP — com teses sobre o sistema soviético e o materialismo histórico — e chega ao presente com uma síntese ampliada. Por isso, Capitalismo superindustrial funciona menos como “obra de ministro” e mais como continuação do professor que nunca abandonou a escrita. Para o leitor do perfil de Fernando Haddad, é o projeto editorial mais recente e o melhor ponto de entrada na produção teórica dele.

