Chicérrimo — Moda e Etiqueta em Novo Regime é um ensaio sobre o próprio conceito de chic. Publicado pela HarperCollins, o livro percorre a evolução da palavra e do comportamento nas décadas de 1950 a 2000: o clássico dos anos 1950, a rebeldia dos anos 1960, a experimentação dos anos 1970, o poder dos anos 1980, a individualidade dos anos 1990 e o culto à celebridade nos anos 2000.
A tese central é que ninguém é chic se não for civilizado. A frase desloca a discussão da aparência para o comportamento: não basta usar a roupa certa ou frequentar os lugares certos; é preciso saber conviver. O livro usa essa ideia para criticar o hedonismo, o narcisismo e a supervalorização das imagens que marcaram a virada do século.
O que o livro discute
Cada década aparece como um regime de comportamento, com suas regras e suas contradições. O leitor acompanha como o significado de chic mudou junto com a sociedade: da elegância contida ao desejo de rebeldia, da experimentação à ostentação de poder, da busca de individualidade à lógica da celebridade. A moda entra como linguagem, mas o foco está no que ela revela sobre as pessoas e as relações.
Glória Kalil não trata etiqueta como um conjunto de formalidades antigas. Ela a apresenta como um código de convivência que precisa ser atualizado. Em um mundo mais informal, saber o que é adequado em cada situação se torna ainda mais importante, porque as regras explícitas diminuíram e o julgamento social continua existindo.
Para quem é
O livro interessa a leitores que gostam de comportamento, cultura e crítica social, não apenas de moda. É indicado para quem quer entender por que certas atitudes envelhecem e por que outras continuam funcionando. Também é útil para profissionais que lidam com imagem, comunicação, eventos e relações públicas.
A leitura não exige concordar com todas as opiniões da autora. O valor está na capacidade de organizar uma discussão que costuma ficar no senso comum. Ao olhar para as décadas anteriores, o livro ajuda a entender o presente e a reconhecer o que, em matéria de comportamento, é passageiro e o que é estrutural.
Como se relaciona com a obra de Glória Kalil
Chicérrimo aprofunda a ideia de que estilo é uma escolha consciente, mas desloca o foco da roupa para a conduta. É o elo entre os guias práticos de guarda-roupa e os livros de etiqueta, como Alô, Chics! e Chic Profissional. A autora parte da moda, mas chega ao comportamento, mostrando que os dois campos não se separam.
Para quem leu Chic, o livro oferece uma camada a mais: não basta saber escolher a roupa; é preciso saber como se portar. Para quem chegou pelo interesse em etiqueta, ele funciona como uma introdução ao pensamento da autora sobre imagem e sociedade.
O que esperar e o que não esperar
O leitor deve esperar um ensaio com opinião, exemplos históricos e crítica cultural. Não é um manual de regras práticas, nem um livro de tendências. Também não é uma defesa da formalidade a qualquer custo: a proposta é pensar o comportamento com contexto e civilidade.
Algumas referências estão ligadas ao debate do início dos anos 2000, mas a pergunta central continua válida. Em um ambiente digital em que a imagem é exposta o tempo todo, a discussão sobre o que é chic — e sobre o que é apenas visibilidade — segue atual.





