Em Boa Vista, o cuidado com as crianças pequenas não espera a idade escolar. O Família Que Acolhe é o programa de primeira infância criado em 2013, quando Teresa Surita reassumiu a prefeitura da capital de Roraima, e funciona como porta de entrada de uma política pública que acompanha a criança da gestação aos 6 anos de idade.
A proposta é olhar para o desenvolvimento infantil de forma integral, dentro da rotina da família e em articulação com toda a rede municipal. Isso significa reunir saúde, educação e desenvolvimento social em um único percurso de cuidado — em vez de tratar cada necessidade como um atendimento isolado.
Como o programa funciona
O Família Que Acolhe acompanha gestantes e crianças de até 6 anos com ações integradas de saúde, educação e desenvolvimento social. O trabalho combina visitas domiciliares e atividades nas unidades da rede, com orientação às famílias sobre pré-natal, desenvolvimento infantil, vínculo familiar e acesso aos serviços públicos.
Dois componentes dão estrutura ao programa. A Universidade do Bebê, voltada à formação de pais e mães, e as Casas Mães — creches diferenciadas da Prefeitura de Boa Vista. Famílias que participam do FQA e da Universidade do Bebê têm vaga garantida para os filhos de 2 a 4 anos nas Casas Mães.
O atendimento prioriza famílias em situação de vulnerabilidade social, como mães de baixa renda, adolescentes, gestantes do Bolsa Família, famílias inscritas no CadÚnico e reeducandas gestantes do sistema penitenciário. Além das orientações e dos serviços, o programa oferece itens como enxoval e vale-transporte.
Reconhecimento nacional e internacional
O modelo ganhou projeção fora de Roraima. Em novembro de 2014, o Família Que Acolhe foi apresentado como exemplo de política integrada para a primeira infância pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Em 2016, serviu de base para a criação do Criança Feliz, programa do governo federal com a mesma lógica de acompanhamento da primeira infância.
O programa atraiu o interesse de pesquisadores e gestores de outros estados e países e rendeu parcerias com instituições como a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, o Instituto Primeiros Anos, o Instituto Alfa e Beto e a Fundação Bernard van Leer, além de universidades e organismos internacionais. O reconhecimento ajudou a projetar Boa Vista como a capital da primeira infância e rendeu a Teresa Surita, em 2023, a medalha Amigo da Primeira Infância.
Participação e limites do modelo
O Família Que Acolhe não é uma política de transferência de renda nem substitui os serviços básicos de saúde e educação: ele funciona como articulador da rede, aproximando as famílias do atendimento e mantendo o acompanhamento ao longo dos primeiros anos de vida. Como toda política intersetorial, depende de financiamento contínuo, equipes treinadas e continuidade administrativa para não perder escala.
Relação com a trajetória de Teresa Surita
O programa é a obra que mais identifica Teresa Surita com a gestão pública e nasceu de uma escolha de prioridade: tratar a primeira infância como eixo estruturante do município. A experiência de cinco mandatos em Boa Vista, a formação na área de desenvolvimento infantil e a articulação com especialistas e fundações deram ao projeto a visibilidade que o transformou em referência para outros municípios brasileiros.
Informações sobre funcionamento, critérios de participação e endereços de atendimento estão disponíveis na página oficial do programa no site da Prefeitura de Boa Vista.

