Contexto e proposta de Guerra — I
Guerra — I é o primeiro romance de uma trilogia de Beatriz Bracher sobre a Guerra do Paraguai (1864-1870), publicado pela Editora 34 e vencedor do Prêmio Literário da Fundação Biblioteca Nacional de 2025 na categoria Romance, o Prêmio Machado de Assis. O volume cobre de novembro de 1864 a março de 1866, do avanço do exército de Solano López sobre fortes e vilas em Mato Grosso e no Rio Grande do Sul à reação de Brasil, Argentina e Uruguai, unidos na Tríplice Aliança.
A diferença do livro está no método: não há narrador inventado. A autora selecionou e rearranjou cartas, relatórios, memórias, diários e documentos deixados por combatentes, criando uma narrativa em que o leitor acompanha a guerra de dentro. Passam pelo texto figuras conhecidas, como o general Osório, o almirante Tamandaré, o engenheiro militar André Rebouças e o tenente Alfredo Taunay, e personagens menos lembrados, como o cirurgião-mor Xavier Azevedo, o cadete Dionísio Cerqueira e o voluntário Jakob Dick.
O cotidiano do conflito ocupa o centro: as longas marchas por cidades brasileiras, argentinas e uruguaias, o calor e as noites gélidas, as moscas, o charco, a fome, os cavalos, a amizade, o humor, o horror e a morte, num tempo sem antibióticos nem anestésicos. Também aparecem as mulheres que seguiam os maridos e os acampamentos de tendas brancas onde nasciam crianças.
Para quem se interessa pela história do Brasil e da América do Sul, é uma porta de entrada literária para um conflito que redefiniu fronteiras e deixou marcas profundas. A trilogia continua em Ofensiva aliada e Campanha da Cordilheira.





