O delator amplia o alcance da obra de Allan de Abreu ao levar sua investigação para um campo diferente, mas igualmente opaco: a corrupção no futebol e os bastidores empresariais ligados a J. Hawilla. Escrito em parceria com Carlos Petrocilo, o livro mostra como a mesma disciplina investigativa aplicada ao narcotráfico também funciona quando o tema envolve propina, contratos, influência internacional e colapso moral de personagens poderosos.
Um livro importante fora do eixo do narcotráfico
Dentro da bibliografia de Allan, esta obra tem valor especial porque evita o confinamento temático. Ela prova que sua autoridade não depende apenas da cobertura de facções, fronteiras e tráfico, mas de uma competência mais ampla para desmontar engrenagens de poder sustentadas por dinheiro, silêncio e relações privilegiadas.
O que o livro acrescenta ao perfil do autor
Ao tratar da história de Hawilla, o livro reforça o domínio do autor sobre documentos, reconstituição de trajetórias e tradução jornalística de esquemas complexos. Isso amplia sua assinatura como repórter de não ficção: alguém capaz de investigar tanto economias ilegais quanto circuitos formais de prestígio e corrupção. Por isso, O delator ocupa um lugar importante no desenho completo da sua carreira.
A obra também ajuda a mostrar que o trabalho de Allan de Abreu não se limita ao submundo das rotas da droga, alcançando igualmente ambientes onde o poder opera de forma institucionalizada e menos visível para o grande público.



