Torto Arado é o romance que colocou Itamar Vieira Junior no centro da literatura brasileira contemporânea. Publicado em 2019 no Brasil pela Todavia (e em Portugal pela LeYa após o prêmio de 2018), o livro acompanha a vida de duas irmãs negras no sertão baiano e se tornou leitura de clubes, escolas, universidades e traduções em vários idiomas.
A trama se organiza em torno de Bibiana e Belonísia, cuja existência se entrelaça a partir de um episódio com uma faca guardada na mala da avó. A narrativa se divide em partes com vozes distintas, incluindo a presença da encantada Santa Rita Pescadeira. O resultado é um romance ao mesmo tempo íntimo e épico, realista e atravessado por camadas míticas.
Proposta e tema
O livro trata de terra, trabalho, violência, parentesco e insubordinação. Não é um panfleto: a força está no recorte das mulheres, na linguagem e na capacidade de transformar uma realidade concreta de opressão em narrativa de alcance universal — ponto destacado pelo júri do Prémio LeYa.
Quem busca o romance costuma querer entender o “fenômeno Torto Arado”: por que venceu LeYa, Jabuti e Oceanos; por que entrou em vestibulares; por que a tradução Crooked Plow chegou à shortlist do International Booker Prize em 2024. A resposta está na combinação de história forte, escrita firme e tema que dialoga com o Brasil profundo sem perder legibilidade.
Para quem faz sentido
Leitores de ficção brasileira contemporânea, clubes de leitura, estudantes e quem se interessa por narrativas quilombolas e de famílias negras no campo. Também atende quem quer um romance de fôlego com personagens femininas centrais, sem cair em fórmula de best-seller vazio.
- Autor: Itamar Vieira Junior
- Editora no Brasil: Todavia
- Ano de publicação no Brasil: 2019
- Prêmios: LeYa (2018), Jabuti e Oceanos (2020), entre outros reconhecimentos internacionais
- Posição na trilogia: primeiro volume da Trilogia da Terra
Relação com a trajetória do autor
Itamar escreveu uma primeira versão ainda adolescente; a versão definitiva veio após o doutorado, alimentada pela pesquisa em comunidades quilombolas na Chapada Diamantina. Saber disso não “explica” a obra de forma mecânica, mas ajuda a entender a densidade do mundo rural que o romance constrói.
Para quem quer seguir a sequência, Salvar o Fogo e Coração sem Medo expandem o ciclo da terra com outros recortes de família, migração e conflito. Torto Arado permanece, contudo, a porta de entrada mais buscada — e o ponto de partida natural para conhecer a autoridade do autor.



