Reinaldo Azambuja Silva nasceu em Campo Grande, em 13 de maio de 1963, e construiu uma das trajetórias mais longas da política de Mato Grosso do Sul. Agropecuarista, foi prefeito de Maracaju por dois mandatos, deputado estadual, deputado federal e governador do estado entre 2015 e 2023. Em outubro de 2026, foi eleito senador pelo Partido Liberal (PL), ao lado de Capitão Contar, e retorna ao Congresso Nacional depois de passar quatro anos longe do poder.
Azambuja começou a vida pública no interior do estado, presidiu a associação que reúne os municípios sul-mato-grossenses, chegou ao governo com duas vitórias em segundo turno e deixou o cargo em 2023. Também foi citado em investigações de alcance nacional, negou as acusações e viu as apurações serem arquivadas pela Justiça. A trajetória dele combina gestão municipal, defesa do agronegócio e articulação política em Brasília, elementos que ajudam a explicar por que o nome segue entre os mais reconhecidos de Mato Grosso do Sul.
Origem, família e a herança no campo
Filho de Zulmira Azambuja Silva e Roberto de Oliveira Silva, Reinaldo ingressou no curso de Administração de Empresas da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), em Campo Grande, mas interrompeu os estudos em 1982, no mesmo ano da morte do pai, para cuidar dos negócios agropecuários da família. Foi nessa época que se mudou para Maracaju, no interior do estado, onde se casou com Fátima Silva e criou os três filhos do casal: Thiago, Rafael e Rodrigo. A rotina de fazenda moldou o discurso que ele levaria para a vida pública: infraestrutura para o produtor rural, segurança no campo e condições para o escoamento da produção.
Prefeito, deputado estadual e deputado federal
A estreia eleitoral de Reinaldo Azambuja aconteceu em 1996, quando venceu a disputa pela Prefeitura de Maracaju com 44,03% dos votos válidos, ainda pelo PSDB. Quatro anos depois, foi reeleito com 61,61% e permaneceu no cargo até 2005. Na mesma década, presidiu a Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul (Assomasul), passagem que o colocou em contato direto com prefeitos de todas as regiões e com os temas que dominariam sua agenda: repasses, saúde, educação e infraestrutura.
Em 2006, elegeu-se deputado estadual com 47.772 votos, a maior votação da história de Mato Grosso do Sul, e assumiu a cadeira na Assembleia Legislativa entre 2007 e 2011. Na eleição seguinte, em 2010, deu um passo maior: foi eleito deputado federal com 122.213 votos e integrou a bancada sul-mato-grossense na Câmara dos Deputados até 2014, defendendo pautas ligadas ao agronegócio e à infraestrutura.
No meio do caminho, disputou a Prefeitura de Campo Grande em 2012. Terminou o primeiro turno em terceiro lugar, com mais de 113 mil votos, e ficou fora da disputa do segundo turno.
- Prefeito de Maracaju (1997–2005)
- Deputado estadual por Mato Grosso do Sul (2007–2011)
- Deputado federal por Mato Grosso do Sul (2011–2014)
- Governador de Mato Grosso do Sul (2015–2023)
- Senador eleito por Mato Grosso do Sul (2026)
Dois mandatos no governo de Mato Grosso do Sul
Em 2014, Azambuja disputou o governo estadual em chapa com a então vereadora Rose Modesto e venceu o segundo turno com 55,34% dos votos válidos, o equivalente a 741.516 votos, contra o senador Delcídio Amaral. Assumiu o cargo em 1º de janeiro de 2015 e ficou no Palácio do Governo até 1º de janeiro de 2023.
Um dos momentos mais duros do primeiro mandato foi a tramitação da reforma da previdência estadual, proposta em novembro de 2017. O texto enfrentou protestos de servidores, ocupação do plenário e reforço de segurança na Assembleia Legislativa antes de ser aprovado em segunda discussão por 13 votos a 7. A bancada de oposição tentou suspender a tramitação na Justiça, sem sucesso, e a proposta foi sancionada na sequência.
Em 2018, veio a reeleição: Azambuja venceu o segundo turno com 52,35% dos votos válidos, mais de 677 mil votos, derrotando o juiz federal Odilon de Oliveira. O vice da chapa era o ex-prefeito de Dourados Murilo Zauith. Em 2022, o então secretário estadual Eduardo Riedel, que integrou o governo de Azambuja em diferentes pastas, venceu a eleição para governador e assumiu a sucessão em 2023.
Eleição ao Senado em 2026
Depois de três décadas filiado ao PSDB, entre 1995 e 2025, Reinaldo Azambuja migrou para o Partido Liberal em 2025. Na eleição de 4 de outubro de 2026, disputou uma das duas vagas de Mato Grosso do Sul ao Senado Federal e conquistou 34,64% dos votos válidos. Capitão Contar, também do PL, ficou com a segunda vaga em disputa. Os dois assumem as cadeiras hoje ocupadas por Nelsinho Trad e Soraya Thronicke.
O resultado marca o retorno de Azambuja ao Congresso Nacional, onde já havia atuado como deputado federal entre 2011 e 2014, e a primeira passagem dele pelo Senado. A posse está prevista para fevereiro de 2027.
Citações em investigações e desfechos na Justiça
Em maio de 2017, o nome de Reinaldo Azambuja apareceu na delação premiada do empresário Wesley Batista, da JBS. Segundo o acordo, um esquema de propina iniciado em governos anteriores teria seguido ativo na gestão dele, com 45,6 milhões de reais em pagamentos supostamente ligados ao governador. Azambuja negou as acusações e afirmou que as doações recebidas foram registradas na Justiça Eleitoral.
A divulgação do conteúdo levou a cinco pedidos de impeachment na Assembleia Legislativa. Em vez de analisar os pedidos, a Casa instalou uma comissão especial que se transformou na CPI da JBS. O colegiado trabalhou por três meses, não investigou o governador e entregou o relatório final ao Tribunal de Justiça e ao Tribunal de Contas do estado. Em janeiro de 2018, a Procuradoria-Geral da República arquivou uma denúncia sobre supostas vantagens ilícitas; em outubro do mesmo ano, o Superior Tribunal de Justiça arquivou por unanimidade a investigação sobre o suposto esquema de propina, após o Ministério Público não encontrar provas contra ele.
Em setembro de 2018, Azambuja foi um dos alvos da Operação Vostok, da Polícia Federal, que investigava isenções fiscais concedidas a frigoríficos do estado. Ele prestou depoimento, foi proibido de manter contato com outros investigados e um de seus filhos acabou preso na operação. Naquele período, a então candidata ao Senado Soraya Thronicke protocolou um novo pedido de impeachment contra o governador na Assembleia Legislativa.
Redes oficiais e vínculo com Mato Grosso do Sul
Reinaldo Azambuja mantém perfis oficiais no Instagram e no Facebook, usados para divulgar agenda, entregas de governo e posicionamentos públicos. O vínculo com Mato Grosso do Sul e com Maracaju, cidade onde iniciou a vida pública, segue como marca registrada da trajetória dele, agora projetada para o Senado Federal.

