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Rui Costa

Nascimento: 1963 Salvador, BA
Economista de Salvador, governou a Bahia de 2015 a 2022 e chefiou a Casa Civil até abril de 2026. Eleito senador pelo PT em outubro.

Em 4 de outubro de 2026, Rui Costa dos Santos cruzou a apuração do Senado na Bahia com 4.335.196 votos. O economista que tinha deixado a Casa Civil em 2 de abril, depois de oito anos à frente do estado e de uma vida profissional começada no Polo Petroquímico de Camaçari, ficou com 30,07% dos votos válidos. Jaques Wagner, o aliado com quem organizou o PT baiano, levou a outra cadeira.

O homônimo do futebol explica boa parte da confusão em torno do nome. Este Rui Costa é o político de Salvador: filiado ao PT, governador entre 2015 e 2022 e ministro-chefe da Casa Civil no terceiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva, no lugar de Ciro Nogueira. A posse no Senado está prevista para 1º de fevereiro de 2027, na 58ª legislatura, na cadeira que Angelo Coronel deixa ao fim do mandato.

A formação que não passou pelo atalho

Rui Costa nasceu em Salvador em 18 de janeiro de 1963, o segundo de quatro filhos. O pai, Clóvis dos Santos, era metalúrgico. A mãe, doceira, aparece como Maria Luiza Costa dos Santos na reportagem e como Maria Luzia em verbetes biográficos. Parte da escola foi na Luiz Tarquínio, no bairro da Boa Viagem. O ofício técnico veio da Escola Técnica Federal da Bahia, hoje IFBA, no curso de instrumentação industrial.

Na Universidade Federal da Bahia chegou a entrar em Ciências Sociais e não concluiu o curso. O diploma que ficou foi o de Economia, em 1993. A biografia da Casa Civil, atualizada enquanto ele ainda era ministro, fala em filiação ao PT em 1980, na fundação do partido na Bahia, ao lado de Jaques Wagner. O diretório estadual do PT data a filiação de 1982. As duas versões convivem em páginas oficiais. O lugar, porém, é o mesmo: a organização do partido no estado, não uma legenda de última hora.

O primeiro emprego longo foi no polo de Camaçari. A ficha da Câmara dos Deputados lista a sequência anterior à vida eletiva:

  • desenhista projetista na Copene Petroquímica do Nordeste, em Camaçari, de 1981 a 1985;
  • técnico de instrumentação na Promon Engenharia, em Salvador, em 1985 e 1986;
  • desenhista projetista na Natron Consultoria e Projetos, em Salvador, em 1986;
  • projetista industrial na Terra Passos Projetos, em Candeias, de 1986 a 1987.

O sindicato entrou no meio dessa rotina de fábrica. Entre 1984 e 2000 foi diretor do Sindicato dos Químicos e Petroleiros da Bahia. De 1992 a 1998, diretor da Confederação Nacional dos Químicos. A candidatura veio depois dessa ficha, não no lugar dela.

Da suplência em Salvador ao deputado de 212 mil votos

Em 2000, a primeira disputa foi para vereador de Salvador. Ficou suplente, com 5.835 votos. Em 2004 entrou na Câmara Municipal com 8.901 votos, o mais votado do PT. Em 2006 tentou a Câmara dos Deputados e voltou a ser suplente, com 38.020 votos. Em 15 de janeiro de 2007, ainda vereador, aceitou o convite de Jaques Wagner para a Secretaria de Relações Institucionais da Bahia, cargo criado naquele governo, e ficou até 31 de março de 2010.

Nas eleições de 2010 foi o deputado federal mais votado do PT na Bahia, com 212.157 votos. Tomou posse em 1º de fevereiro de 2011. Na 54ª legislatura passou pela Comissão de Defesa do Consumidor, pela Comissão de Finanças e Tributação e pela comissão especial de segurança pública. Relatou o projeto de lei 7579/2010, que criou cargos na carreira de diplomata. O tempo no plenário foi curto: em 5 de janeiro de 2012 licenciou-se para a Casa Civil do segundo governo Wagner, no lugar de Eva Chiavon, e só reassumiu a cadeira em 1º de abril de 2014.

Na secretaria estadual, o foco público foi infraestrutura, logística e a articulação com Brasília para ampliar, na Bahia, programas federais já existentes: Água para Todos, Luz para Todos e Minha Casa, Minha Vida. Não eram marcas pessoais. Eram a forma como o secretário aparecia na máquina do estado.

Dois primeiros turnos e a previdência que o próprio campo contestou

Em 2014, com apoio de Jaques Wagner, de Lula e de Dilma Rousseff, Rui Costa venceu o governo da Bahia no primeiro turno: 54,53% dos votos válidos, contra 37,39% de Paulo Souto, do Democratas, e 6,62% de Lídice da Mata, do PSB. Renunciou ao mandato de deputado em 30 de dezembro de 2014 e assumiu o governo em 1º de janeiro de 2015, com João Leão na vice. Ficou até 31 de dezembro de 2022. Jerônimo Rodrigues o sucedeu. Entre as obras que a cobertura daquele período destacou estão a ampliação do metrô de Salvador e as contenções de encosta.

Em 4 de outubro de 2016, a Polícia Federal deflagrou a Operação Hidra de Lerna. A apuração, nascida de colaborações da Operação Acrônimo e de inquéritos no Superior Tribunal de Justiça, investigava suspeita de financiamento ilegal da campanha de 2014 e também fraudes ligadas ao Ministério das Cidades. Houve buscas na sede do PT na Bahia, na agência Propeg e na construtora OAS. Em nota, Rui Costa disse que desconhecia a operação, que o Tribunal Regional Eleitoral tinha aprovado as contas da campanha por unanimidade e que não mantinha relação pessoal nem profissional com a Propeg.

A reeleição de 2018 também foi no primeiro turno, com 75,71% dos votos válidos, contra José Ronaldo de Carvalho, o Zé Ronaldo, do Democratas. O PT baiano apresenta esse percentual como o maior da história do estado.

Em 23 de julho de 2019, Jair Bolsonaro foi a Vitória da Conquista inaugurar o aeroporto e publicou que o governador não tinha autorizado a Polícia Militar para a segurança presidencial. Rui Costa respondeu que a PM é força estadual, não federal.

Em 2020, a Assembleia Legislativa aprovou a reforma da previdência enviada por ele, por 45 votos a 9. O texto elevou a idade mínima de aposentadoria dos servidores estaduais para 64 e 61 anos, conforme o gênero, com idades especiais para professores, e aumentou a alíquota de quem ganhava mais de R$ 3 mil. Sindicatos e setores à esquerda compararam a proposta à reforma do governo Bolsonaro. Rui Costa defendeu a mudança como condição para as contas do estado.

No mesmo ciclo, os nove governadores do Nordeste o escolheram, em 14 de março de 2019, em São Luís, primeiro presidente do Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável do Nordeste. A peça jurídica inicial saiu da Procuradoria-Geral do Estado da Bahia. A proposta pública era comprar junto, de medicamentos a equipamentos, e cooperar em saúde, educação, segurança e infraestrutura. Em 28 de setembro de 2020, Wellington Dias, do Piauí, foi eleito para sucedê-lo. Na gestão de Rui Costa, o consórcio também instalou um comitê científico, coordenado por Miguel Nicolelis, para orientar os estados no começo da pandemia.

A Casa Civil até a Estação da Calçada

Em dezembro de 2022, Lula anunciou Rui Costa para a Casa Civil. A posse foi em 1º de janeiro de 2023. A pasta coordena o governo: os ministérios passam por ali antes de chegar ao presidente. Em 29 de janeiro de 2026, em entrevista a uma rádio de Jequié, ele confirmou que sairia no fim de março para disputar o Senado e que Miriam Belchior, então secretária-executiva e ex-ministra do Planejamento no governo Dilma Rousseff, assumiria no início de abril. Disse que Lula já tinha comunicado a escolha aos dois e que a equipe deveria permanecer, para a obra não parar a poucos meses da eleição.

A despedida aconteceu em 2 de abril de 2026, na Estação da Calçada, em Salvador, ao lado de Lula, numa agenda do Novo PAC de mobilidade urbana e contenção de encostas. Rui Costa afirmou que aquele era o último ato como ministro e que, no fim do dia, o presidente assinaria a exoneração. Miriam Belchior ficou com a Casa Civil.

A chapa 133 e as duas vagas da Bahia

A candidatura ao Senado levou o número 133, na coligação Mais Bahia Mais Brasil, que reunia PDT, MDB, PSB, PSD, Avante e a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV. O primeiro suplente era Ronaldo Carletto, do Avante. A segunda, Jailma, do PT. A Bahia elegia duas cadeiras. Com a apuração encerrada, Rui Costa ficou em primeiro. Jaques Wagner veio em seguida, com 3.986.690 votos, 27,65%. Angelo Coronel, do Republicanos, teve 20,11% e 2.898.885 votos. João Roma, do PL, 19,97% e 2.879.443.

É casado com a enfermeira Aline Peixoto desde cerca de 2013. O verbete biográfico da FGV, de 2017, cita quatro filhos: Aline, Caio, Marina e Malu. A biografia da Casa Civil, revista em janeiro de 2026, acrescenta Rui Filho e fala em cinco. O canal de campanha ao Senado também se apresenta como pai de cinco filhos. Os registros públicos não coincidem no número.

O mandato de senador será o primeiro. Até aqui, o voto tinha sido municipal, de deputado federal e de governador. A Casa Civil entrou como cargo de nomeação. Em fevereiro de 2027, Rui Costa chega à Casa Alta depois de ter organizado, por três anos, a fila dos ministérios de Lula. A ficha do período em que foi deputado continua na Câmara dos Deputados. O percurso, da fábrica em Camaçari ao Planalto, é o que o coloca entre os nomes da política baiana com formação em economia.

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