Samanda Alves de Freitas, a Samanda de Lula, foi eleita senadora pelo Rio Grande do Norte em 2026 e ficou com a segunda vaga do estado no Senado Federal ao vencer a senadora Zenaide Maia por uma diferença de poucos milhares de votos. A vitória coroou uma candidatura que o PT potiguar montou depois que a governadora Fátima Bezerra desistiu de disputar o Senado e escolheu a assessora que atuava ao seu lado havia mais de duas décadas para representar o projeto nas urnas.
Nascida em Mossoró, no interior do Rio Grande do Norte, em 20 de setembro de 1980, e radicada em Natal desde os 20 anos, Samanda é formada em engenharia de computação, preside o PT do Rio Grande do Norte e cumpriu o primeiro mandato eletivo na Câmara Municipal de Natal, entre 2025 e 2026. Ela assume a cadeira no Senado em 1º de fevereiro de 2027, para um mandato de oito anos.
De Mossoró a Natal: formação e início na vida pública
Samanda Alves de Freitas fez o caminho que muitos jovens do interior potiguar percorrem em busca de oportunidades: aos 20 anos, deixou a casa dos pais em Mossoró e se mudou para Natal para estudar e construir carreira. Na capital, graduou-se em engenharia de computação e passou a acompanhar de perto o mandato da então deputada estadual Fátima Bezerra, de quem se tornou assessora.
A relação atravessou mais de vinte anos e todos os mandatos de Fátima: deputada estadual, deputada federal, senadora e governadora. Foi nesse período que Samanda acumulou experiência em gestão pública e articulação política, área em que passou a atuar também dentro do partido.
Governo do Rio Grande do Norte e Ministério dos Direitos Humanos
Na gestão de Fátima Bezerra no governo estadual, Samanda ocupou os cargos de secretária-adjunta do Gabinete Civil e de subsecretária do Trabalho, Emprego e Renda, pasta em que coordenou o Sistema Nacional de Emprego (Sine) no Rio Grande do Norte. Antes disso, durante o governo de Dilma Rousseff, atuou no Ministério dos Direitos Humanos, onde foi vice-presidenta e coordenadora-geral do Conselho Nacional de Combate à Discriminação e coordenadora nacional de políticas LGBT.
A passagem pelo ministério rendeu experiência em agendas internacionais: ela representou o governo brasileiro no 1º Seminário Regional sobre Políticas Públicas e Diversidade Sexual, em Buenos Aires, e coordenou a agenda LGBTI+ durante o 2º Fórum Mundial de Direitos Humanos, em Marraquexe, no Marrocos. De volta ao Rio Grande do Norte, foi chefe de gabinete do deputado estadual Francisco do PT, na Assembleia Legislativa.
Entre as funções que já exerceu na estrutura pública, estão:
- assessoria a Fátima Bezerra por mais de vinte anos, em mandatos estadual e federal e no governo do estado;
- secretaria-adjunta do Gabinete Civil do Rio Grande do Norte;
- subsecretaria do Trabalho, Emprego e Renda, com coordenação do Sine-RN;
- vice-presidência do Conselho Nacional de Combate à Discriminação;
- chefia de gabinete do deputado estadual Francisco do PT.
As campanhas de 2022 e 2024 e o mandato na Câmara de Natal
A primeira eleição disputada por Samanda foi em 2022, quando concorreu a deputada federal pelo PT na Federação Brasil da Esperança. Ela recebeu 31.240 votos, ficou com a primeira suplência da federação no estado e manteve a atuação partidária até a eleição municipal seguinte.
Em 2024, foi eleita vereadora de Natal com 5.189 votos, a 15ª candidata mais votada entre os 29 eleitos para a Câmara Municipal. O mandato teve como bandeiras a defesa da classe trabalhadora e políticas voltadas às mulheres, além da busca por investimentos federais para a cidade.
Na Câmara, acompanhou a requalificação da orla de Natal e articulou junto ao governo federal a liberação de recursos para obras da capital. Em outubro de 2026, o governo autorizou o pagamento de R$ 5 milhões para a obra da Praia do Meio, elevando para R$ 18,4 milhões o total liberado para a intervenção, que tem orçamento previsto de R$ 22,4 milhões. Samanda também defendeu a inclusão de quase R$ 18 milhões em obras de mobilidade urbana de Natal no Novo PAC, com intervenções como o binário das avenidas Rui Barbosa e Xavier da Silveira.
Outra bandeira do mandato foi o debate sobre jornada de trabalho: Samanda defendeu que o fim da escala 6x1 seja construído em negociação com os empresários, sem corte de salário para os trabalhadores.
O nome de urna Samanda de Lula
Quando foi escolhida pelo PT para disputar o Senado, em 2026, Samanda registrou na Justiça Eleitoral o nome de urna "Samanda de Lula". O uso da referência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi questionado pela Procuradoria Regional Eleitoral, e o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) decidiu, por unanimidade, em 25 de agosto de 2026, que a expressão não induz o eleitor a concluir que existe parentesco entre os candidatos, mas uma vinculação política.
"Eu sou de Lula desde sempre. Meu primeiro voto foi de Lula, eu sou filiada ao PT há mais de 20 anos", afirmou Samanda após a decisão do tribunal.
A eleição ao Senado em 2026
A candidatura ao Senado nasceu de uma mudança de rota: Fátima Bezerra chegou a se colocar na disputa, mas permaneceu no governo do estado e abriu espaço para que o PT escolhesse outro nome. A sigla apostou em Samanda, que havia sido eleita vereadora dois anos antes e nunca havia disputado uma eleição majoritária.
A campanha teve como eixos o combate à fome, a geração de emprego e renda e a defesa de direitos sociais, com apoio declarado de Lula e de Fátima. Em 4 de outubro de 2026, Samanda recebeu 635.924 votos, o equivalente a 17,63% dos votos válidos, e ficou com a segunda vaga do estado. A primeira ficou com o senador Styvenson Valentim, reeleito, e a senadora Zenaide Maia não conseguiu renovar o mandato. A chapa de Samanda teve Plúvia Oliveira como primeira suplente e Oswaldo Negrão como segundo.
Depois do resultado, a senadora eleita telefonou para os futuros colegas de bancada Rogério Marinho e Styvenson Valentim e defendeu a construção de consensos em favor do Rio Grande do Norte. "Acabou a campanha. No que a gente puder construir consenso para defender o nosso Estado, os interesses do povo do nosso Estado, eu estou à disposição", declarou.
Presidência do PT-RN e atuação partidária
Samanda preside o diretório estadual do PT no Rio Grande do Norte desde agosto de 2025. Ela foi eleita em junho daquele ano, no processo de eleições diretas do partido, e comanda a sigla em um acordo que prevê a divisão do mandato de quatro anos com a deputada estadual Isolda Dantas: Samanda à frente do diretório nos dois primeiros anos, Isolda no restante.
À frente do partido, manifestou-se em episódios de violência política contra candidatas e cobrou investigação das ameaças feitas a mulheres do PT e de outras legendas no estado. Antes disso, foi vice-presidenta do diretório do partido em Natal, cargo que ocupava quando foi eleita vereadora.
Com a posse marcada para 1º de fevereiro de 2027, Samanda passa a integrar a bancada do Rio Grande do Norte no Senado ao lado de Styvenson Valentim e de Rogério Marinho, eleito em 2022. Ela afirmou que pretende levar à Casa as demandas apresentadas durante a campanha, defender recursos para áreas como saúde e infraestrutura e manter a atuação alinhada ao campo político que a elegeu.

