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Silas Malafaia

Silas Lima Malafaia

Nascimento: 1958 Rio de Janeiro, RJ
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Pastor da ADVEC no Rio, no ar com o Vitória em Cristo desde 1982 e presidente da editora Central Gospel.

Aos sábados, às 9h, a RedeTV exibe o Vitória em Cristo, segundo a descrição atual do canal oficial de Silas Malafaia. O programa está no ar desde 1982. Foi por essa grade, e não por um único livro, que um pregador da Penha, no Rio de Janeiro, passou a ser reconhecido fora do templo — e é o mesmo nome que, em 2026, responde a ação penal no Supremo Tribunal Federal por um discurso na Avenida Paulista.

Quem procura Silas Lima Malafaia em geral quer encaixar três peças: o pastor, o editor e o cabo eleitoral. Ele nasceu no Rio de Janeiro em 14 de setembro de 1958. É casado com a pastora Elizete Malafaia e pai de Silas Filho, Talita e Taísa. A vida pública começa em família de ministério, com o pai, o pastor Gilberto Malafaia, e o sogro, José Santos, citados pela imprensa como as duas referências da formação espiritual.

Quem é Silas Malafaia

A pregação começou na Assembleia de Deus da Penha, na Zona Norte do Rio, e o endereço não foi abandonado. Malafaia permanece pastor nessa região. Elizete não entra na biografia apenas como esposa: também é pastora e aparece ao lado dele na vida ministerial e na produção de livros. Os filhos completam um sobrenome que, dentro do meio evangélico, circula como família de igreja, não como marca inventada para a televisão.

O contraste que explica a busca é simples. Há pastores de templo local e há comentaristas políticos sem igreja. Malafaia ocupa os dois lugares ao mesmo tempo, com um programa semanal, uma editora e uma denominação que leva o nome da atração de TV.

Da Penha à Assembleia de Deus Vitória em Cristo

Até 2009 ele atuava na Assembleia de Deus da Penha, fundada em 1959 pelo pastor José Pimentel de Carvalho. José Santos morreu em fevereiro de 2010. Os membros escolheram o genro de forma unânime para a liderança, e a igreja passou a se chamar Assembleia de Deus Vitória em Cristo, a ADVEC. A própria instituição fala em cerca de 200 mil fiéis. O número é o dela. Serve para mostrar a escala que a igreja reivindica, não como censo externo.

O sucesso do programa abriu espaço para a Associação Vitória em Cristo e para a editora que ele preside, a Central Gospel. No circuito entre igrejas, Malafaia é vice-presidente do Conselho Interdenominacional de Ministros Evangélicos do Brasil, o CIMEB, descrito em biografias públicas como um conselho de cerca de oito mil pastores de várias denominações. Igreja, associação e editora não são a mesma pessoa jurídica. O leitor que mistura as três perde o fio de onde sai o culto, onde sai o livro e onde sai o ato de rua.

A página da Assembleia de Deus Vitória em Cristo concentra o lado institucional. O site pessoal concentra a voz dele: livros, mensagens e os perfis que o próprio ministério indica.

Teologia, psicologia e o diploma que virou polêmica

Fontes institucionais e trabalhos acadêmicos repetem a mesma formação: teologia pelo Instituto Bíblico Pentecostal e psicologia pela Universidade Gama Filho. O diploma de psicologia passou a ser usado por ele em debates sobre família, sexualidade e comportamento. Também foi o ponto em que a categoria profissional reagiu.

Em 7 de fevereiro de 2013, o Conselho Federal de Psicologia publicou nota de repreensão depois da entrevista ao De Frente com Gabi, de Marília Gabriela. O conselho classificou as declarações como desrespeito a homossexuais e como posição fora da leitura de direitos humanos que a psicologia vinha defendendo. O fato útil para quem lê o perfil é estreito e verificável: há graduação, há universidade, e há uma repreensão pública do conselho. Isso não transforma sermão em laudo.

O Vitória em Cristo e o tom que a plateia já conhece

Entrar na televisão em 1982 colocou Malafaia entre os pregadores que chegaram à rede aberta antes das redes sociais. Décadas depois, o canal Silas Malafaia Oficial ainda descreve o Vitória em Cristo como atração de sábado de manhã na RedeTV e republica cultos, recados e pregações. O estilo reconhecível é a frase curta e o confronto direto em tema de costume, tratado como linha que ele não negocia.

Esse tom explica a audiência fiel e também a frequência com que o nome sai do horário religioso e entra no noticiário político. Não é um efeito tardio da internet. A televisão veio primeiro. As redes ampliaram um discurso que já tinha grade fixa.

De Lula a Bolsonaro, com briga no meio do caminho

A participação eleitoral ficou nítida nos anos 2000. Malafaia apoiou Luiz Inácio Lula da Silva em 2002 e em 2006 e chegou a sentar num conselho informal ligado à Presidência. Em 2010 apoiou José Serra. Em 2014 trabalhou pela candidatura de Aécio Neves. No meio desse arco, a oposição ao PLC 122, projeto que pretendia criminalizar a homofobia, foi o momento em que ele deixou de falar só para a igreja e passou a organizar pressão em Brasília.

A aliança com Jair Bolsonaro é mais longa e menos lisa. Antes do segundo turno de 2018, Malafaia visitou o candidato, falou das dificuldades do país e fez uma oração. Nos anos seguintes organizou manifestações. Em 2022 criticou a entrega do Ministério da Educação ao Centrão e chamou a decisão de vergonha. Em 2024 chamou Bolsonaro de covarde e omisso na eleição municipal de São Paulo, incomodado com o que descreveu como sinal dúbio diante de Pablo Marçal. A crítica não tirou Malafaia do papel de organizador de atos da direita.

Em 20 de agosto de 2025, a Polícia Federal cumpriu busca e apreensão determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, e o passaporte do pastor foi retido. A Gazeta do Povo ligou a medida a um inquérito sobre suspeita de coação no curso do processo e obstrução, no contexto da atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Na coletiva, Malafaia disse: “Eu sou um líder religioso. Eu não sou um bandido nem um moleque.” Negou ter orientado campanha contra ministros do Supremo.

Réu por injúria, sem sentença

No ato de 6 de abril de 2025, na Paulista, Malafaia falou da cúpula do Exército. Chamou generais de quatro estrelas de frouxos, covardes e omissos e disse que não honravam a farda. A Procuradoria-Geral da República denunciou injúria e calúnia, apontando entre os ofendidos o comandante Tomás Paiva.

O que a Primeira Turma recebeu

Em 28 de abril de 2026, a Primeira Turma do STF tornou Malafaia réu apenas por injúria. Alexandre de Moraes e Flávio Dino votaram pelo recebimento dos dois crimes. Cristiano Zanin e Cármen Lúcia entenderam que a fala era genérica demais para calúnia: não narrava um fato definido como crime contra uma pessoa determinada. O empate, na turma desfalcada, favoreceu o acusado. Em agosto de 2026 começou a instrução da ação penal. Não há julgamento de mérito. Ser réu significa que a denúncia foi recebida, não que exista condenação.

O que a Central Gospel coloca na prateleira

Na Central Gospel, a pregação vira livro. Silas Malafaia em Foco, lançado em 2018, junta respostas dele sobre aborto, dízimo, família, política, sexualidade e outros temas que o público já ouvia no culto e na televisão. Pregando Poderosamente a Palavra de Deus é outra obra, de uso prático: esboços para quem precisa preparar mensagem, não um manifesto de costumes.

O catálogo é bem maior do que esses dois títulos. A maior parte circula em volumes curtos de exortação, no registro de família, vitória e vida cristã. Para o leitor que chega agora, os dois livros separam intenções. Um organiza o que ele afirma sobre a vida pública. O outro organiza roteiro de sermão.

O que já dá para separar sem transformar o perfil em processo

  • Nasceu no Rio de Janeiro em 14 de setembro de 1958 e segue ligado à Penha.
  • Apresenta o Vitória em Cristo desde 1982; o canal oficial indica sábado, às 9h, na RedeTV.
  • Assumiu a liderança da igreja em 2010, quando ela passou a se chamar ADVEC, e preside a Central Gospel.
  • É vice-presidente do CIMEB e formado em teologia e em psicologia.
  • Apoiou Lula, Serra, Aécio e depois Bolsonaro, com críticas públicas no caminho.
  • Em 2026 é réu no STF por injúria, sem sentença.

Entre o templo da Penha, a grade de sábado e a ação penal cabe o que o nome carrega hoje: um pastor que fez da televisão evangélica um instrumento político, publica pela própria editora e responde na Justiça por palavras ditas em ato público. Fora disso, o que circula sem documento público fica de fora desta página.

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