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Victor Fasano

Airom

Nascimento: 1958 São Paulo, SP
Ator paulistano nascido em 1958. Estreou como Zeca em Barriga de Aluguel e hoje trabalha com conservação no Criadouro Tropicus e na Airom Ambiental.

O protagonista de Barriga de Aluguel não está em novela nova. Victor Augusto Duarte Fasano, paulistano nascido em 2 de setembro de 1958, estreou na Globo em 1990 como Zeca e, muito antes disso, já mantinha em Guaratiba um criadouro de espécies ameaçadas. Quem digita o nome hoje encontra o galã das novelas de Glória Perez e, no mesmo fôlego, o homem que assina o perfil @victorscenes pedindo visita à Airom Ambiental.

A dúvida que puxa a busca é simples: ele sumiu ou trocou de ofício. A filmografia pública fecha a atuação em 2016. Em entrevistas dos últimos anos, Fasano descreveu mal-estar nos estúdios e disse que não pretende voltar a representar, salvo um convite que ele mesmo chame de fantástico. O trabalho que ficou no lugar da escala de gravação é outro, e começou quando ele ainda era modelo.

Quem é Victor Fasano quando a novela sai do ar

O nome completo é Victor Augusto Duarte Fasano. Nasceu em São Paulo. A televisão o fixou como galã, mas o calendário desmente a ideia de que a natureza tenha sido um hobby de aposentadoria. Em entrevista à Revista Ecológico, em março de 2015, ele datou o criadouro em 1985. A estreia como ator veio cinco anos depois, aos 31, número que ele mesmo repetiu depois ao recordar a carreira.

Em 2012, um representante da etnia Dessana lhe deu o título de Yukka Mashã, “protetor das florestas”, e os Tukano o chamaram de Airom, “alma das florestas”. O apelido virou marca do trabalho ambiental. Não substitui o nome com que ele entrou na televisão. Explica por que, numa busca recente, o ator aparece ao lado de viveiro, onça e reflorestamento.

Da passarela ao Zeca

O primeiro ofício público foi a moda. Em 1976, aos 17 anos, começou como modelo. Na década de 1980, passou a ser tratado como um dos nomes mais vistos da moda masculina no Brasil. A televisão veio depois, e veio grande: a estreia foi o protagonista José Carlos de Alencar, o Zeca, em Barriga de Aluguel, novela de Glória Perez na Globo.

A parceria com Perez se repetiu. Além de Barriga de Aluguel, Fasano entrou em De Corpo e Alma, O Clone, América e Caminho das Índias, e na minissérie Amazônia, de Galvez a Chico Mendes. São seis trabalhos da mesma autora. Em paralelo, entre 1990 e 1996, apresentou o Globo Ecologia. O programa importa porque mostra o ambientalista dentro do contrato de ator, não depois dele.

Quais papéis ainda explicam a fama

Nem todo crédito puxa busca. Alguns nomes bastam para situar a carreira, e cada um ocupa um lugar diferente:

  • De Corpo e Alma (1992): Joaquim José Marcondes, o Juca, personagem que a memória do público associa ao galã de clube.
  • Torre de Babel (1998): Edmundo Falcão, em novela de Sílvio de Abreu.
  • Salsa e Merengue (1996): Heitor Lobato.
  • O Clone (2001): Otávio Valverde, o Tavinho.
  • Canavial de Paixões (2003), no SBT: Amador Giácomo, participação curta e explicitamente canalha.
  • Caminho das Índias (2009): Dario Albuquerque.
  • Ribeirão do Tempo (2010), na Record: Edward Teixeira Briggs.
  • Amazônia (2012): apresentação do reality na Record, já com a floresta no centro, não só no figurino.
  • Conselho Tutelar (2016): Dr. Emerson, último crédito de série na filmografia pública. Em 2015, ele já descrevia o papel como o diretor de uma ONG que acolhe crianças vítimas de maus-tratos.

Há participações menores, de Cara & Coroa a Plano Alto e Balacobaco. Elas completam o currículo. Não são o motivo pelo qual o nome continua sendo procurado. O motivo é a combinação: protagonista de novela famosa que saiu do horário nobre e ficou visível por outro trabalho.

O que o Criadouro Tropicus faz em Guaratiba

O Criadouro Tropicus é associação cultural, científica e educacional em Guaratiba, na zona oeste do Rio. Fasano o descreveu, em 2015, como espaço para proteger espécies ameaçadas e reintroduzi-las no ambiente de origem. O terreno faz vizinhança com o Parque Estadual da Pedra Branca. Parte da área, contou ele, tinha sido canavial e alambique e foi reflorestada para trazer de volta fauna de Mata Atlântica.

O plantel que ele detalhou na mesma entrevista não é genérico. Citou jacutinga, urumutum, harpia, papagaios e arara-azul-do-pantanal, com cerca de 200 aves e um número que quase dobrava na época de filhotes. Escolas do Rio visitavam o espaço. O argumento pedagógico que ele defendia era concreto: a criança precisava ver a relação entre bicho, planta e gente, não só ouvir campanha.

A jacutinga tem, no relato dele, uma origem de infância. Por volta dos oito anos, em Maresias, acompanhou um mateiro que derrubou um palmito-juçara por um pedaço curto de palmito. Ali viu a ave pela primeira vez. Décadas depois, tratava a criação em cativeiro como ferramenta de conservação, e citava o apoio de Luís Fábio Silveira, do Museu de Zoologia da USP, e de Mercival Roberto Francisco, da Universidade Federal de São Carlos, no pareamento genético da espécie. É fala dele em entrevista, não laudo. Ainda assim, mostra com quem ele dizia trabalhar.

Na mesma conversa ele se apresentava como conselheiro da Fundação Amazonas Sustentável. A fundação volta em 2018, quando Fasano participou, na sede da FAS em Manaus, da iniciativa “Rios Limpos para Mares Limpos”, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Foi fotografado como Cobra Honorato, figura da lenda amazônica, em imagens de Rodrigo Tomzheinsky voltadas ao lixo plástico nos rios e nos mares.

Airom Ambiental, onça e o manifesto da floresta

A Airom Ambiental é o capítulo seguinte, não um segundo nome do mesmo viveiro. A descrição pública, repetida por ele e por quem o convida a falar, é a de um grupo com criadores e cientistas que restaura flora para devolver alimento a polinizadores, aves e mamíferos, e que recorre à reintrodução quando a área perdeu os bichos que espalham semente. O perfil do ator no Instagram aponta o projeto. Não há, em fonte estável, site institucional separado nem número de empresa que se possa cravar sem ambiguidade.

O movimento Amazônia para Sempre é anterior e tem outra forma. Nasceu com Christiane Torloni e com uma carta de Juca de Oliveira, no rastro da minissérie sobre a Amazônia. A proposta era informar e recolher assinaturas em defesa do parágrafo 4º do artigo 225 da Constituição, que trata a Floresta Amazônica como patrimônio nacional. Em 13 de maio de 2009, mais de 1,3 milhão de assinaturas foram entregues no Senado. Fasano contou depois, à Ecológico, que o manifesto chegou ao então presidente Lula e que, na avaliação dele, o compromisso assinado não se cumpriu. O nome do movimento não deve ser confundido com editais recentes de festival que reutilizaram a expressão.

Em 12 de setembro de 2017 ele estava de novo no Senado, no grupo 342Amazonia, recebido pelo presidente da Casa, Eunício Oliveira. O registro oficial da foto descreve o pedido de revogação do decreto que extinguia a Reserva Nacional do Cobre e Associados, a Renca, entre o Amapá e o Pará.

Em 2019, um vídeo em que nada com onças-pintadas circulou com força. No mesmo ano, com o Instituto Onça Pintada, ele se ligou a um selo para fazendeiro que não mata o animal e à Aliança Onça Pintada. A proposta associada era um corredor ecológico ao longo do rio Araguaia, da nascente em Goiás à foz no Pará. O vídeo mostra o corpo na água com os bichos. Não prova, sozinho, que o corredor exista no mapa.

O que a reputação carrega além do galã

Há episódios que a ficha de novela não absorve. Em 28 de outubro de 1995, Antonio Callado escreveu na Folha sobre a entrevista de Fasano à Veja, intitulada “Eu Não Sou Gay”. Callado transcreveu a frase em que o ator dizia que algumas ideias nazistas eram excelentes e aplicava isso ao acasalamento no criadouro: não misturar, nas palavras publicadas, “o sangue de um macho todo ferradinho com o de uma fêmea maravilhosa”, e concluía que nisso Hitler tinha razão. A coluna também registrou o desejo, dito na entrevista, de ter um filho com Maitê Proença. O texto de Callado é uma bronca, não um perfil. A frase, porém, está publicada, e o episódio voltou a circular em 2020.

Em 2000, Fasano ganhou ação de danos morais contra a Editora Abril depois de o jornalista Tutty Vasques chamá-lo de gay. A indenização noticiada ficou na casa de R$ 151 mil. São dois fatos distintos: a entrevista de 1995 e o processo pelo xingamento. Não se anulam.

Em 2004, no Pânico na TV, deu um tapa em Rodrigo Scarpa, o Vesgo, ao rejeitar o trocadilho com que o humorista pedia entrevista. Disse, na época, que tudo é possível desde que os protocolos de educação sejam respeitados. Em 1º de janeiro de 2010, foi internado com malária no Hospital Barra D'Or, no Rio, depois de viagem a Atalaia do Norte, no Amazonas, e recebeu alta dois dias depois. Em 2022, após a eleição presidencial, participou de protestos que contestavam as urnas eletrônicas e pediam intervenção militar. A atriz Cássia Kis estava no mesmo circuito, segundo a cobertura da Veja.

Nada disso apaga Zeca, Tavinho ou o viveiro de Guaratiba. Também não vira rodapé. Quem chega pelo galã encontra um ator com filmografia fechada em 2016, um criadouro anterior à fama e uma fala pública recente de que o trabalho agora é mostrar outras espécies. O retorno à novela, pelo que ele mesmo tem dito, dependeria de um convite excepcional, não de saudade do papel de galã.

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