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Adelmar Tavares

Adelmar Tavares da Silva Cavalcanti

Nascimento: 1888 Recife, PE / Rio de Janeiro, RJ
Advogado, desembargador e poeta de Recife. Na trova, Príncipe dos Trovadores; em 1948 presidiu a Academia Brasileira de Letras.

Em 1948, Adelmar Tavares assumiu a presidência da Academia Brasileira de Letras no mesmo ano em que estava à frente do Tribunal de Justiça. O calendário junta dois ofícios que raramente coincidem: o desembargador que presidia a corte e o poeta que o país já lia em trovas.

Quem busca o nome chega, quase sempre, por uma dessas portas. Uma é a cadeira 11, para a qual foi eleito em 25 de março de 1926, na sucessão de João Luís Alves. A outra é a trova. A biografia da Academia o trata, até hoje, como o maior cultor desse gênero poético no Brasil. As duas frases descrevem a mesma pessoa, Adelmar Tavares da Silva Cavalcanti, nascido em Recife.

Quem foi Adelmar Tavares

Nasceu em Recife, Pernambuco, em 16 de fevereiro de 1888. Era filho de Francisco Tavares da Silva Cavalcanti e de Maria Cândida Tavares. Morreu no Rio de Janeiro em 20 de junho de 1963, aos 75 anos. A Academia Brasileira de Letras o apresenta como advogado, professor, jurista, magistrado e poeta. Cada palavra dessa lista tem um cargo, uma faculdade ou um livro atrás, não um adjetivo de apresentação.

O nome curto é o que ficou na cadeira, nos jornais e nas antologias. O nome civil completo explica por que fichas antigas às vezes o registram como Adelmar Tavares da Silva Cavalcanti. O bacharel de Recife, o desembargador do antigo Distrito Federal e o trovador são o mesmo homem.

Da Faculdade de Direito do Recife à capital

A formação foi na Faculdade de Direito do Recife. Colou grau em 1909. Ainda estudante, entrou na imprensa como redator do Jornal Pequeno. O jornal veio antes dos livros de poesia e antes da mudança para o sul. Foi o primeiro ofício público de escrita.

Em 1910 mudou-se para o Rio de Janeiro, então capital do Brasil. A ida não foi um intervalo literário. No mesmo ano passou a promotor público adjunto. A partir daí, a carreira no foro e a produção de trovas correm juntas por mais de cinquenta anos, até a morte.

Cargos no foro, no banco e na cátedra

A biografia institucional organiza a vida profissional numa sequência que vale ler inteira, porque o intervalo entre o primeiro cargo e a presidência da corte é de quase quarenta anos:

  • professor de Direito Penal na Faculdade de Direito do Estado do Rio de Janeiro;
  • promotor público adjunto, em 1910;
  • curador de resíduos e testamentos, em 1918;
  • curador de órfãos, de 1918 a 1940;
  • advogado do Banco do Brasil, de 1925 a 1930;
  • desembargador da Corte de Apelação do Distrito Federal, em 1940;
  • presidente do Tribunal de Justiça, de 1948 a 1950.

O trecho mais longo é a curadoria de órfãos. Vinte e dois anos nesse ofício colocam Adelmar Tavares no cotidiano de inventário, menor e sucessão, não só na aula de direito penal. Entre 1925 e 1930, o nome também aparece como advogado do Banco do Brasil. São vínculos de cargo público e de emprego no banco, não uma banca particular com marca própria.

Fora do tribunal, a mesma biografia o inclui na Sociedade Brasileira de Criminologia, no Instituto dos Advogados e na Academia Brasileira de Belas Artes. O direito penal da cátedra e os livros jurídicos conversam com essa filiação. Os títulos que circulam nessa linha são A história do fideicomisso, Do homicídio eutanásico ou suplicado, Do direito criminal e O desajustamento do delinquente à profissão. Fideicomisso e curadoria de testamentos se tocam. O estudo sobre o delinquente e a profissão se toca com a aula de penal. Não são ensaios soltos ao lado da poesia.

Por que a trova ficou com o nome dele

Enquanto a magistratura avançava, a imprensa continuou. A Academia registra que o nome se tornou conhecido em todo o Brasil no setor da trova. O tratamento que a própria casa lhe dá é o de Príncipe dos Trovadores Brasileiros. Também o aponta como membro e patrono da Academia Brasileira de Trovas. A quadra, portanto, não foi um passatempo de fim de carreira. Tinha instituição, e o nome dele estava no patronato.

A poesia, na leitura da Academia, se caracteriza pelo romantismo, pelo lirismo e pela sensibilidade. Os temas que voltam são a saudade e a vida simples junto à natureza. Não é romance de enredo nem manifesto de escola. É poema curto, no formato que a trova brasileira consagrou: quatro versos, feitos para serem ditos e guardados.

O que essa trova é, e o que não é

No uso ligado a Adelmar Tavares, trova não é o cancioneiro medieval europeu nem a peleja de feira. É a quadra literária que ele praticou da mocidade à velhice. Descantes, de 1907, já entra na bibliografia como volume de trovas. Trovas e trovadores, de 1910, é conferência: o gênero vira assunto, não só prática. Quem chega pela palavra trova e cai nesse nome está no lugar certo. Quem espera cordel, repente ou letra de canção de consumo precisa de outro autor.

A cadeira 11 e o ano de 1948

A eleição para a cadeira 11 foi em 25 de março de 1926. A posse, em 4 de setembro do mesmo ano, teve recepção do acadêmico Laudelino Freire. Adelmar Tavares ocupou a cadeira até morrer, em 1963. O sucessor foi Deolindo Couto. Na Academia, ele também recebeu A. J. Pereira da Silva.

Em 1948 chegou à presidência da Academia Brasileira de Letras. O ano cai dentro do período em que presidiu o Tribunal de Justiça, de 1948 a 1950. A presidência literária durou aquele ano. A da corte se estendeu até 1950. A trova já estava feita, e a cadeira já era antiga, quando os dois cargos se encontraram no calendário.

Quais livros levam o nome dele

A lista pública não é prateleira de livraria com preço e estoque. São títulos datados, citados na bibliografia e, em parte, na seleção de textos da Academia. Na poesia e na prosa literária:

  • Descantes, trovas, 1907;
  • Trovas e trovadores, conferência, 1910;
  • Luz dos meus olhos, Myriam, poesia, 1912;
  • A poesia das violas, poesia, 1921;
  • Noite cheia de estrelas, poesia; a seleção da Academia atribui poemas desse livro a 1925;
  • A linda mentira, prosa, 1926;
  • Poesias, 1929;
  • Trovas, 1931;
  • O caminho enluarado, poesia, 1932;
  • A luz do altar, poesia, 1934;
  • Poesias escolhidas, 1946;
  • Poesias completas, 1958.

Luz dos meus olhos, Myriam é o livro de 1912 de onde a Academia tira poemas para a página de textos escolhidos. Poesias completas, de 1958, é a reunião tardia usada na mesma página. Noite cheia de estrelas também aparece ali, com a data de 1925. São três momentos distintos: a mocidade no Rio, o meio da carreira e a recolha perto do fim. Não são três edições do mesmo volume.

A página de textos escolhidos da Academia é o recorte institucional do verso. Os tratados de direito ficam de fora dessa seleção e pedem outra estante: a do penal, do fideicomisso e da curadoria.

O que o nome ainda responde

Adelmar Tavares não cabe numa ficha de poeta nem numa ficha de juiz. A biografia pública sustenta as duas metades com data: Recife em 1888, bacharelado em 1909, Rio em 1910, cadeira 11 em 1926, curadoria de órfãos até 1940, presidência do tribunal de 1948 a 1950, presidência da Academia em 1948, morte em 1963.

Para quem lê literatura brasileira do século XX, o nome entra pela trova e por uma poesia que a Academia descreve como romântica, lírica e presa à saudade. Para quem lê direito, entra pela cátedra de penal, pelo Banco do Brasil e por vinte e dois anos de curadoria de órfãos. As duas portas levam ao mesmo pernambucano que fez a carreira na capital sem largar a quadra.

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