Ademir Assunção tinha 16 anos quando um amigo lhe apresentou uma antologia do poeta norte-americano Robert Frost. O efeito foi imediato: deixou de lado o plano de estudar engenharia, mudou-se de Araraquara para Londrina e entrou no curso de jornalismo da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Três décadas depois, em 2013, aquele leitor adolescente de poesia recebeu o Prêmio Jabuti de Melhor Livro de Poesia do ano com A Voz do Ventríloquo.
Poeta, prosador, jornalista e compositor, Assunção nasceu em 2 de junho de 1961, em Araraquara (SP), filho do ferroviário José Gomes de Assunção Filho. A infância entre trens e viagens é uma das chaves de seu imaginário, ao lado do blues, do rock e da filosofia zen. Antes de publicar o primeiro livro, porém, foi o jornalismo que lhe deu ofício e alcance.
De Londrina a São Paulo: o jornalista que virou referência
Contratado pela Folha de Londrina em 1983, antes mesmo de se formar, Assunção passou pela editoria de política e chegou ao Caderno 2, onde desenvolveu uma escrita de crítica e reportagem cultural que chamou a atenção de nomes como Augusto de Campos e Carlos Drummond de Andrade. Em meados dos anos 1980, Paulo Leminski escreveu no Correio de Notícias, de Curitiba, que a vanguarda do jornalismo cultural brasileiro estava justamente em Londrina, citando o trabalho de Assunção e do também poeta Rodrigo Garcia Lopes.
Em 1986 mudou-se para São Paulo e foi trabalhar no Caderno 2 do jornal O Estado de S. Paulo, onde foi colega de redação do escritor Caio Fernando Abreu. Passou ainda pelo Jornal da Tarde, pela revista Marie Claire e pela Folha de S. Paulo, como editor-assistente do caderno Ilustrada.
Música: parcerias, discos e poesia vocalizada
Se o jornalismo sustentou a carreira, a música entrou como linguagem paralela. No fim dos anos 1980, Assunção iniciou uma parceria com o cantor e compositor Edvaldo Santana. Em 1988, Itamar Assumpção gravou "Ausência" e "Ouça-me", parcerias suas, no disco Intercontinental; a segunda seria regravada por Ney Matogrosso em Inclassificáveis (2008). Com o músico Madan, criou o espetáculo Psicolérico, apresentado em 1996 no auditório da Biblioteca Mário de Andrade, que deu origem ao CD Rebelião na Zona Fantasma (2005). Em 2013, lançou Viralatas de Córdoba com a banda Fracasso da Raça, formada ao lado do guitarrista Marcelo Watanabe, do baixista Caio Góes e do baterista Caio Dohogne.
A obra: do LSD Nô ao Jabuti
A estreia literária veio em 1994, com o livro de poemas LSD Nô (Iluminuras), marcado por contracultura, ritmo de rock e filosofia oriental. A prosa chegou três anos depois com A Máquina Peluda (1997), contos em que já apareciam a intertextualidade e o humor que se tornariam marcas do autor. Vieram ainda Cinemitologias (1998), Zona Branca (2001) e o romance Adorável Criatura Frankenstein (2003), que mistura personagens reais e inventados em uma sátira ao circo midiático brasileiro.
O reconhecimento nacional se consolidou em 2013, quando A Voz do Ventríloquo venceu o Prêmio Jabuti na categoria Poesia. O livro, publicado com apoio do ProAC 2011, é dividido em sete partes, cada uma aberta por um poema em prosa do "Diário do Ventríloquo", e trata de consumismo, violência e da ciranda financeira contemporânea. Pig Brother e Até Nenhum Lugar, lançados juntos em 2015, ficaram entre os finalistas do Jabuti no ano seguinte.
A produção continuou intensa nas décadas seguintes: Ninguém na Praia Brava (2016), Parapsicologia da Decomposição (2017), Risca Faca (2021), Um Nome Escrito no Vento (2021) e Espelhos (2023), uma coleção de microcontos com desenhos de Sandro Saraiva.
Revistas, curadoria e circulação internacional
Assunção também atua como editor. Coeditou a revista literária Medusa entre 1999 e 2000 e, desde 2002, integra o trio de editores da Coyote, ao lado de Rodrigo Garcia Lopes e Marcos Losnak. Assinou curadorias como a mostra Outros Bárbaros (2005 e 2007), os encontros Parcerias: A Voz da Poesia (2009) e a exposição Leminski: 20 Anos em Outras Esferas, montada no Itaú Cultural em 2009. Poemas e contos seus foram traduzidos para inglês, espanhol e alemão e publicados em revistas e antologias na Argentina, no México, no Peru e nos Estados Unidos.
Prêmios e reconhecimento
- Bolsa Funarte de Criação Literária (2010), que deu origem ao livro Pig Brother;
- Prêmio ProAC de Literatura (2011), para a publicação de A Voz do Ventríloquo;
- Prêmio Jabuti de Melhor Livro de Poesia (2013), por A Voz do Ventríloquo;
- Finalista do Prêmio Jabuti (2016), com Pig Brother e Até Nenhum Lugar;
- Prêmio Histórico de Realização / Lei Aldir Blanc – ProAC (2020).
Por onde começar a ler Ademir Assunção
Quem chega agora à obra pode escolher a porta de entrada conforme o interesse. A Voz do Ventríloquo é o caminho mais direto para a poesia que lhe rendeu o Jabuti. Zona Branca atrai quem prefere uma poesia com fio narrativo e atmosfera distópica. A Máquina Peluda apresenta o contista. Adorável Criatura Frankenstein mostra o romancista. E Deus Salve a Rainha e Evite Engarrafamentos reúne o jornalista cultural que atravessou quatro décadas de imprensa.
Perguntas frequentes sobre Ademir Assunção
Quem é Ademir Assunção?
É um poeta, prosador, jornalista e compositor brasileiro nascido em Araraquara (SP), em 1961. Formou-se em jornalismo pela UEL, atuou em veículos como Folha de Londrina, O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo e publica poesia, ficção e jornalismo cultural desde 1994.
Qual livro de Ademir Assunção ganhou o Prêmio Jabuti?
A Voz do Ventríloquo, lançado em 2012, venceu o Prêmio Jabuti de Melhor Livro de Poesia em 2013. O livro foi publicado com apoio do ProAC 2011.
Onde encontrar a obra de Ademir Assunção?
Os livros circulam em livrarias e em formato digital, e os títulos disponíveis na Amazon estão reunidos nas páginas de projetos deste perfil. Gravações de poesia vocalizada e música podem ser ouvidas no perfil oficial do autor no SoundCloud.






