Alessandra Silvestri-Levy é uma escritora e curadora de arte ítalo-brasileira que assinou, com Christophe Loviny, os textos de Cuba por Korda, livro organizado a partir de um arquivo de 20 mil negativos do fotógrafo Alberto Korda, autor do retrato mais reproduzido de Che Guevara. A obra, publicada originalmente na França e lançada no Brasil pela Cosac & Naify em 2004, nasceu de uma década que Alessandra passou entre a diplomacia cultural francesa e Havana: ela foi consulesa-geral da França em São Paulo, entre 1998 e 2000, e embaixatriz em Cuba, entre 2000 e 2004. Desde 2016, é casada com o príncipe Carl-Eduard von Bismarck, chefe da casa von Bismarck-Schönhausen.
Quem é Alessandra Silvestri-Levy?
Alessandra nasceu em São Paulo, em 1º de novembro de 1972, filha do industrial italiano Mario Silvestri e da advogada Ana Maria Boucinhas. Tem cidadania brasileira e italiana e foi educada entre Roma e São Paulo. Na Europa e nos Estados Unidos, estudou Literatura Francesa na Universidade Sorbonne, em Paris, Marketing na Universidade Americana de Paris e na Universidade da Califórnia em Los Angeles, a UCLA, entre 1991 e 1995.
Foi casada de 1998 a 2014 com o diplomata francês Jean Lévy. A madrinha do casamento foi Danielle Mitterrand, viúva do ex-presidente francês François Mitterrand e amiga do casal. Dessa fase vêm os cargos que a colocaram no centro da vida cultural de São Paulo e de Havana e o contato com artistas e fotógrafos que mais tarde dariam origem aos seus livros.
De São Paulo a Havana: a diplomacia cultural
Como consulesa-geral da França em São Paulo, entre 1998 e 2000, e depois como embaixatriz em Havana, entre 2000 e 2004, Alessandra Silvestri-Levy usou a posição para produzir e articular projetos culturais. Em Cuba, aproximou-se de nomes centrais da revolução e da cultura do país, entre eles Alfredo Guevara, um dos fundadores do Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográficos, e o fotógrafo Alberto Korda.
Em entrevista ao portal Brasil 247, publicada em dezembro de 2016, ela contou que presidiu o grupo das esposas de embaixadores em Havana, restaurou três hospitais e construiu uma escola em uma das cidades mais pobres do país. Na mesma conversa, descreveu os jantares com Fidel Castro, o interesse dele pelo noticiário brasileiro e o convívio com outros revolucionários históricos. Foi também em Havana que nasceu a relação com o acervo de Korda, que se transformaria no seu livro mais conhecido.
O acervo de Alberto Korda e o livro Cuba por Korda
Alberto Korda, nascido Alberto Díaz Gutiérrez, começou a carreira como fotógrafo de moda em Havana, nos anos 1950, e chegou a ser chamado para integrar a equipe do jornal Revolución depois da vitória da revolução, em 1959. Foi nessa função que acompanhou Fidel Castro em viagens e registrou, em 1960, durante o funeral das vítimas do navio La Coubre, a imagem de Che Guevara que se tornaria uma das fotografias mais reproduzidas do século 20.
O livro Cuba por Korda, organizado por Alessandra Silvestri-Levy e Christophe Loviny, reúne 82 imagens do fotógrafo em ordem cronológica, selecionadas a partir de 20 mil negativos. O volume mostra as duas fases de Korda, a moda e a revolução, e foi publicado em vários países, com edições na França, nos Estados Unidos, na Alemanha e na Espanha. No Brasil, chegou em agosto de 2004, pela Cosac & Naify, com lançamento na Fnac Pinheiros, em São Paulo, na presença dos dois autores.
Curadoria, cinema e festivais
A atuação de Alessandra como curadora acompanha a carreira diplomática e a escrita. Em 2002 e 2003, assinou com Laura Serani, diretora das Galeries Photo da Fnac, uma exposição sobre Korda no espaço Forum des Halles, em Paris. Em 2006, ao lado da curadora Jully Fernandes, comissariou o I Festival de Filmes Publicitários sobre Futebol, produzido pela Cinemateca Brasileira, em São Paulo.
Ela também foi diretora executiva internacional da Fundação do Cinema Brasileiro, a Cinemateca Brasileira, e produziu mostras de fotografia, arte contemporânea e literatura em Paris, São Paulo e Havana. Em Paris, montou o Panorama da Cultura Cubana, projeto que reuniu 350 fotografias, 85 filmes cubanos, cinco livros e grupos de música em espaços públicos da cidade.
O que Alessandra Silvestri-Levy escreveu
- Cuba por Korda (2002) — livro de fotografias de Alberto Korda organizado com Christophe Loviny, com edição brasileira da Cosac & Naify em 2004.
- Les Années Révolutionnaires (2002) — publicado na França pela Éditions de l'Aube.
- Cuba Sempre (2007) — edição da revista Caros Amigos.
- Che Guevara: Combatente e Intelectual (2007) — publicado pela Casa Amarela.
Princesa von Bismarck-Schönhausen e a atuação pública
Em 2016, Alessandra casou-se em Cascais, em Portugal, com o príncipe Carl-Eduard von Bismarck, empresário, ex-membro do Parlamento alemão e tataraneto do chanceler Otto von Bismarck. Passou a usar o título de condessa von Bismarck-Schönhausen e, desde 2019, é titulada princesa von Bismarck-Schönhausen.
A vida pública dela inclui causas sociais e ambientais. Em 2021, foi madrinha da 9ª campanha solidária de Natal do Jornal de Brasília, que arrecadou alimentos não perecíveis, brinquedos novos, fraldas geriátricas e produtos de higiene pessoal para 24 instituições e ONGs do Distrito Federal e do Entorno. Na ocasião, afirmou que a cooperação humanitária "é um ato cotidiano" e defendeu o combate à violência contra crianças, mulheres e pessoas LGBT. A escolha veio dos laços que mantém com Brasília, cidade pela qual diz ter carinho especial e onde tem amigos.
Por que Alessandra Silvestri-Levy é buscada hoje
O nome dela aparece ligado a quatro interesses diferentes: o livro sobre Korda e a fotografia cubana, a passagem pela diplomacia cultural francesa, a relação com Fidel Castro e a revolução cubana, e o título de princesa von Bismarck. São frentes distintas de uma mesma trajetória, que começou em São Paulo, passou por Paris e Havana e chegou à Alemanha sem deixar de lado o Brasil.
Quem procura entender a obra dela encontra, aqui no site, páginas de fotografia e de literatura que ajudam a situar o trabalho de curadoria e de escrita. O livro Cuba por Korda segue como porta de entrada mais direta para a produção dela: nele estão a fotografia, a memória política e o olhar editorial que marcaram a carreira de Alessandra Silvestri-Levy.


