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Foto de perfil de Alex Pereira

Alex Pereira

Poatan

Nascimento: 1987 São Bernardo do Campo, SP
Alex Poatan, campeão de duas divisões no UFC e ex-rei do Glory Kickboxing: de São Bernardo ao octógono, rivalidade com Adesanya e Instituto Poatan.

Antes do gancho de esquerda virar marca registrada no UFC, Alex Pereira ainda carregava borracha, pedra e o peso de um bairro sem mapa para o octógono. No Batistini, em São Bernardo do Campo, o menino que largou a escola cedo para ajudar a família não parecia o futuro de duas divisões do Ultimate — e, ainda assim, foi exatamente isso que o público começou a caçar quando o nome Poatan saiu do kickboxing e entrou no card principal.

Alex Sandro Silva Pereira nasceu em 7 de julho de 1987 e construiu uma das trajetórias mais bruscas do combate contemporâneo: campeão de duas categorias no Glory Kickboxing, campeão peso-médio e duas vezes campeão meio-pesado no UFC, e, em 2026, já testado também no peso-pesado. Quem busca “quem é Alex Pereira” quer a biografia, o apelido, a rivalidade com Israel Adesanya, a subida de categoria e o que o brasileiro representa fora da jaula — incluindo o Instituto Poatan, no mesmo chão de periferia onde ele cresceu.

Origem no Batistini e a virada pelo kickboxing

Pereira cresceu no bairro de Batistini, região periférica de São Bernardo do Campo, no ABC paulista. A infância e a adolescência passaram longe de academias caras: aos 12 anos ele interrompeu os estudos para trabalhar, passando por pedreiro ao lado do pai, engraxate, vendedor de rosas e, depois, emprego fixo em borracharia local. A biografia pública também registra uma juventude marcada por perdas familiares e por um longo embate com o alcoolismo, vício que ele próprio relatou ter enfrentado desde cedo e abandonado de forma definitiva no fim de 2012.

Foi o kickboxing, aos 21 anos, que reorganizou a rotina. Na academia do mestre Belocqua Wera, o talento para o golpe seco e o poder de nocaute vieram à tona. O apelido Poatan — “mãos de pedra” em tupi, segundo a narrativa consolidada da carreira — nasceu nesse ambiente de treino e de redescoberta da ascendência indígena Pataxó, que Pereira passou a carregar em pesagens, roupas e gestos públicos. A luta deixou de ser escape e virou profissão com método: distância, timing e o gancho de esquerda como sentença.

Do boxe amador ao domínio no Glory

Antes de estourar no ringue profissional de kickboxing, Pereira acumulou experiência no boxe amador brasileiro, com cartéis frequentemente citados na casa das dezenas de lutas e alto volume de nocautes. No kickboxing, a escalada passou por Jungle Fight, WGP, It's Showtime e SuperKombat, até a estreia no Glory em 2014, com vitória no torneio de contendores em Zagreb.

No Glory, o brasileiro fez história como campeão peso-médio e, em seguida, como o primeiro a segurar títulos em duas divisões ao mesmo tempo — médio e meio-pesado. As defesas, os nocautes em eventos de peso (incluindo no Madison Square Garden) e, sobretudo, as duas vitórias sobre Israel Adesanya no kickboxing moldaram a lenda antes mesmo do UFC. Em fevereiro de 2021, rankings especializados já o colocavam no topo das divisões de médio e meio-pesado do kickboxing mundial.

  • Campeão peso-médio do Glory, com defesas contra nomes como Yousri Belgaroui, Simon Marcus e Jason Wilnis.
  • Campeão meio-pesado do Glory, inclusive após vencer Artem Vakhitov por decisão dividida e se tornar campeão simultâneo de duas categorias.
  • Único atleta conhecido a unir títulos mundiais de duas divisões no kickboxing e, depois, no MMA de elite.

Chegada ao MMA e a explosão no UFC

A transição para o MMA não foi linear. A estreia profissional, em 2015 no Jungle Fight 82, terminou em derrota por finalização. Vitórias seguintes no circuito brasileiro e na Legacy Fighting Alliance (LFA) recolocaram o projeto nos trilhos. Em setembro de 2021, o UFC anunciou a contratação; a estreia veio no UFC 268, com nocaute técnico via joelhada voadora sobre Andreas Michailidis e o primeiro bônus de Performance da Noite.

Em 2022, o ritmo acelerou: decisão unânime sobre Bruno Silva, nocaute em Sean Strickland no UFC 276 e, em novembro, a noite do UFC 281. Contra Israel Adesanya, Pereira fechou o quinto round por nocaute técnico e saiu com o cinturão peso-médio do UFC. A trilogia entre os dois — duas vitórias no kickboxing, uma no MMA e a perda do título no UFC 287, quando Adesanya devolveu o nocaute — virou uma das rivalidades mais buscadas da década no esporte.

Meio-pesado, bi-campeonato e a passagem pelo peso-pesado

Depois de perder o título dos médios, Pereira subiu para os meio-pesados. Venceu o ex-campeão Jan Błachowicz por decisão dividida no UFC 291 e, no UFC 295, nocauteou Jiří Procházka para conquistar o cinturão vago da divisão. Com isso, tornou-se o nono campeão de duas categorias na história do UFC e o primeiro a unir especificamente os títulos de médio e meio-pesado da organização.

O primeiro reinado nos 93 kg foi curto e intenso: nocaute em Jamahal Hill no UFC 300, nova vitória sobre Procházka no UFC 303 e nocaute técnico em Khalil Rountree Jr. no UFC 307 — três defesas em 175 dias, recorde de velocidade na promoção. Em 2025, perdeu o cinturão para Magomed Ankalaev no UFC 313 e o recuperou no UFC 320, de novo por interrupção no primeiro round. Em 2026, deixou o título dos meio-pesados vago ao mirar o peso-pesado e disputou o cinturão interino contra Ciryl Gane no UFC Freedom 250, caindo por nocaute técnico no segundo round.

Mesmo fora do auge absoluto de um reinado contínuo, Pereira segue no radar dos rankings oficiais e da conversa peso por peso: a base de Glory, a evolução de clinch e defesa de queda com Glover Teixeira e Plinio Cruz, e a capacidade de mudar o card com um único golpe mantêm o nome no centro das buscas sobre MMA e artes marciais.

Estilo de luta: calma, pressão e o gancho que define lutas

O estilo de Alex Pereira carrega a assinatura do kickboxing de elite. Ele costuma manter postura ereta, ritmo calculado e chutes baixos que desaceleram o adversário antes do poder de mão. O gancho de esquerda — arma de contra-ataque quando o oponente se estica — finalizou rivais no Glory e no UFC. A eficiência importa mais que o volume: muitos golpes nascem com intenção de encerrar a luta, não apenas de marcar pontos.

No solo e no clinch, a curva de aprendizado foi pública. A entrada no MMA com pouca bagagem de grappling deu lugar a defesas de queda mais confiáveis e a um trabalho de corpo a corpo lapidado em treinos com o ex-campeão Glover Teixeira. O resultado é um meio-pesado (e, depois, um pesado) que ainda decide no striking, mas já não depende só da distância de ringue.

Vida pública, herança Pataxó e Instituto Poatan

Fora do octógono, Pereira tem dois filhos e uma presença digital forte: Instagram oficial, canal no YouTube e participação constante em bastidores de pesagem, coletivas e conteúdos do UFC. A estética indígena Pataxó — pintura, adornos e visitas a territórios, como o registro após o título dos médios — virou parte da identidade pública do atleta, sem substituir o núcleo da busca do fã: desempenho, cartéis e próximos desafios.

O Instituto Poatan, com sede ligada a São Bernardo do Campo e ao bairro de Batistini, é o braço social da trajetória. O projeto oferece, de forma gratuita, aulas de artes marciais (kickboxing e jiu-jitsu), inglês e informática a crianças e adolescentes em vulnerabilidade. Em aparições públicas, Pereira falou em centenas de jovens matriculados e na intenção de devolver, pela educação e pelo esporte, o que a luta deu a ele. Em 2026, o UFC anunciou o Prêmio Comunitário Forrest Griffin ao instituto, reforçando a leitura do trabalho além do ranking.

No ecossistema brasileiro do Ultimate, o nome de Pereira dialoga com outras histórias de periferia ao título — entre elas a de Charles Oliveira, referência dos leves e de uma geração que levou o interior e a baixada ao centro do card. São carreiras diferentes, mesmas perguntas do público: de onde veio, como treina, o que defende dentro e fora da jaula.

Onde acompanhar e o que o público procura

Para seguir a carreira atualizada, as rotas mais diretas são o perfil oficial no UFC, o Instagram @alexpoatanpereira e o canal Alex Poatan Pereira no YouTube, com treinos, bastidores e ações do instituto. O hub poatan.meteor.land concentra comunidade e produtos oficiais ligados à marca do lutador.

Na prática, quem pesquisa Alex Pereira costuma querer três respostas rápidas: quem é o Poatan, como ele chegou do kickboxing ao bi-campeonato no UFC, e o que resta da lenda depois das trocas de divisão. A biografia pública responde com fatos de São Bernardo, Glory, Adesanya, Procházka, Ankalaev, Gane e um instituto que tenta transformar o mesmo chão de origem em trampolim para outra geração.

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Projetos de Alex Pereira

Instituto Poatan
Instituto Poatan
Projeto social de Alex Poatan em São Bernardo: kickboxing, jiu-jitsu, inglês e informática gratuitos para jovens em vulnerabilidade.
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