Em 2002, enquanto o cinema enchia as salas com o Episódio II de Star Wars, dois amigos do Rio transformaram fanatismo de quadrinho, RPG e ficção científica em um blog de humor. O apelido que ficou no ar — Jovem Nerd — não era só personagem: era o ponto de partida de Alexandre Ottoni de Menezes, o apresentador e empreendedor por trás de um dos maiores ecossistemas de cultura pop do Brasil.
Quem busca “Alexandre Ottoni” ou “Jovem Nerd” costuma querer saber quem fala no microfone do NerdCast, como o site nasceu e o que restou da marca depois da chegada do Magazine Luiza. A resposta passa por podcast, loja, YouTube, editora e uma parceria de mais de duas décadas com Deive Pazos, o Azaghal.
Quem é Alexandre Ottoni, o Jovem Nerd
Alexandre Ottoni de Menezes nasceu no Rio de Janeiro em 23 de março de 1979. Formou-se em Desenho Industrial pelo Centro Universitário da Cidade do Rio de Janeiro (UniverCidade), onde conheceu Deive Pazos — amigo, sócio e concunhado. O gosto por Star Wars, Star Trek, RPG e histórias em quadrinhos não ficou só na prateleira: virou matéria-prima de um portal que, com o tempo, deixou de ser blog amador e passou a operar como casa de entretenimento com várias frentes.
No perfil institucional do Jovem Nerd, Ottoni aparece como voz de equilíbrio nos programas, mestre e jogador nos especiais de RPG e figura pública ligada ao NerdPower, a comunidade de ouvintes e leitores que cresceu junto com o projeto. Os apelidos Jovem Nerd, Alottoni e o de infância Feijão circulam em biografias e na memória da audiência; no ar e nas redes, o handle principal segue sendo @jovemnerd.
Do blog de Star Wars ao portal Jovem Nerd
O site nasceu em 2002, a partir do entusiasmo pelo lançamento de Star Wars: Episódio II – Ataque dos Clones. A parceria Ottoni–Pazos gerou notícias, humor, podcasts e, mais tarde, o NerdBunker, a central de cobertura de filmes, séries, games e cultura geek. Em 2006 veio o marco que mudou a escala: o NerdCast, podcast de conversa longa sobre cultura pop, ciência, comportamento e zoeira — com edições que viraram referência nacional, dos especiais de Dia dos Namorados às sagas de RPG.
Coberturas de imprensa e perfis empresariais apontam o NerdCast entre os podcasts mais ouvidos do país e citam o marco de um bilhão de downloads — primeiro podcast brasileiro a alcançar essa marca, segundo reportagens da época. O microfone abriu caminho para outras peças do mesmo universo:
- loja online NerdStore (a partir de 2007), com camisetas, colecionáveis e produtos da cultura nerd;
- selo editorial Nerdbooks (a partir de 2009), com obras e universos ligados à marca;
- canal no YouTube a partir de 2010, com quadros como NerdOffice e NerdPlayer;
- universos de RPG e ficção, como Ghanor e Cyberpunk, nascidos das mesas do NerdCast.
Empreendedorismo, NerdStore e o capítulo Magazine Luiza
Ottoni não se limita ao papel de apresentador. É co-fundador e sócio histórico da operação que reúne conteúdo e comércio: a empresa Jovem Nerd Produção de Conteúdo LTDA (CNPJ 10.425.769/0001-05) aparece no rodapé e em registros públicos da marca. A NerdStore virou referência de e-commerce para fãs; a Nerdbooks mostrou que o mesmo público comprava livro e experiência de leitura, não só meme e camiseta.
Em abril de 2021, o Magazine Luiza anunciou a aquisição do Jovem Nerd. A página institucional da marca descreve o movimento como novo capítulo com estrutura Magalu e liberdade criativa mantida — o que permitiu ampliar o portfólio de programas (incluindo projetos com Agatha Ottoni, a esposa de Alexandre, e Andreia Pazos no Caneca de Mamicas, entre outras iniciativas da casa). Ottoni segue associado à marca e à frente de conteúdo após a venda.
Há também o episódio da Manda Salve, plataforma de vídeos de celebridades co-fundada por ele e depois vendida, em 2021, segundo cobertura de negócios. O LinkedIn público de Ottoni lista ainda a co-fundação da Amazing Pixel e o papel de head de conteúdo no ecossistema Jovem Nerd.
YouTube, redes e presença pública
No YouTube, o canal @JovemNerd reúne videocasts, gameplays e formatos que espelham o tom do podcast: conversa, comentário de cultura pop e humor ácido sem perder o fio da pauta. A Wikipédia e o próprio canal citam números na casa de milhões de inscritos e centenas de milhões de visualizações ao longo da trajetória — marcas que ajudam a entender por que a busca pelo nome dele costuma misturar “quem é” com “onde ouvir” e “onde comprar”.
Nas redes oficiais, o perfil de Instagram @jovemnerd, o Facebook da marca, o TikTok e a Twitch do Jovem Nerd concentram bastidores de gravação, campanhas da NerdStore, NerdCon e avisos de episódio. Quem chega pelo podcast costuma encontrar o mesmo rosto e a mesma voz no vídeo e no e-commerce — uma continuidade rara entre conteúdo e produto.
Na imprensa, a dupla Jovem Nerd / Azaghal entrou em listas de influência da revista Época e da Galileu em 2013. Reportagens do El País, IstoÉ, Exame e InfoMoney mapearam o caminho do blog ao negócio de entretenimento e a aposta do Magalu no público nerd.
Como o trabalho dele se conecta a outros criadores
O portal Jovem Nerd também abrigou ou impulsionou vozes de divulgação científica e cultura. Um exemplo próximo é o Atila Iamarino, cuja passagem pelo Nerdologia e pelo ecossistema do site ilustra como a casa de Ottoni e Pazos virou plataforma para mais do que zoeira de filme: ciência, notícia e debate público também passaram pelo mesmo microfone e pela mesma grade.
Para quem navega por criadores de podcast e YouTube no Brasil, Ottoni ocupa um lugar de pioneiro de formato longo em áudio — com humor de mesa de bar e cadência de programa semanal que formou o ouvido de uma geração inteira de ouvintes.
Livro, biografia e o que ler sobre a trajetória
A trajetória da dupla ganhou registro em livro com Jovem Nerd: Zerando a Vida, biografia oficial escrita pelo jornalista Rafael de Pino e publicada com a Jambô Editora. A obra cobre famílias, amizades, a cena nerd brasileira e o caminho do blog à empresa de conteúdo — útil para quem quer o “por trás do microfone” com mais fôlego do que um perfil de rede social.
No catálogo e nas lojas, o livro aparece ao lado de produtos do universo NerdCast e da NerdStore; não substitui ouvir o podcast, mas organiza datas, viradas e contexto que o episódio semanal não tem tempo de explicar.
Onde acompanhar e o que observar
O ponto de partida mais estável continua sendo o site jovemnerd.com.br, com o feed do NerdCast, notícias do NerdBunker e links para as redes. A NerdStore concentra a vitrine comercial; o YouTube e o Spotify (e demais agregadores de podcast) levam o áudio e o vídeo. Em eventos e convenções, Ottoni já marcou presença em agendas da cena nerd, incluindo encontros com fãs e editoras parceiras.
Vale lembrar o recorte: a página fala da pessoa pública e da marca que ele ajudou a construir — não de vida privada além do que ele e a empresa já publicam. Para compra, assinatura de episódio e merchandising, os canais oficiais e a loja são a rota mais direta; para entender o método, o melhor atalho ainda é colocar o fone e ouvir como Ottoni conduz uma pauta de duas horas sem perder o fio da conversa.




