Alice Braga Moraes nasceu em São Paulo, em 15 de abril de 1983, e se tornou uma das atrizes brasileiras de maior trânsito entre o cinema nacional e as produções internacionais. O contato com o ofício começou na infância, nos sets de filmagem que a mãe, a atriz Ana Braga, e a tia, Sônia Braga, frequentavam. Foi nesse ambiente que ela fez sua estreia, aos 15 anos, no curta-metragem Trampolim, de 1998 — quatro anos antes de o país inteiro conhecer seu rosto.
Aos 19 anos, Alice abandonou o primeiro ano do curso de Comunicação das Artes do Corpo, na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, para se dedicar à atuação. A escolha veio pouco antes do convite para viver Angélica em Cidade de Deus, filme de Fernando Meirelles lançado em 2002 que projetou o cinema brasileiro no circuito internacional e abriu para ela uma carreira que atravessaria Hollywood, séries americanas e festivais de cinema.
Angélica em Cidade de Deus: o papel que revelou a atriz
Em Cidade de Deus, Alice interpretou Angélica, namorada de Buscapé, o narrador da história. O longa acompanha décadas de transformação de um conjunto habitacional do Rio de Janeiro e do crime organizado que cresce dentro dele. Indicado a quatro Oscars em 2004, entre eles o de Melhor Direção, o filme transformou um elenco quase todo formado por atores iniciantes em presença constante no cinema brasileiro da década seguinte.
A atuação lhe rendeu uma indicação ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro de Melhor Atriz Coadjuvante, em 2003. O reconhecimento ainda era pequeno diante do que viria: mesmo com uma personagem secundária, Alice passou a ser disputada por diretores que buscavam um rosto novo para o cinema nacional.
Cidade Baixa e a safra de prêmios de melhor atriz
Em 2005, Alice viveu Karina em Cidade Baixa, drama de Sérgio Machado rodado em Salvador. Na trama, ela é a dançarina que desembarca na vida de dois amigos inseparáveis que dividem um barco, interpretados por Lázaro Ramos e Wagner Moura, e provoca um triângulo amoroso que muda a relação dos três. O roteiro é assinado por Machado e Karim Aïnouz, e o filme estreou na mostra Un Certain Regard, do Festival de Cannes.
A personagem rendeu à atriz a maior safra de prêmios de sua carreira no Brasil: Melhor Atriz no Festival do Rio, no Festival de Verona e na APCA, em 2005; os prêmios de Melhor Atriz e Melhor Revelação no Guarani de 2006; e ainda o Contigo!, o ACIE e o júri e o voto popular do Festival Sesc Melhores Filmes. Em 2007, veio o Grande Otelo de Melhor Atriz, no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro.
Da televisão brasileira à estreia em Hollywood
Antes de cruzar a fronteira, Alice passou pela TV Globo, em um episódio da série Carandiru, Outras Histórias (2005), apresentou o programa Superbonita, do GNT, em 2010, e integrou o elenco de As Brasileiras, em 2012. A ponte para o mercado americano veio com Journey to the End of the Night, exibido no Festival de Tribeca em 2006, ao lado de Brendan Fraser, Mos Def e Catalina Sandino Moreno.
No ano seguinte, foi escalada para Eu Sou a Lenda, ao lado de Will Smith — seu primeiro grande filme de estúdio. Depois vieram Redbelt (2008), Ensaio Sobre a Cegueira (2008), que marcou o reencontro com Fernando Meirelles, Território Restrito (2009), Repo Men e Predadores (2010), O Ritual (2011), com Anthony Hopkins, Na Estrada (2012), de Walter Salles, e Elysium (2013), de Neill Blomkamp, com Matt Damon e Jodie Foster.
Queen of the South: a protagonista de uma série americana
Em 2016, Alice assumiu o papel que a transformaria em protagonista de uma série de televisão americana: Teresa Mendoza, em Queen of the South, do canal USA Network. Baseada no romance La Reina del Sur, de Arturo Pérez-Reverte, a trama acompanha uma jovem mexicana que foge para os Estados Unidos depois da morte do namorado traficante e reconstrói a vida até se tornar chefe de um cartel.
A série durou cinco temporadas, encerradas em 2021, e rendeu à atriz cinco indicações consecutivas ao Imagen Awards, premiação dedicada a produções latinas nos Estados Unidos. No mesmo período, ela ainda apareceu em Samantha! (2018), da Netflix, e em We Are Who We Are (2020), série da HBO dirigida por Luca Guadagnino.
Pixar, super-heróis e o cinema brasileiro recente
A década de 2020 mostrou uma atriz à vontade em gêneros diferentes. Em 2020, Alice interpretou a médica Cecília Reyes em The New Mutants e deu voz à conselheira Jerry na versão original de Soul, da Pixar. Em 2021, foi Solsoria em The Suicide Squad, de James Gunn.
No cinema brasileiro, voltou ao primeiro plano com Eduardo e Mônica (2022), no qual vive Mônica, na adaptação da canção de Renato Russo dirigida por René Sampaio — atuação que lhe valeu o Prêmio APCA de Melhor Atriz de Cinema em 2023. No mesmo ano, contracenou com Ben Affleck em Hypnotic e integrou a série Assassinato no Fim do Mundo. Em 2024, foi Amanda Lucas em Dark Matter, da Apple TV+, e em 2026, Valeria Melo na série Homem em Chamas, da Netflix.
Idiomas, Academia de Hollywood e o alcance da carreira
Fluente em português, espanhol e inglês, Alice Braga construiu uma trajetória rara entre atores brasileiros: alterna produções de estúdio em Hollywood, séries de televisão e filmes brasileiros de orçamento menor, sem abandonar nenhum dos dois mercados. Em 2018, foi convidada a integrar a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que organiza o Oscar. Em 2023, recebeu o Troféu Kikito de Cristal no Festival de Cinema de Gramado, honraria concedida a personalidades do audiovisual.
Para o leitor que chega pelo nome, o caminho natural é começar pelas obras que explicam cada fase: o drama da periferia carioca que a revelou, o suspense baiano que a premiou, o filme de estúdio que a levou a Hollywood e a série que a tornou protagonista nos Estados Unidos. As páginas de projeto deste perfil detalham Cidade de Deus, Cidade Baixa e as demais obras citadas.
Como acompanhar o trabalho de Alice Braga
O perfil oficial no Instagram (@alicebraga) e a página no IMDb concentram anúncios de lançamentos, filmografia e créditos atualizados da atriz. Vale acompanhar também as produções por fase da carreira:
- Cinema brasileiro — Cidade de Deus (2002) e Cidade Baixa (2005) marcam a primeira fase e os prêmios nacionais.
- Cinema internacional — Eu Sou a Lenda (2007) e Elysium (2013) estão entre os títulos de maior circulação fora do Brasil.
- Televisão — Queen of the South (2016–2021) tem Alice como protagonista nas cinco temporadas, disponíveis em DVD e em plataformas digitais.
- Streaming — Dark Matter (2024), na Apple TV+, e Homem em Chamas (2026), na Netflix, são os trabalhos mais recentes.






