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Lázaro Ramos

Lazinho

Nascimento: 1978 Salvador, BA / Rio de Janeiro, RJ
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Ator, diretor e escritor de Salvador. Do Bando de Teatro Olodum a Madame Satã, ao Foguinho e aos livros Na Minha Pele e Na Nossa Pele.

Em 2002, Lázaro Ramos interpretou João Francisco dos Santos em Madame Satã, de Karim Aïnouz, e saiu do filme com o Grande Otelo, o APCA e o Guarani de melhor ator.

Quem procura o nome hoje não encontra um ofício só. Luís Lázaro Sacramento de Araújo Ramos nasceu em Salvador em 1º de novembro de 1978, vive no Rio de Janeiro e reparte a vida pública entre palco, cinema, novela, direção e livro. Nas redes pede para ser chamado de Lazinho. O primeiro nome de palco, Lula Somar, ele mesmo explicou no Programa do Jô, em 2016: um encaixe de Luís, Lázaro e Ramos lido ao contrário.

Quem é Lázaro Ramos

O nome completo importa porque separa o ator baiano de homônimos que aparecem em cadastros de empresa pelo Brasil. A biografia pública começa em Salvador, no bairro do Garcia, detalhe que ele repete na apresentação do Instagram. No colegial técnico estudou patologia e, enquanto ensaiava, trabalhou como técnico de laboratório de análises clínicas. Era filho único. A mãe, Célia Maria do Sacramento, morreu quando ele tinha 18 anos. Esse dado, hoje central no livro Na Nossa Pele, já estava na conversa pública antes de virar capa de revista.

Desde 2005 é casado com a atriz Taís Araújo. Os dois têm João Vicente e Maria Antônia. O casamento não é nota de rodapé da carreira: eles contracenaram em Cobras & Lagartos, em Mister Brau e no teatro em O Topo da Montanha. Em julho de 2009, Lázaro foi nomeado embaixador do UNICEF no Brasil, função que a própria editora Pallas ainda cita ao apresentá-lo. Em maio de 2025, o Ministério da Cultura entregou a ele a Ordem do Mérito Cultural.

Do bairro do Garcia ao Bando de Teatro Olodum

O teatro entrou cedo e sem glamour de estreia. Aos dez anos já fazia pequenos trabalhos com o nome Lula Somar. Aos doze, substituiu o primo numa participação de A Bruxinha que Era Boa, de Maria Clara Machado, num teatro itinerante que passava por Salvador. Aos quinze decidiu ser ator. Em 1994 entrou no Bando de Teatro Olodum, grupo de atores negros dirigido por Marcio Meirelles, e estreou na peça Bai, Bai Pelô.

O cinema chegou primeiro como figuração. Em 1995, o bando aparece em Jenipapo, de Monique Gardenberg. O primeiro personagem com nome veio em 1998, na comédia Cinderela Baiana, de Conrado Sanchez. O filme foi mal recebido. Para Lázaro, o cachê serviu para se manter enquanto estudava. Esse detalhe, registrado na trajetória pública, explica um começo menos heroico do que a ficha de prêmios sugere: havia conta de casa, curso técnico e palco no mesmo calendário.

Madame Satã, Foguinho e a televisão

O salto de público começa no teatro, não na novela. Em 2000, A Máquina, de João Falcão, colocou no mesmo palco Lázaro Ramos, Gustavo Falcão, Vladimir Brichta e Wagner Moura, os quatro dividindo o personagem Antônio. No mesmo ano ele fez Max em Woman on Top, comédia internacional de Fina Torres, ao lado de Penélope Cruz e Murilo Benício. Em 2002, a estreia na Globo foi Massu, um dos quatro amigos de Pastores da Noite, minissérie ambientada em Salvador a partir de Jorge Amado.

Madame Satã mudou a escala. O papel era o transformista João Francisco dos Santos, figura violenta e célebre da noite carioca. A crítica tratou o trabalho como atuação, não como curiosidade. Vieram Grande Otelo, APCA e Guarani, todos de melhor ator. No ano seguinte, Héctor Babenco escalou Lázaro como Ezequiel em Carandiru, e Jorge Furtado lhe deu André, o operador de fotocópia de O Homem que Copiava. Em 2005, João de Camargo em Cafundó, de Paulo Betti, levou o Kikito de melhor ator em Gramado. Cidade Baixa, de Sérgio Machado, o pôs de novo com Wagner Moura e com Alice Braga.

A televisão aberta chegou de verdade em 2006, com Foguinho, malandro de Cobras & Lagartos, novela de João Emanuel Carneiro. Ellen, o par romântico, era Taís Araújo. O papel rendeu o APCA de melhor ator de televisão e uma indicação ao Emmy Internacional de melhor ator em 2007. Também em 2006 estreou Espelho, no Canal Brasil, programa de entrevistas que ficou no ar até 2021 e atravessou 15 temporadas. Em 2007, Evilásio Caó, em Duas Caras, entrou num triângulo com personagens de Sheron Menezes e Débora Falabella e levou o preconceito racial para o centro da trama. Roque, de Ó Paí, Ó, saiu do filme de 2007 para a série da Globo e voltou no cinema em Ó Paí, Ó 2.

Mister Brau e os folhetins

Em 2012, Zé Maria, capoeirista de Lado a Lado, foi o primeiro grande papel de época. A novela, de João Ximenes Braga e Claudia Lage, levou o Emmy Internacional da categoria. De 2015 a 2018, Mister Brau, criada por Jorge Furtado e Adriana Falcão, colocou Lázaro e Taís como um casal de cantores negros e ricos na Barra da Tijuca. O texto usava humor para falar de racismo, feminismo e direitos. Foram três temporadas. Em 2023 ele voltou à Globo como Mário Fofoca, em Elas por Elas. Em 2026 estreou Jendal, ditador do reino fictício de Batanga, em A Nobreza do Amor. O próprio ator contou ao gshow que tinha evitado vilões de novela por cerca de vinte anos.

Direção, Prime Video e a volta às novelas

A câmera do outro lado veio aos poucos. Lázaro dirigiu episódios de Espelho, o documentário Zózimo Bulbul (2006) e Bando, um Filme De (2018), sobre o grupo que o formou. No teatro, dirigiu e atuou com Taís em O Topo da Montanha, texto de Katori Hall traduzido por Sílvio de Albuquerque, que imagina as últimas horas de Martin Luther King Jr. Com Tatiana Tibúrcio, dirigiu O Método Grönholm e recebeu indicação ao Prêmio Shell de melhor direção.

O longa de estreia na direção é Medida Provisória, de 2022, que ele também escreveu. A história se passa num Brasil futuro em que uma medida provisória manda brasileiros afrodescendentes de volta aos países dos antepassados, mesmo contra a vontade. O filme lhe deu o prêmio de melhor diretor no Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa. Em setembro de 2021, a Wikipedia e a Memória Globo registram o contrato de exclusividade de três anos com o Amazon Studios, cobrindo produções do Prime Video e frentes como Amazon Music e Alexa. A Memória Globo descreve a saída da Globo naquele ano e a volta em 2023, justamente para Elas por Elas. O acordo não apagou o cinema de ator: em 2026 ele está em Velhos Bandidos, de Cláudio Torres, como o investigador Oswaldo, ao lado de Fernanda Montenegro, Ary Fontoura, Vladimir Brichta e Bruna Marquezine, e também em Os Outros, no Globoplay, como Roberto.

O que ele publica

A literatura não é um apêndice recente. A Bravo! aponta Paparutas, de 2000, como a primeira obra publicada. A Velha Sentada, de 2010, foi reeditada pela Pallas. Os infantis que o público mais reconhece são Caderno de Rimas do João (2015) e Caderno Sem Rimas da Maria (2018), ligados publicamente aos filhos, com o projeto Viagens da Caixa Mágica em 2019. Sinto o que Sinto e a Incrível História de Asta e Jaser (2019) e O Pulo do Coelho (2021) seguiram na linha infantil, esta última pela Carochinha.

O ensaio adulto começa em 2017, com Na Minha Pele, pela Objetiva. A GQ registrou mais de 300 mil exemplares. Em 2022 veio a primeira ficção juvenil, Você Não é Invisível, ilustrada por Oga Mendonça e levada à Flip. Em março de 2025, Na Nossa Pele, subtítulo Continuando a conversa, também pela Objetiva, retoma o fio e coloca a mãe no centro. Quem lê ensaio e livro infantil no mesmo fôlego encontra outros nomes na página de literatura. Entre eles está Otávio Júnior, autor de infantis que devolvem memória negra a leitores pequenos, caso de Menino Benjamim.

Os livros não substituem a filmografia, e a filmografia não explica os livros. O leitor que chega por Foguinho encontra um ator de novela. O que fica até o ensaio encontra um escritor que usa a própria pele como matéria, sem transformar cada papel em capítulo de autocobrança.

Onde acompanhar o trabalho

O Instagram @olazaroramos, o Facebook oficial, o TikTok @olazaroramosmesmo e o perfil no X concentram avisos de novela, cinema e lançamento. A newsletter Lazinho Soltinho sai no Substack. O UNICEF segue como vínculo institucional desde 2009. Não há, na apresentação pública atual, um canal pessoal de YouTube que se possa apontar com a mesma segurança das outras redes. O programa Espelho pertence à história do Canal Brasil, não a um canal próprio.

  • Madame Satã (2002), direção de Karim Aïnouz, no papel de João Francisco dos Santos.
  • Cobras & Lagartos (2006), Foguinho, com indicação ao Emmy Internacional em 2007.
  • Mister Brau (2015–2018), série da Globo com Taís Araújo.
  • Medida Provisória (2022), longa que ele escreveu e dirigiu.
  • Na Minha Pele (2017) e Na Nossa Pele (2025), os dois pela Objetiva.

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Na Minha Pele
Na Minha Pele
Ensaio de 2017 pela Objetiva em que Lázaro Ramos mistura memória, racismo, família e o ofício de ator, sem se apresentar como biografia fechada.
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Na Nossa Pele
Na Nossa Pele
Livro de 2025 pela Objetiva que retoma Na Minha Pele e coloca no centro a mãe de Lázaro, Célia Maria do Sacramento.
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