Você Não é Invisível é a primeira ficção de Lázaro Ramos escrita para jovens. A Objetiva publicou o livro em 4 de novembro de 2022, com 112 páginas, ISBN 978-85-390-0732-5, capa e ilustrações de Oga Mendonça. A idade de leitura indicada na Amazon fica entre 11 e 14 anos. O lançamento passou pela Flip daquele ano, ao lado de poetas como Alice Neto de Sousa e Midria.
A história é de uma família em quarentena. Carlos e Vitória são irmãos e quase só encontram o pai no fim do dia. São diferentes no jeito de se expressar e iguais numa pergunta: qual é o lugar deles no mundo. Vitória escreve. Carlos, cansado da rejeição dos colegas, grava vídeos com um personagem anônimo que usa um saco de papel na cabeça. O O Globo chama o garoto de Carrinho, de 16 anos, e a irmã de 14. A editora usa Carlos. Os dois nomes circulam na cobertura do mesmo livro e apontam para o mesmo irmão.
Lázaro explicou, em entrevistas à ELLE e ao Mundo Negro, que o título é uma frase que gostaria de ter ouvido na própria adolescência em Salvador, quando livro ainda parecia obrigação de escola. Ele também descreveu a obra como ponte entre os infantis e Na Minha Pele: autoestima e identidade, agora numa idade em que a rede social já compete com a conversa em casa. Há playlists assinadas com Jarbas Bittencourt, detalhe de miolo que mostra o livro pensado para ser lido com som, não só com texto.
Quem deve ler
O público é o jovem que se sente sozinho mesmo cercado de mensagens, e o adulto que quer um romance curto sobre isso sem tom de cartilha. Não é o ensaio de Na Minha Pele nem a rima infantil de Caderno de Rimas do João. A linguagem é ágil de propósito. A editora resume a aposta numa frase concreta: se for preciso encarar os próprios monstros, que seja de mãos dadas com quem quer bem, porque ninguém deveria se sentir invisível.
Na Amazon o título existe em brochura e em ebook. A edição da Objetiva traz a capa amarela de Oga Mendonça, com dois jovens nas janelas de um prédio. Comprar o livro é entrar nessa ficção de quarentena, não num relato da vida dos filhos do autor. Os cadernos do João e da Maria são outra prateleira. Aqui os irmãos se chamam Carlos e Vitória, e a solidão deles cabe em qualquer apartamento com wi-fi e pouco papo.




